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Brasileiro é eleito presidente da Internacional de Pediatria

Arquivo 31/08/2007

Dr. Sergio Cabral foi eleito presidente da Associação Internacional de Pediatria (IPA). “Foi uma vitória bonita, porque muito disputada”, comenta o dr. Dioclécio Campos Jr., de Atenas, na Grécia, onde foi realizado o congresso mundial com representações das filiadas, no qual se deu a votação. “Foram 49 votos contra 39 para o outro candidato”, disse o presidente da SBP. A eleição foi para o cargo de Presidente Eleito. Agora, dr. Sergio participa da diretoria da IPA como vice-presidente até o congresso seguinte, marcado para Johannesburgo, na Àfrica do Sul, em 2010, quando assumirá a presidência da entidade mundial. Em Atenas, assumiu o presidente eleito anteriormente, que é da China, professor Chok-wan Chan. Na foto ao lado, dr. Sergio com dr. Dioclécio.

 

Democratizar a Associação Internacional de Pediatria

Ex-presidente da SBP (gestão 1997/98), dr. Sergio Cabral representa a diretoria da Sociedade na IPA, sigla em inglês da Associação Internacional de Pediatria, desde 1999. Em agosto, foi eleito presidente da entidade, em congresso que reuniu as lideranças da pediatria mundial em Atenas, Grécia. Veja a seguir a entrevista ao SBP Notícias.

Quando o sr. começou a representar a SBP na IPA?
Desde 1992, nas gestões de Pedro Celiny e Mário Santoro, vínhamos trabalhando por reformas no estatuto da Associação. Em 1998 passei a participar do Standing Committee, o Comitê Executivo da IPA, logo após meu mandato na presidência da SBP.

Como foi sua indicação? 
Fui indicado pelo então presidente Lincoln Freire ao Conselho Superior da SBP. Dr. Dioclécio também sugeriu meu nome ao órgão máximo de decisão da Sociedade. É uma honra representar o Brasil em um fórum internacional, levando nossa contribuição para um mundo melhor. A IPA é hoje composta por 166 membros – 144 sociedades nacionais e 22 regionais e de subespecialidades pediátricas. Isto lhe confere uma força que, se adequadamente canalizada, pode ser capaz de efetivar mudanças importantes no cuidado de nossas crianças e adolescentes.

Quais as suas primeiras impressões? 
Logo percebemos que a IPA precisava modernizar-se e, principalmente, dar mais espaço para as sociedades nacionais filiadas nas discussões e decisões da entidade.
Observamos que a entidade funcionava como um grupo fechado, com poucas pessoas decidindo as estratégias de trabalho e muito concentrada na realização de Simpósios em diversas partes do mundo. Este pequeno grupo de pessoas (o Comitê Executivo) viajava muito, mas seus simpósios não resultavam em qualquer atividade prática de apoio aos pediatras ou às crianças. Não havia ainda comunicação entre a Associação e suas filiadas e as conexões com as agências de planejamento em saúde, como a OMS, eram muito informais.

Que propostas foram apresentadas para corrigir as falhas? 
Em 1995, levamos ao congresso mundial, no Cairo, uma proposta consistente, fruto de estudo detalhado do estatuto, mas que não foi considerada para votação. Com nossa entrada no Comitê Executivo, voltamos a apresentar estas propostas em 2000, ainda sem sucesso. Finalmente, em 2004, conseguimos aprovar alterações substantivas. Destaco a substituição dos membros “ad personam”, escolhidos por convite direto do pequeno grupo que liderava a IPA, por membros eleitos entre pessoas indicadas pelas Sociedades Nacionais, Regionais e de Especialidades. Também aprovamos uma mudança substantiva na forma como são conduzidas as reuniões do Conselho de Delegados, durante o Congresso Mundial. No formato anterior, os encontros serviam apenas para comunicados monótonos do que havia sido feito pela Diretoria da IPA (em geral seminários), sem qualquer espaço para ouvirmos o que as Sociedades gostariam que fosse feito no plano mundial. Incrementamos ainda nosso diálogo com os principais atores no cenário da saúde, em especial com a OMS, com a qual vimos discutindo programas e atividades conjuntas a serem implementadas nos diversos países. As agências de saúde tendem a deixar as crianças de lado quando planejam seus programas. Neste aspecto, a IPA tem participado ativamente, buscando chamar a atenção para as necessidades específicas da população infantil e apontando soluções para seus problemas.

Pode dar algum exemplo? 
Entre os programas que foram desenhados e estão sendo executados pela atual administração da IPA, destaco o treinamento para pediatras se aperfeiçoarem no atendimento a crianças em situações de grandes desastres, o trabalho de cuidados com o meio ambiente (neste tópico conseguimos uma bolsa de 150.000 dólares para atividades em regiões selecionadas), o Child Watch África, voltado para o diagnóstico de problemas sanitários e programas de treinamento e assistência às crianças africanas, nossa participação em conjunto com muitas outras agências no “Stop-TB”, pelo controle e erradicação da tuberculose, e o programa de medicamentos essenciais em Pediatria. Neste último, temos um exemplo claro de como podemos fazer a diferença em benefício das crianças.

Como isso ocorre?
Desde 2001 vimos nos aproximando da OMS, reivindicando a introdução de formulações pediátricas na lista de medicamentos essenciais, recomendada pela OMS. Esta inclusão é fundamental, pois a lista é aprovada pelos Ministros de Estado presentes à Assembléia Mundial de Saúde e torna-se de implantação obrigatória nos países membros da OMS. Apesar de grandes resistências iniciais, conseguimos finalmente levar à discussão e aprovação pela Assembléia Mundial de Saúde de uma lista de medicamentos essenciais em Pediatria.

O sr. foi indicado para concorrer ao cargo de presidente da IPA, nas eleições de agosto, no Congresso de Atenas. Como é o processo?
Minha indicação é conseqüência do reconhecimento do trabalho que venho desenvolvendo, em nome da SBP, no aperfeiçoamento da IPA como instituição. Independente do resultado das eleições, julgo ser uma honra e um orgulho representar nosso país num foro internacional de grande importância. Meu nome foi indicado pela SBP, pela Academia Americana, pela Sociedade de Pediatria de Hong Kong e também pela do Egito. Temos ainda grande apoio na Ásia, África e na Liga Árabe. A eleição que ocorre em cada congresso é para o cargo de Presidente Eleito. O vencedor participa da diretoria da IPA como vice-presidente até o congresso seguinte. Em Atenas, assume o presidente eleito anteriormente, que é da China, professor Chok-wan Chan. O eleito na Grécia passa ser presidente em Johannesburgo, em 2010.

Como vê o futuro da IPA? 
Junto com a inclusão das filiadas na gestão virá também uma maior responsabilidade de todos na implantação dos programas da Associação Internacional nos países. Temos compromisso com os atuais projetos e estaremos abertos para novas sugestões. Pessoalmente, me interessa muito o desenvolvimento de estratégias de preservação do meio ambiente e a implementação de um sistema mais ágil de comunicação instantânea entre as sociedades.