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Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro discute valorização da infância e da pediatria.

Arquivo 20/04/2011

 Quais os caminhos para o desafio de garantir saúde de qualidade para a infância? “Valorizar o trabalho profissional do pediatra. Esta é, sem dúvida, a única certeza”. A afirmativa é do vereador Tio Carlos, presidente da Comissão Permanente dos Direitos da Criança e do Adolescente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, onde realizou, nesta terça-feira, uma audiência pública para discutir “A situação da pediatria no município e possíveis soluções”. Convidado para o debate, o presidente da SBP, dr. Eduardo Vaz, cumprimentou o parlamentar pela iniciativa, e, dentre outras questões, salientou a necessidade de que as crianças e adolescentes tenham garantido o direito ao acompanhamento de seu crescimento e desenvolvimento pelo profissional que está habilitado para isso. “Cerca de 80% das crianças brasileiras não têm acesso a planos de saúde. O sistema público precisa oferecer a todas a assistência, mas, principalmente, a prevenção e a promoção em saúde, afinal, sabemos que boa parte das doenças do adulto hoje começa na infância”.

Dr. Edson Liberal, presidente da Sociedade de Pediatria do Rio de Janeiro (Soperj), foi enfático: “não faltam numericamente pediatras no município, no estado e no País”. O grande problema para as famílias não está nas clínicas particulares, mas na rede pública de saúde, onde as mães têm dificuldade sim de encontrar médicos especializados na infância e na adolescência. “Muitas vezes este é o motivo de não recorrerem à atenção básica e levarem seus filhos diretamente na emergência”, lembrou o dr. Eduardo. Enfatizando que não se trata de um debate “entre governo e oposição”, o vereador Paulo Pinheiro, da Comissão de Saúde da Câmara, resumiu o problema: “falta política de recursos humanos adequada, de concursos públicos, de plano de cargos e salários”. Sobre a qualidade do serviço, dr. Edson foi claro: “o funcionalismo público também precisa ser cobrado”. Metas foram defendidas por todos, assim como muito enfatizada a necessidade de melhorar as condições de trabalho. No debate, foram problematizadas as alternativas, como a hoje muitas vezes encontrada, de contratações terceirizadas. O médico precisa também “ter garantido um futuro”, disse o dr. Eduardo, e ter “vínculo, compromisso, com a instituição na qual atua”.

Na mesa do debate, estavam três diretores de hospitais municipais, os drs. Paulo Peres, do Jesus, Fátima Brandão, do Nossa Senhora do Loreto e  Beatriz Damásio, do Salles Netto. As instituições foram visitadas pelo vereador Tio Carlos, que encontrou em todas muitas dificuldades e sempre equipes “extremamente dedicadas”. “Peço uma salva de palmas para estes abnegados colegas”, disse o dr. Edson, prontamente atendido por uma platéia composta por diferentes profissionais que atuam na área da infância.

Representando o poder público municipal, o dr. João Luiz Ferreira Costa, subsecretário de Atenção Hospitalar, Urgência e Emergência, discorreu sobre as mudanças que vêm sendo implementadas, assinalou a importância da pediatria no próprio entendimento das queixas de “pacientes que muitas vezes não sabem se expressar” e discorreu a respeito das dificuldades encontradas pela prefeitura e os caminhos que vêm sendo buscados para as diferentes e “complexas” questões, citando, entre outros exemplos, novas formas de realizar licitações para compra de medicamentos.

Também presente, o vereador Carlinhos Mecânico, vice-presidente da Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente, ressaltou a importância da permanente busca de soluções. Aproveitando a oportunidade, dr. Edson Liberal convidou a todos para o debate já marcado para o dia 04 de maio, às 13h30 na sede da Soperj, à rua da Assembleia, 10, 18º andar, no Rio de Janeiro.