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A felicidade das crianças não se compra

Arquivo 26/08/2013

22/08/13 | VIVA COM MAIS SAÚDE

Raquel Guindani

Hoje o assunto é sério. Reproduzo abaixo, na íntegra, texto publicado no jornal Gazeta do Povo, do Paraná, sobre uma pesquisa que a Sociedade Brasileira de Pediatria realizou em conjunto com o Instituto Datafolha a respeito da felicidade das nossas crianças. A assessoria de imprensa da SBP divulgou esses dados de extrema importância para nós, pais. E os resultados vêm de encontro ao que estou lendo no livro Einsten teve tempo para brincar – que estou amando. Vejam o artigo:

“A julgar pelos resultados de pesquisa recente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) com crianças, não é preciso muito para deixá-las felizes. Fazer as refeições com os pais, por exemplo, traz uma satisfação maior do que se deleitar com eletrônicos de última geração. A pedido da SBP, o Instituto Datafolha ouviu 1.525 crianças de 4 a 10 anos, de todas as classes econômicas, de 131 municípios de todo o país. O estudo, inédito no Brasil, explorou o estado emocional de meninos e meninas com relação à família, ao futuro, às brincadeiras e à escola. Os dados deixam claro que os motivos de alegria ou tristeza são os mesmos para os pequenos de diferentes regiões e classes sociais.

Segundo a pesquisa, o dia do aniversário é motivo de felicidade para 96% das crianças. Para a psicopedagoga Rosa Maria Junqueira Scicchitano, não é só por causa dos presentes. “É o momento em que elas se sentem especiais”, explica. Em seguida, vem a prática de esporte (94%), brincar com amigos (92%), férias escolares (91%) e assistir à tevê (90%). Em contrapartida, ficar longe da família foi apontado por 71% dos entrevistados como motivo de tristeza. Brincar sozinho deixa acabrunhados 47% dos entrevistados.

Se puder escolher entre jogar videogame sozinho ou jogar bola com o pai, Luís Gustavo Bortolette Costa, 8 anos, não titubeia ao escolher a segunda opção. “É mais legal do que brincar sozinho”, conta. Estar perto dos pais é motivo de alegria para a maioria das crianças. Para 87% delas, o bom é ficar perto da mãe; para 78%, do pai. Fazer refeições em família, mostrou a pesquisa, deixa 87% das crianças satisfeitas, mesma porcentagem dos que se alegram quando estão com os avós. “A importância que as crianças dão à família mostra o quanto a terceirização dos cuidados as afeta”, avalia a psicóloga Maíra Bonafé Sei.

Para o pediatra e presidente da SBP, Eduardo da Silva Vaz, boa parte dos adultos não tem a percepção de que a criança fica bem em situações muito corriqueiras. “Muitos pais trocam o tempo com os filhos para trabalhar além do necessário e poder oferecer bens materiais”, afirma Vaz.

Brincadeiras

Para o presidente da SBP, a grande surpresa da pesquisa é que as crianças não são consumistas. “Elas se veem bombardeadas por apelos do consumo e, no entanto, gostam de brincar com coisas simples”. Quando não estão na escola, as atividades preferidas são jogar bola (33%) e brincar de boneca (28%).

Apesar da forte presença da tevê (26%), do videogame (14%) e do computador (9%), no dia a dia preferem brincadeiras tradicionais, como andar de bicicleta (19%). “Os pais enchem os filhos de eletrônicos e eles gostam mesmo de brincadeiras tradicionais”, avalia Rosa Maria.

Puxão de orelha

Responsabilidade de criança é poder brincar. Pais modernos querem preparar os filhos para a vida adulta, oferecendo-lhes cursos e atividades extras, mas é importante preservar o tempo da brincadeira. “Criança tem de brincar para ter um desenvolvimento saudável. Não pode ser sobrecarregada”, alerta a psicóloga Maíra Bonafé Sei. Além de contribuir para o desenvolvimento emocional e cognitivo, brincar é o exercício físico dos pequenos. “É mais fácil deixar em frente à tevê do que levar ao parquinho, mas essa é uma atitude condenável”, avalia Eduardo da Silva Vaz, da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Enquanto a pesquisa realizada pela SBP mostra que 94% das crianças ficam felizes ao praticar esportes, dados do Ministério da Saúde mostram que uma em cada três crianças brasileiras está acima do peso.

Falta de tempo

A falta de tempo é apontada por grande parte dos pais como responsável pela pouca interação com os filhos. Para a psicopedagoga Rosa Maria Junqueira Scicchitano, a desculpa não é aceitável. “O que as crianças precisam é de qualidade e não quantidade no tempo com os pais”, afirma. A vida moderna exige extensas jornadas de trabalho, mas é preciso ter disposição para chegar em casa e dar atenção às crianças. “Com pequenos gestos, pais podem mostrar que se importam com os filhos”, explica Rosa Maria.