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31 de maio - Dia Mundial sem Tabaco

Arquivo 31/05/2012

“É tolerância zero com o cigarro!”, diz o pediatra João Paulo Becker Lotufo, pneumologista responsável pelo projeto antidrogas ilícitas do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo e representante da SBP nas reuniões sobre tabagismo que têm ocorrido com o Ministério da Saúde (MS) e em outras iniciativas sobre o assunto. Hoje, no Dia Mundial sem Tabaco, dr. Eduardo Vaz assinala: “precisamos dedicar nossas consultas também à prevenção desse mal”.

A SBP, juntamente com outras seis sociedades médicas, discutiu com o MS, em março, sobre a Lei Ambiente Livre do Tabaco, que já existia em São Paulo e outros seis estados e agora é nacional, foi aprovada pelo Senado e sancionada pela Presidente da República. “Aprofundamos o debate sobre o que pode ser considerado ambiente fechado e os pontos que poderiam gerar brechas a serem aproveitadas pela indústria”, informa o dr. Lotufo. A lei é até mais dura que a legislação paulista. Proíbe fumar em qualquer ambiente fechado, até nas tabacarias. Além disso, aumenta a carga de impostos sobre o tabaco. A partir do ano que vem o cigarro fica 20% mais caro.

Jovens, cigarro e álcool

“Sabemos que o envolvimento da criança e do adolescente com o cigarro e também com o álcool traz problemas sérios para a saúde dos jovens e, muitas vezes, facilita o primeiro contato com as drogas ilícitas”, lembra o dr. João Paulo Lotufo. Segundo dados do Ibope, 37% dos usuários compulsivos de álcool e 16% dos jovens que bebem “socialmente” – nos finais de semana, em eventos sociais – acabam utilizando drogas ilícitas. Apenas 2% dos que não consomem bebida alcoólica seguem o mesmo caminho. Quanto ao tabaco, a taxa pouco se altera: 33% dos jovens que fumam acabam experimentando as drogas mais pesadas.

Segundo informações do Ministério da Saúde, entre 2006 e 2010 ocorreu uma diminuição do número de fumantes no Brasil – de 16,2% para 15,1%. O fato foi citado pelo pediatra, com um alerta: “Tem diminuído a porcentagem de fumantes, mas se os jovens ainda estão sendo atraídos por essa indústria, o negócio pode nunca acabar!”, ressalta.

Crianças e problemas

Dr. João Paulo Lotufo reforça também que álcool e tabaco são muito prejudicais para o bebê, tanto na gravidez quanto na amamentação. “Temos as crianças que são fumantes passivas, passam por problemas inflamatórios sérios, bronquite, asma, rinites alérgicas… E, por algum tipo de influência dos pais, podem ter um contato com o cigarro mais cedo, como usuárias, abrindo a porta para o sofrimento com complicações mais sérias no futuro, como o câncer de pulmão, laringe, esôfago”, salienta.

Segundo pesquisa publicada pelo Ministério da Saúde, ocorreu um aumento dos brasileiros que abusam do álcool entre 2006 e 2010 – de 16,2% para 18,9%. Dr. João Paulo Lotufo se preocupa: “Quanto mais cedo se inicia, tanto com o tabaco, quanto com o álcool, maior é a dependência. Já tive casos de adolescentes de 12, 13,14 anos chegando ao hospital em coma alcoólico. É uma situação muito complicada. Há muita propaganda e festas de 15 anos nas quais jovens já consomem álcool. Alguns pais incentivam isso, é quase uma questão cultural”.

Outro problema para as crianças trazido pelas indústrias do tabaco é o trabalho infantil. Em uma investigação de dez anos, os Ministérios Públicos dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná apuraram que cerca de 80 mil crianças trabalhavam nas lavouras de tabaco da região Sul. “Essa é uma realidade no Brasil e no mundo… infelizmente”, enfatiza também dr. Lotufo.

Países e conquistas

O pediatra esteve presente na XV Conferência Mundial de Tabagismo ou Saúde, este ano, em Singapura. O tema foi a indústria do cigarro que, “mesmo produzindo algo que faz mal à saúde, segue buscando formas de se fortalecer”. Clique aqui para ler mais sobre isso.

Consulta e prevenção

O pediatra tem um papel importante na luta contra os malefícios do fumo e do álcool: “Ao invés de apenas dizermos que devem parar de beber e fumar, podemos alertar os pais sobre os malefícios que estão causando para o seu filho (e para eles mesmos), assim como explicar o assunto aos adolescentes. Além disso, o profissional precisa estar preparado para fazer o encaminhamento para especialistas que os ajudem a pararem com o cigarro e/ou álcool. Não há outro método, é o pediatra estar informado e informar”. Os interessados pode acessar o projeto Dr. Bartô (www.drbarto.com.br).

A SBP também apoia a campanha “Limite Tabaco”, da ONG Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), que propõe restringir as ações da indústria na atração de adolescentes e jovens ao consumo de cigarros. Conheça o movimento e participe do abaixo-assinado, acessando http://www.limitetabaco.org.br/.