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Entrevista com Vanessa Lóes e Thiago Lacerda

Arquivo 01/09/2007

A Semana Mundial da Amamentação (SMAM) tem esse ano no Brasil uma madrinha e também um padrinho. Vanessa Lóes e Thiago Lacerda posaram com Gael – com apenas 17 dias na foto de André Wanderley. A amamentação na primeira hora de vida é o tema de 2007, conforme definido pela WABA, a Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno. A seguir, a entrevista.

SBP AmamentAÇÃO: Você já tinha informações sobre amamentação?
Vanessa Lóes: Eu e Thiago nos preparamos muito para o nascimento do Gael. Fizemos curso, assistimos palestras sobre diferentes temas ligados à gravidez, ao parto e aos cuidados com o bebê. Foi ótimo, começamos a nos familiarizar com o assunto desde cedo. Quando o Gael nasceu já estava bem mais segura. Vi que não tem mistério na amamentação, que não é um “bicho-de-sete-cabeças”. Posso fazer. Fiquei tranqüila, o leite fluiu super bem, jorra! Mas existe um certo “fantasma” em torno da amamentação…

Como assim?
Vanessa Lóes: Muitas das minhas amigas que tiveram filho antes de mim pararam de amamentar cedo. Tem aquela história de que o bebê não engordou o que precisava, o mito de que o leite é fraco… E qualquer coisinha faz com que a mulher páre de amamentar, tenha que entrar com complemento. E entrou com complemento é um passo para largar o peito. Mas eu sempre quis muito amamentar.

Por que?
Vanessa Lóes: Acho tão importante!… Todos os nutrientes, todos os anticorpos que o neném precisa já estão ali no leite, que é feito especialmente para o meu filho, produzido para ele… Nenhum outro vai atender tão bem a ele. Além disso, o momento da amamentação é muito especial.

Como é para você?
Vanessa Lóes: Ah…Não tem nada que pague ele estar aqui mamando, olhando para o meu rosto, tentando descobrir – quem sabe? – quem é a minha mãe, sentindo o cheiro, aquela mãozinha fazendo carinho… A gente fica olhando pra ele, namorando …é um momento mágico, muito especial.

E o parto, como foi?
Vanessa Lóes: Normal e muito rápido. No dia 25 de junho comecei a entrar em trabalho de parto quase às três horas da manhã. Ele nasceu às 7h29m. Fazer a respiração que aprendi no curso me acalmou, as posições da yoga amenizavam a dor. Gael nasceu chorando, berrando. Ninguém precisou dar tapinha. E ao contrário, fizemos questão de ter um parto “humanizado”, com poucas luzes – só mesmo a de trabalho do médico –, ar condicionado desligado, música clássica que gravamos especialmente para esse momento. Ele veio ao mundo nesse ambiente e foi maravilhoso! Nasceu super bem, parto normal, com peso ótimo. Tinha tudo para ser muito grande. Eu não sou pequena e o Thiago é enorme. Mas o bichinho chegou com 3, 650 Kgs, 51cms e agora está crescendo muito, já está bem gordinho.

Mamou na sala de parto?
Vanessa Lóes: Mamou.
Thiago Lacerda: Ainda com o cordão umbilical, o Gael foi colocado no peito de Vanessa, para que tivesse aquele contato pele a pele. Isso foi um pedido nosso. Tínhamos uma vontade muito grande de que ele tivesse uma recepção “humanizada” – termo que se usa e que vem lá do Le Boyer. O principal é exatamente o acesso direto da criança ao seio da mãe. Nasce e imediatamente é colocada em contato físico com a mãe, pele com pele. Presenciar esse momento é indescritível! É o elo perfeito…estão ali o cordão umbilical ainda não cortado, o bebê e a mãe. É o fechamento de um ciclo, uma imagem de símbolo. Fiquei em estado de admiração. Foi muito especial ter participado desse processo todo. Eu e Vanessa estudamos muito desde o momento da concepção. Procuramos nos informar bastante sobre a gestação, o parto, e o pós-parto. E nesses nove meses fomos percebendo que tem alguns detalhes que são fundamentais.

Como quais, por exemplo?
Thiago Lacerda: Eu nunca tinha imaginado que tinha uma pega certa, por exemplo. O jeitinho que ele abocanha o mamilo, a aréola, aquela coisa toda da boquinha bem abertinha para poder estimular melhor a produção de leite e por conseqüência se alimentar melhor. Tudo isso é importantíssimo. A gestante e seu parceiro precisam procurar informação sobre como maximizar essa experiência, como vivenciá-la da melhor maneira possível. Isso tem um reflexo no nascimento e depois também.
Vanessa Lóes: Gael veio para o meu peito sem pano, sem nada. Enxugaram depois. Gael botou a boquinha no peito e já se familiarizou. Ficou um pouquinho “chupetando” e já foi um primeiro contato importante, ali na sala de parto. Em seguida, fomos para o quarto e assim que Gael chegou já veio mamar. Não ficou em berçário em momento nenhum. A gente quis que ficasse conosco. Quem vestiu a primeira roupinha foi o Thiago. E só fomos dar banho no dia seguinte, ele passou as primeiras 24hs, com todas aquelas coisinhas que vêm na pele dele e são absorvidas, é bom. Tivemos todo um cuidado de fazer realmente um parto humanizado. E ele abriu a boca e mamou sem mistério nenhum. Pegou direitinho a aréola toda.

Nada como uma madrinha que sabe que existe uma pega correta… 
Vanessa Lóes: Aprendi e isso me ajudou muito. Às vezes ele vem com a boquinha pequenininha, pra pegar errado, e eu não deixo, tiro. Faço abrir bem a boca. Toco com o dedo na bochechinha e ele abre a boca e vira na direção do dedo, aí coloco a aréola toda. Assim amamentar é fácil. Tem uma técnica, um jeito certo, apesar de ser uma coisa natural.
Meu leite desceu no segundo dia, ainda na maternidade. Nos primeiros dez dias, sentia o útero contraindo na hora que estava amamentando. Era aquela cólica forte, dá para sentir a contração, é impressionante.
Thiago Lacerda: A gente sabe que toda mulher é capaz de amamentar o seu filho. Os problemas quando ocorrem são por muitas causas, mas uma delas é o estresse, a ansiedade que acaba inibindo. Mas a amamentação é uma coisa natural e tem que ser respeitada.

Vanessa, como é a participação do Thiago no dia-a-dia?
Vanessa Lóes: Fundamental. Na madrugada, por exemplo, quando estou bem cansada, exausta, e levanto para amamentar, o Thiago pega logo depois, põe pra arrotar, troca a fralda… Fico ali dando de mamar uma meia hora, se ainda fosse fazer tudo depois, quando fosse dormir já estaria na hora de acordar de novo….. Eu só não chamo quando ele tem que gravar no outro dia muito cedo. Fico com pena. Às vezes o Thiago abre o olho e diz “me chama quando estiver na hora”. Eu concordo, mas ele já acorda de manhã. E reclama porque não chamei. A ajuda é importantíssima, para que eu também possa descansar, mas principalmente para que fique tranqüila. Só a presença dele do meu lado já me dá segurança. Sei que estamos juntos naquilo ali.

Por que vocês concordaram em participar da campanha?
Thiago Lacerda: Porque acreditamos que é fundamental informar as pessoas sobre tudo isso. É um compromisso social que temos. Sabemos que um contato mais estreito entre pais e filhos é fundamental para o desenvolvimento de um ser humano e por conseqüência de uma sociedade.

Você sempre teve esse compromisso social. Já tinha manifestado em 2000, quando fez a campanha para a prevenção da violência doméstica com a Sociedade Brasileira de Pediatria…
Thiago Lacerda: É, já estamos juntos há muito tempo. Tenho o maior orgulho de ser parceiro da Sociedade Brasileira de Pediatria. Fizemos uma campanha que fico muito feliz de ter feito e quero fazer novamente, renovar nosso material, ampliar o alcance. Acho que podemos levar a mensagem ainda para mais pessoas. Aqueles cartazes eram ótimos, o vídeo também. E precisamos mesmo construir uma sociedade melhor, com seres humanos melhores.