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Baixa remuneração desestimula pediatras a atuar na rede pública e privada

Arquivo 02/12/2011

Ariadne Sakkis

O Distrito Federal tem 40,62 pediatras a cada 100 mil habitantes. É a mais alta proporção entre os estados brasileiros. Entretanto, na prática, os moradores do Distrito Federal têm dificuldade de acreditar que a oferta é assim tão boa, mesmo que os 1.044 pediatras representem mais de 10% do total de médicos do DF. Há alguns anos, a capital vive uma fase de problemas no atendimento infantil tanto na rede pública quanto na particular. Diversos hospitais não oferecem mais a especialidade nas emergências. A categoria médica travou batalha com as operadoras de planos de saúde por causa da baixa remuneração e, na rede pública, cada vez mais crianças disputam consultas com os pediatras disponíveis.

 

A revelação faz parte da pesquisa Demografia Médica no Brasil, desenvolvida pelo Conselho Federal de Medicina e pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). O estudo mostra que o Brasil está bem servido de médicos (…)

 

“A pediatria deixou de ser rentável. Os planos de saúde lotam os consultórios, mas pagam pouquíssimo pelas consultas de retorno. Os pediatras não conseguem se manter”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Eduardo Vaz.

 

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Censo indica que 55% dos médicos são especialistas

Tendência é de aumento do grupo frente aos profissionais generalistas

Em países ricos, especialistas são o dobro dos generalistas; pediatria é a área mais popular no Brasil

GIULIANA MIRANDA
DE SÃO PAULO

O maior censo médico já feito até hoje no país mostra que há 1,23 especialista para cada generalista. O número, está longe da média de muitos países desenvolvidos, onde essa proporção costuma ser de 2 para 1.

Os números foram divulgados ontem pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) e pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo).

Segundo o levantamento, dos 371,788 mil médicos em atividade, 55,1% são especialistas. Ou seja, passaram por residência médica ou por concurso reconhecido de uma sociedade médica.

Os generalistas são aqueles que não passaram por esse treinamento e costumam ser responsáveis pelo primeiro atendimento.

Em geral, são médicos jovens, que ainda não conseguiram entrar para a residência. A pouca oferta de vagas é considerada pelo trabalho como um dos gargalos na formação de especialistas.

Pediatria e ginecologia são as áreas com maior número de profissionais. Juntas, elas respondem por quase um quarto dos especialistas.

SOBRA E FALTA

A pediatria lidera entre as 53 especialidades reconhecidas no país, com 13,31% desses profissionais.

A dianteira na formação de pessoal não significa, porém, que haja pediatras para todos. A pesquisa indica que eles estão bastante concentrados, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste.

“Não faltam pediatras. O que acontece é que esses profissionais estão mal distribuídos”, diz Renato Azevedo Júnior, presidente do Cremesp.

Eduardo Vaz, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, concorda.

“Faltam incentivos para que o pediatra fique na rede pública. Os salários não são dignos em muitas cidades. O profissional acaba migrando para a rede particular, normalmente nas capitais.”

Todas as outras especialidades também estão concentradas nos grandes centros.

O Sudeste lidera, acumulando 54,97% desses profissionais. Uma realidade bem diferente do Norte, que tem apenas 3,47% dos especialistas, mas abriga 8,3% da população do Brasil.

Na abertura da 14ª Conferência Nacional de Saúde, o ministro Alexandre Padilha (Saúde) retomou o discurso de que é prioridade do governo fixar médicos no interior e em regiões carentes e falou das especialidades mais requisitadas. “Precisamos formar mais pediatras que dermatologistas, mais obstetras que radiologistas.”

EM BAIXA

Embora o relatório não indique nenhuma especialidade em nível crítico, a idade média elevada de algumas delas chama a atenção.

Enquanto a faixa etária média do médico brasileiro é de 46 anos, a de algumas especialidades beira os 60 anos, como patologia clínica e medicina laboratorial, medicina legal e perícia médica, angiologia e homeopatia.

A média de idade dos profissionais é um bom indicativo de tendências de carreira e das preferências dos profissionais recém-formados, afirma a pesquisa.

“Não acho que nós estejamos caminhando para um processo de extinção. O perfil do médico está mudando. Antes, o patologista clínico era o dono de um grande laboratório. Hoje, já não é mais assim, mas a procura pela residência não diminuiu”, disse Carlos Balotari, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica.

Colaborou JOHANNA NUBLAT, de Brasília

 

1/4 dos médicos é de pediatras e ginecologistas

Das 53 especialidades, angiologia, cirurgia de mão e genética médica são as que apresentam menos profissionais

02 de dezembro de 2011 | 3h 03

LÍGIA FORMENTI / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

Estudo feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) mostra que quase um quarto (24,46%) dos especialistas médicos brasileiros é pediatra ou ginecologista. Das 53 especialidades registradas, angiologia (vasos sanguíneos), cirurgia de mão e genética médica são as que apresentam menor porcentual de profissionais titulados. São 282 angiologistas (0,14%), 202 cirurgiões de mão (0,09%) e 156 especialistas em genética médica (0,08%).

Pediatria é a que mais forma profissionais: são 13,31% dos 204.563 médicos titulados em atividade no Brasil.

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