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A posse do brasileiro Sergio Cabral na Internacional de Pediatria

Arquivo 19/08/2010
Dr. Sergio com o ex-presidente, dr. Chok-wan Chan

Realizada na cerimônia de encerramento do congresso, a posse da nova diretoria ocorre em momento em que muitos já estão de partida e, em geral, as outras atividades já acabaram. Mas para minha surpresa, havia cerca de 500 pessoas no auditório, o que tornou o momento mais festivo e estimulante. São apenas 2000 pediatras em todo o continente africano e avaliamos que o grande número de participantes no congresso reflete seu sucesso. Os pediatras africanos estavam muito contentes com a realização do evento e seu significado para as sociedades locais. Recebi apoio também de colegas de todas as demais regiões do mundo.

O sr. foi eleito em 2007 e passou três anos, como estabelece o estatuto da entidade, como vice-presidente. Como foi a experiência? Que problemas e avanços o sr. poderia citar deste período em que a IPA teve à frente o professor chinês Chok-wan Chan?

A IPA teve grandes avanços desde 2001, quando tomou posse a professora Jane Schaller (EUA/Canadá). Desde então, venho participando da diretoria executiva e posso dizer que estabelecemos muitas mudanças na estrutura da entidade. Concebemos e implantamos uma nova Constituição, que dá mais poder às entidades que são membros da IPA, com a eleição de representantes indicados por elas. A IPA é composta por 166 membros – 144 sociedades nacionais e 22 regionais e de subespecialidades pediátricas. Foi importante também a consolidação de alianças com a OMS, UNICEF, Federação Internacional de Obstetrícia e Ginecologia (FIGO), com o desenvolvimento de trabalhos conjuntos, especialmente para a implementação das Metas do Milênio (Millenium Development Goals /MDG), os objetivos acordados pela ONU para a redução da fome, desnutrição, analfabetismo, doenças transmissíveis e outros problemas. Organizamos na IPA 10 programas prioritários: “Saúde do Adolescente”, “Melhores Medicamentos para as Crianças”, “Saúde Ambiental na Infância”, “Assistência a Crianças em Situações de Emergências Humanitárias”, “Imunizações”, “HIV/AIDS”, “Tuberculose”, “Sobrevida Neonatal e na Infância”, “Nutrição”, “Qualidade de atendimento e Desenvolvimento Infantil Precoce” e o Projeto MDG. Foi muito importante trabalhar apoiando o presidente Chok-wan nestes três anos. Passei a conhecer profundamente os projetos da IPA, estando apto a dar continuidade ao trabalho, ampliando as nossas ações no próximo período.

Quais são os planos?

Creio firmemente que a IPA tem todas as condições para se firmar na liderança da comunidade pediátrica mundial frente às organizações bilaterais e multilaterais. Para tanto, é importante estabelecer uma rede de trabalho, conectando as ações internacionais com as sociedades que são membros, passando pelas nossas sete filiadas regionais. Nosso grande trunfo como associação é a possibilidade de, uma vez organizada uma rede de comunicação efetiva entre as partes envolvidas, termos a capacidade de implantar programas ao nível local. Pretendemos utilizar nossos programas como instrumento de ligação, organizando comitês nas filiadas regionais e nacionais que se comuniquem e decidam, em conjunto, as melhores opções de trabalho. Estamos iniciando também um trabalho visando a integração dos currículos, a definição de competências e habilidades para o treinamento em pediatria. Para isto, organizamos o Global  Pediatric Education Consortium (GPEC), que já se reuniu duas vezes na Europa, montando uma proposta inicial, que será submetida à apreciação de todas as filiadas. Outra proposta importante será o estabelecimento de uma sede administrativa na Europa (ponto central para as sociedades de todas as regiões), profissionalizando as nossas atividades e facilitando a comunicação com os associados. Esperamos ainda consolidar o novo modelo de congresso mundial, que a partir da África passou a ser totalmente financiado pela IPA, retirando dos países sede o risco financeiro de um evento destas proporções.

Finalizando, o que o sr. gostaria de dizer aos colegas?

Como latino-americano e brasileiro, sinto muito orgulho de ter sido eleito para este cargo, mostrando o valor dos pediatras de nosso continente e de meu país. Nossa vitória foi decorrência da demonstração de que podemos contribuir para que a IPA se fortaleça, cada vez mais, e realize ações efetivas em benefício das crianças e dos pediatras.  Conto, naturalmente, com o apoio da Sociedade Brasileira de Pediatria, que foi de vital importância nesta conquista, através do professor Dioclécio Campos Júnior e, tenho certeza, seguirá opinando e dando suporte ao nosso trabalho, agora sob a liderança do dr. Eduardo Vaz.