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Agora, só na cadeirinha

Arquivo 11/05/2010

Edição 2164 

 

 

Guia

Agora, só na cadeirinha

Seu filho pode chorar, berrar e resmungar, mas não tem jeito: a partir do dia 9 de junho, todas as crianças de até 7 anos e meio terão de sentar nas cadeirinhas a elas destinadas quando estiverem andando de carro

Anna Paula Buchalla

O motorista que descumprir a resolução ficará sujeito a multa por infração gravíssima, prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro. Isso significa o pagamento de 191,54 reais, a perda de 7 pontos na carteira de habilitação e a retenção do automóvel até a instalação do equipamento. Crianças de até 1 ano devem ser transportadas no bebê-conforto. Entre 1 e 4 anos, o lugar correto para acomodá-las é em cadeirinhas com encosto e cinto próprios. Os assentos de elevação, que utilizam o cinto de segurança do carro e evitam que ele fique na altura do pescoço da criança, podem ser usados para as de 4 a 7 anos e meio.

Acima dessa idade ou a partir de 1,45 metro de altura, o uso do cinto de segurança continua obrigatório, é claro. A regra das cadeirinhas e assentos de elevação não vale para veículos de transporte coletivo, como ônibus escolares e táxis. “O uso correto das cadeiras evita em 70% os acidentes fatais”, afirma Alfredo Peres da Silva, diretor do Departamento Nacional de Trânsito. Para os pais que já preveem o chororô dos maiorzinhos, que hoje circulam apenas com o cinto de segurança no banco de trás, eis o que diz a psicóloga Magdalena Ramos, de São Paulo. “É uma ótima oportunidade para a criança começar a entender o que significa obedecer a leis e saber que elas se aplicam a todos, inclusive à sua família”. Há no mercado noventa modelos de dezenove marcas de cadeirinhas com o selo do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, o Inmetro. Saiba qual o modelo que melhor se adequa à sua necessidade.

Cadeirinhas de segurança


Tim Hall/Getty Images
Indicação: crianças de 1 a 4 anos
Peso e altura médios: nessa faixa de idade, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, elas pesam entre 9 e 16 quilos e medem entre 0,75 e 1,04 metro
Instalação: no banco traseiro, de preferência no centro e de frente para o painel. A criança usa o cinto da cadeirinha, que, por sua vez, é presa ao cinto do carro

1. O melhor custo-benefício
Os modelos descritos não estão entre os mais caros e podem ser usados por crianças de 1 a 7 anos e meio que pesem entre 9 e 36 quilos. Com encosto removível, a cadeirinha se transforma em assento

Fotos divulgação  Booster Canguru, da Lenox
Indicação: de 9 a 36 quilos
Características: apoio de cabeça com proteção lateral, três ajustes de altura e posicionador do cinto de segurança. O tecido e o encosto são removíveis, para facilitar a limpeza
Preço: 350 reais
Racing Kid, da Infanti
Indicação: de 9 a 36 quilos
Características: tem duas posições de reclinação, três alturas para o cinto de segurança, protetor de ombros, apoios de cabeça e de braços e tecido acolchoado e removível para limpeza
Preço: 400 reais

2. A mais completa

Key 1 X-Plus, da Chicco
Indicação: de 9 a 18 quilos
Características: reúne os principais itens de conforto: tecido acolchoado, apoio para a cabeça com seis ajustes e banco reclinável em cinco posições, o que evita que a cabeça da criança caia para a frente enquanto ela dorme. O revestimento é removível e lavável
Preço: 1 099 reais

3. Para quem precisa de duas cadeirinhas

 

Star, da Infanti
Indicação: de 9 a 36 quilos
Características: por ser 6 centímetros mais
estreita do que a média, ocupa menos espaço
no banco do automóvel. Pode ser usada como
cadeira até os 4 anos e depois, retirando-se
o encosto, como assento de elevação
Preço: 490 reais

Assento de elevação

Indicação: crianças de 4 a 7 anos e meio

Peso e altura médios: nessa faixa de idade, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, elas pesam entre 16 e 24 quilos e medem entre 1,04 e 1,25 metro

Instalação: no banco traseiro, de preferência nas laterais – atrás do banco do motorista ou do passageiro

1. O melhor para carros pequenos
Assento de elevação sem encosto
Indicação: de 15 a 36 quilos
Características: ocupa menos espaço e pesa, em média, menos de 1 quilo. A partir dos 5 anos, a própria criança consegue – sob a supervisão de um adulto – afivelar o cinto. Não deve ser usado em veículos sem apoio de cabeça no banco traseiro. “Em uma freada repentina, há o risco de a criança ser ferida por movimentos bruscos na parte superior do tronco e na cabeça”, diz Renata Waksman, da Sociedade Brasileira de Pediatria
Preço: de 90 a 100 reais
2. O melhor para carros grandes
ou sem apoio de cabeça
Assento de elevação com encosto
Indicação: de 9 a 25 quilos
Características: é mais confortável do que os assentos sem encosto. Os modelos vêm com apoios de
braços, encaixe para a cabeça e posições de reclinação.
Preço: de 350 a 700 reais

É uma pena, mas…

Com reportagem de Gabriella Sandoval

Aurelie and Morgan David de Lossy/Getty Images

Para não perder de vista o rostinho maravilhoso, fofo e único dos seus filhotes, a maioria dos pais brasileiros continua a usar o bebê-conforto na posição contrária à recomendada pelos especialistas em segurança. Ele deve ser instalado no meio do banco de trás, com o apoio para a cabeça da criança virado para o vidro traseiro do carro.
O motivo: como o bebê ainda não tem firmeza no pescoço para aguentar o tranco de uma freada súbita, essa posição ajuda a amortecer o baque. “Os riscos de lesões decorrentes de movimentos de impacto são menores quando a criança já tem músculos, tendões e ligamentos fortalecidos. E isso só ocorre depois que ela atinge 1 ano”, diz a pediatra Renata Waksman

O que pode acontecer, caso o equipamento seja instalado de forma errada:quando a criança fica de frente para o painel, a desaceleração repentina pode provocar o “efeito chicote” – ou seja, cabeça e tórax são jogados para a frente e para trás bruscamente. Com isso, a criança corre o perigo de sofrer graves lesões cranianas, intracranianas e fraturas na coluna cervical

Sim, cabe mais um


Steve Hix/Somos Images/Getty Images/RF

O que fazer quando o número de crianças com menos de 10 anos excede a capacidade de lotação do banco traseiro

• Em tal caso, o Conselho Nacional de Trânsito abre uma exceção: os pais devem escolher a criança de maior estatura para sentar-se no banco da frente

• Essa criança deve estar com cinto de segurança ou assento de elevação adequado ao seu peso e altura, como explica Marcus Romaro, especialista em segurança veicular. Nada de colocá-la no colo de um adulto carona, portanto

• Se houver airbag frontal, o banco deverá ser ajustado na última posição de recuo.
“Como a maior parte dos airbags é projetada para proteger adultos, eles podem ferir uma criança, causando, entre outras lesões, o deslocamento de pescoço”, diz Alessandra Françóia, coordenadora da ONG Criança Segura

Bateu, aponsentou

A informação está no manual das cadeirinhas e afins, mas pouco pais sabem disso: em caso de acidente, o equipamento deve ser substituido. E isso vale não só para batidas grandes, como para as pequenas, em que, aparentemente, não houve dano algum à cadeirinha. A força da batida pode enfraquecer ou danificar os cintos de segurança e outros dispositivos de proteção, tornando-os menos eficientes. “Os danos estruturais ás vezes são imperceptíveis, mas potencialmante perigosos”, diz Luciana Berlanga, gerente de marketing da Chicco. Eis por que não é recomendável comprar uma cadeirinha usada.