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Carta de Cartagena Por mais qualidade na formação profissional!

Arquivo 16/04/2013


Os representantes das entidades na Colômbia

Um currículo básico unificado para a pediatria mundial terá suas estratégias de implantação discutidas nos próximos dias 23 e 24, em Montevidéu, Uruguai. A proposta, do Global Pediatric Education Consortium (GPEC), aliança que conta com participação do Brasil, foi aprovada pelas Sociedades do Cone Sul em maio, no Rio de Janeiro e, em seguida, por unanimidade, também em Cartagena, na Colômbia. Entre as decisões, está o estabelecimento da duração mínima de três anos para os Programas de Residência Médica em Pediatria, “tendo em conta a extensão e a profundidade dos conteúdos científicos, assim como as diversas competências profissionais a serem desenvolvidas e as novas morbidades que se estendem rapidamente no grupo etário” , diz o texto das Sociedades de Pediatria da Argentina,  Bolívia, Chile, Uruguai, Paraguai e Brasil.

“Nosso país ainda é o único que ainda pratica apenas dois anos. Nos restante do mundo, a formação pediátrica varia de 3 a 4anos. Vamos mudar isso, estamos trabalhando incansavelmente pela melhoria da formação profissional”, salienta o presidente da SBP, dr. Eduardo da Silva Vaz.“Nossa situação, a respeito da duração dos Programas de Residência  Médica em  Pediatria, reflete incompetência, insensibilidade e descompromisso dos gestores”, frisa o representante  da Sociedade no GPEC, dr. Dioclécio Campos Jr.

Leia, a seguir, a íntegra da Carta de Cartagena.

Termo deliberativo das Sociedades de Pediatria do Mercosur

As Sociedades de Pediatria da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, entidades de elevado nível científico e social no contexto das distintas realidades que identificam os países do Mercosul, representadas por seus respectivos presidentes, reuniram-se em Cartagena, Colômbia, em 15 de novembro de 2012, durante o XVI Congresso Latinoamericano de Pediatria.

A agenda do encontro incluiu tópicos importantes para o desenvolvimento qualificado dessa especialidade, ademais de haver destacado relevância no fortalecimento das habilidades profissionais dos pediatras dessa região. Foram também abordadas estratégias que despertem a consciência dos governos, e dos líderes da sociedade civil, a propósito da prioridade do investimento na infância e na adolescência como única política pública de real valor para a evolução que a cidadania do terceiro milênio requer.

As discussões basearam-se nos resultados de pesquisas realizadas pelas Sociedades de Pediatria da Argentina e do Uruguai no intuito de conhecer melhor as características e os desafios do exercício profissional pediátrico. Foram apresentados os dados obtidos a partir de significativos indicadores da situação da pediatria praticada nos dois países, comparáveis à realidade do exercício profissional da especialidade nos demais países que integram a comunidade do Mercosul. Entre as diversas constatações registradas nas duas pesquisas, destaca-se o compromisso dos pediatras com a nobre causa que expressa sua vocação, apesar da escassez de recursos indispensáveis à qualidade de seu trabalho, dos baixos salários e do ambiente inseguro em que desenvolvem suas atividades. Os participantes analisaram as particularidades dos Programas de Residência Médica em Pediatria nos respectivos países. Debateram  a proposta, feita pela SBP em reunião das Sociedades de Pediatria no Rio de Janeiro, que defende a adoção, na comunidade do Mercosul, do Curriculum Global de Pediatria elaborado pelos membros do Global Pediatric Education Consortium.

O evidente grau de sintonia ética, científica e estratégica entre os presidentes das entidades nacionais mencionadas, que se confirmou na reunião de Cartagena, é o marco institucional legítimo das sólidas perspectivas de transformações qualificadas que se configuram no panorama da pediatria do Mercosul. Os acordos ajustados por unanimidade são provas da convergência perceptiva das Sociedades de Pediatria de valiosa comunidade internacional da América do Sul. As posturas assim assumidas estão claramente orientadas para o compromisso intransigente com a qualidade, componente que já não de mais ser ignorado pelas políticas públicas destinadas à infância e à adolescência desses países.

Portanto, as sociedades pediátricas do Mercosul, por meio de seus presidentes, resolvem:

1- Aprovar o Curriculum Global elaborado pelo Global Pediatric Education Consortium (GPEC) como base programática a ser aplicada progressivamente na formação dos pediatras dos países membros, respeitadas suas respectivas particularidades epidemiológicas e realidades socioculturais e econômicas pertinentes.

2- Promover, em abril de 2013, em Montevideo, a nova reunião das Sociedades de Pediatria do Mercosul para a definição das estratégias destinadas à implementação progressiva do Curriculum Global do GPEC como estrutura fundamental dos Programas de Residência Médica em seus correspondentes países.

3 – Estabelecer que a duração mínima dos Programas de Residência Médica em Pediatria, nos países do Mercosul, deve ser de três anos, tendo-se em conta a extensão e a profundidade dos conteúdos científicos, assim como as diversas competências profissionais a serem desenvolvidas e as novas morbidades que se estendem rapidamente no grupo etário correspondente.

4 – Considerar a implementação do Curriculum Global do GPEC nos Programas de três anos de Residência Médica em Pediatria do Mercosul como requisito para que seja respeitado o princípio qualitativo indispensável à livre circulação de profissionais entre os países da região.

                                                                  Cartagena, 15 de novembro de 2012

 

Gustavo Cardigni,
Presidente da Sociedade Argentina de Pediatria

Luis Zabaletta,
Presidente da Sociedade Boliviana de Pediatria

Eduardo da Silva Vaz,
Presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria

Francisco Moraga,
Presidente da Sociedade Chilena de Pediatria

Walter Pérez,
Presidente da Sociedade Uruguaia de Pediatria

José María Moreno,
Presidente da Sociedade Paraguaia de Pediatria