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Bullying: brincadeiras de mau gosto entre alunos trazem traumas

Arquivo 05/11/2008

05.11.2008

O aluno vítima desse tipo de agressão, não tem como se defender. Isso pode trazer conseqüências na vida da criança ou adolescente.

Como os pais e as escolas devem agir numa situação como essa? Como evitar o chamado bullying entre os alunos?

A equipe do Bom Dia Rio visitou uma escola e conversou com professores e especialistas sobre o assunto.

A diretora da escola disse que tem casos em que o aluno que sofre esse tipo de constrangimento tem que ser encaminhado para um psicólogo para um psiquiatra às vezes porque a situação fica muito difícil. O aluno que sofre muda de comportamento e precisa de tratamento.

O bullying já pode ser identificado na pré-escola. As crianças já demonstram atitudes de agressão e rejeição aos colegas, não deixar um determinado colega fazer parte da turminha, dar apelidos.

Barril, nanica, baixinha, Olívia palito, cabelo de macarrão. Esses são apenas alguns apelidos que podem até parecer brincadeira, mas que não têm graça nenhuma, pelo contrario.

Rebeca de 13 anos conta que o que era piadinha pra uns, pra ela era sinônimo de sofrimento “Eu nunca gostava disso, você se sente humilhado, no fundo do poço”, fala a estudante.

O bullying se caracteriza principalmente por atitudes como dar apelidos pejorativos, zoar do colega e às vezes até a agressão física. Sempre expõe a pessoa à humilhação, ao constrangimento e também ao medo de não ser aceito.

Em um colégio o assunto virou cartilha para pais, alunos e professores e também assunto dentro da sala de aula.

A Julia Lázaro, orientadora educacional disse que um dos motivos que motivaram o trabalho foi que eles perceberam que os apelidos já apareciam entre as crianças menores. “Desde a pré –escola as crianças já têm uma preferência por determinados colegas e outros não”, diz a orientadora.

Através de exercícios em grupo, a orientadora tenta mostrar aos alunos como a gozação pode ser dolorida. Em roda todos os estudantes seguram o barbante. Nele foi colocado um anel que passa de mão em mão. Apenas uma pessoa vai para o meio do circulo e tem que descobrir com quem está o objeto. Depois acontece o debate com os alunos. As pessoas que foram para o meio da roda contam como se sentiram.

“Me senti exposta porque tava todo mundo me olhando”, fala uma estudante.

A orientadora fala do resultado do exercício. “Nós vimos por meio do jogo como é desagradável à gente ficar em determinada situação, quando a gente fala do bullying a gente fala destas situações de humilhação que nós temos prazer de fazer com os colegas” , comenta.

“Não precisamos humilhar as pessoas para se divertir. Se precisamos é porque temos algum problema”, desabafa uma estudante.

“A gente aprendeu que a maior parte das pessoas que sofrem com bullying tem auto-estima baixa porque as pessoas ficam humilhando, como se você por ser diferente não pode se encaixar no grupo”, comenta uma estudante.

Os pais devem prestar atenção porque no bullying existe a vítima e o agressor.O agressor também precisa de ajuda pois a atitude dele indica que ele precisa de apoio, ajuda e conversa com os pais e professores. Esses sinais podem levar a depressão infantil que é difícil de tratar.

Aramis Lopes Neto, pediatra, da Sociedade Brasileira de Pediatria fala como chegam as crianças no seu consultório. “Muitas vezes chega com a queixa de depressão, uma criança muito introvertida e que se isola muito. Evidente que a queixa inicial nunca é a questão do apelido, cabe ao profissional investigar a fonte desses problemas que essas situações de bullying nas escolas provocam depressão muito forte na criança.

Para ele a participação e apoio dos pais é muito importante. “Primeiro saber ouvi a criança. O sofrimento muitas vezes não é valorizado pelos pais da criança, nem pelos professores e isso é ruim para a criança, pois ela se sente sem apoio e sem ajuda”, revela o pediatra.

Ele ressalta a importância da escola saber receber a queixa dos pais, valorizar e saber trabalhar de forma a preservar a integridade da criança. “O diálogo entre a família e a escola é muito importante”, alerta Aramis.

Assista aqui o vídeo