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Crítica à política de saúde no Congresso Brasileiro de Pediatria

Arquivo 10/10/2013

Da esquerda para a direita, drs. Dennis Burns, presidente da Comissão Científica do Congresso; Maurício Marcondes Ribas, representante do CFM; Margarida Carvalho; Darci Bonetto; Michele Caputo Neto; Gilberto Pascolat; Eduardo Vaz; Flávio Arns; Adriano Massuda, Secretário de Saúde de Curitiba; Diether Garbers; Florentino Cardoso; Ercio Amaro Filho, diretor de Cursos e Eventos da SBP e Fernando Nóbrega, presidente da Academia Brasileira de Pediatria

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Dr. Eduardo Vaz

Emoção, homenagem aos pioneiros e crítica à atual política de saúde do Governo Federal marcaram a abertura do 36º Congresso Brasileiro de Pediatria, na quarta-feira, dia 09. O presidente da Sociedade Paranaense de Pediatria, Gilberto Pascolat, deu as boas-vindas aos mais de cinco mil participantes. A presidente do evento, Darci Bonetto, salientou que a grande adesão dos pediatras demonstra a necessidade de “sempre acrescentarmos conhecimento” para o melhor atendimento das crianças e adolescentes e a valorização da profissão. Condenando duramente a Medida Provisória 621, dra. Darci observou que os que decidem “não trabalham na ponta, com exíguas condições, sem as ferramentas e subsídios mínimos para o exercício digno da medicina, não sentem a angústia de ver uma criança morrer por falta de medicamentos, de transporte, de condições para uma cirurgia”. Prosseguindo, disse que “o que faltam são ‘mágicos oftalmologistas’, que façam os dirigentes do alto escalão enxergarem o que é preciso para uma assistência eficaz”. No entanto, frisou, “continuaremos olhando o futuro e não perderemos a capacidade de sonhar”. Muito aplaudida, enfatizou: “Temos certeza que é grande a contribuição da pediatria para as futuras gerações”.

O presidente da SBP, Eduardo da Silva Vaz , lembrou a força da entidade e sua atuação permanente, citando exemplos como o treinamento, em quase 20 anos, de mais de 60 mil profissionais pelo Programa de Reanimação Neonatal; a conquista da consulta de puericultura, já aprovada pela diretoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS); a vitória da residência de pediatria em três anos, obtida na Comissão Nacional de Residência Médica este ano, com projeto pedagógico elaborado pela SBP, que começará a ser oferecido por 10 serviços já em 2014; além da articulação internacional entre as entidades pediátricas e de publicações como a terceira edição do Tratado de Pediatria, lançado no Congresso.

Indignado, dr. Eduardo assinalou que a medicina de crianças e adolescentes foi “excluída da atenção básica há mais de dez anos, quando definida a Estratégia Saúde da Família sem a participação do pediatra”. Sobre a situação atual, enfatizou a importância do Projeto de Lei de Iniciativa Popular apresentado pelo Movimento Saúde+ 10, lançado na sede da AMB. “São 2,2 milhões de assinaturas de brasileiros, que querem obrigar a União a investir o equivalente a 10% de suas receitas brutas na saúde pública, aumentando os recursos do setor em mais de R$46 bilhões já em 2014. Infelizmente, o Governo Federal trabalha para votar proposta do Senado que, na prática, viabilizaria apenas R$3 bilhões ”, disse. “Ao mesmo tempo, somente no ano passado, os mesmos dirigentes deixaram de aplicar cerca de R$17 bilhões que já estavam no orçamento da Saúde ”, criticou. “Querem agora resolver todos os problemas trazendo profissionais do exterior, em condições precárias de trabalho e sem o Revalida! É grave e para pior a interferência na qualidade da medicina do País ”, desabafou, convidando os presentes à participação política: “Criança não vota, pediatra sim. Defenda os direitos dos nossos pacientes!”.

Dra. Darci Bonetto
Trabalho conjunto

Anunciando que faria uma mensagem de otimismo, Florentino Cardoso, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), também se referiu ao “difícil momento vivido pela medicina brasileira” – construída “com a dedicação e o carinho dos profissionais aos seus pacientes”. Salientou que a “suposta falta de médicos é cortina de fumaça para não enfrentar o subfinanciamento da saúde, a má gestão e a corrupção”. Mas, de acordo com o dirigente, isso pode mudar. “As entidades médicas estão firmes e fortes, altivas”, garantiu, conclamando também à promoção da mudança, com o convencimento da população.

Reconhecimento 

A parceria com a pediatria foi reforçada pelo secretário estadual de Saúde, Michele Caputo Neto, bem como pelo vice-governador do Paraná, Flávio Arns, que lembrou também o trabalho de sua tia Zilda, pediatra e presidente da Pastoral da Criança, para reforçar a importância de bem atender a criança. “Os pediatras são sempre lembrados com carinho e respeito pelas famílias, que não dispensam sua presença, seu olhar, seu cuidado”, frisou.

À Laura Beatriz Almeida, sobrinha do mestre César Pernetta – professor de várias gerações de pediatras, ex-presidente da SBP e patrono da cadeira nº 11 da Academia Brasileira de Pediatria – foram entregues uma placa pela dra. Darci e flores pela adolescente Pietra Guimarães. O dr. Diether Garbers, que presidiu a Sociedade Paranaense de Pediatria por 28 anos, recebeu também uma placa de agradecimento e um presente das mãos da menina Gabriela Almeida.

Reumatologia

Dra. Margarida Carvalho

Dra. Margarida de Fátima Carvalho, presidente do 9º Congresso Brasileiro de Reumatologia Pediátrica , ressaltou que a “jovem especialidade ainda completará 30 anos em 2014”. Nesse tempo, os profissionais puderam assistir a avanços científicos que “felizmente têm contribuído muito para a redução de danos por doenças graves que acometem crianças e adolescentes ”. Assinalou que o programa científico do evento, com professores do Brasil e da Itália, foi construído a partir de sugestões de colegas de todo o país e que toda a dedicação e trabalho foram compensados por palestras de ótimo nível . Agradeceu o ambiente de amizade que durante a preparação e o evento estava proporcionando uma rica troca de experiências.

Dr. Diether Garbers recebe homenagem