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“Não sou só a madrinha que aparece na foto”

Arquivo 03/06/2009

01/06/2009 13:34 | Atualizado em: 03/06/2009

A humorista Maria Paula, do Casseta & Planeta, atua como voluntária em uma campanha voltada para a educação infantil que visa a expandir a rede de creches e pré-escolas gratuitas e em período integral para a população carente

Por Lia Lehr

Em 2004, a humorista Maria Paula foi madrinha da campanha nacional de amamentação promovida pela Sociedade Brasileira de Pediatria. “Na época, dei uma entrevista dizendo que me sentia frustrada em ir à televisão preconizar seis meses de amamentação exclusiva sabendo que as mães tinham que voltar a trabalhar após quatro meses, e o Dioclécio Campos Júnior (presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, SBP) viu. A partir dali, ele teve a ideia de lançar um projeto que aumentasse a licença-maternidade para seis meses e a senadora Patrícia Saboya abraçou a causa”, lembra Maria Paula, que na época foi convidada para participar do projeto junto com eles e ajudou a divulgar a campanha fazendo palestras e pedindo apoio da população por todo o país. No ano passado, o projeto virou lei federal e, hoje, as funcionárias públicas já têm seis meses de licença garantidos. O mesmo começa a acontecer na iniciativa privada. “É um trio superpoderoso que se formou”, brinca a apresentadora do Casseta & Planeta. A parceria entre eles deu tão certo que, no início do mês, lançaram uma nova campanha chamada Educação Infantil É Cidadania. “Trata-se do projeto de lei cujo objetivo é expandir a rede de creches e pré-escolas gratuitas e em tempo integral para a população de baixa renda com recursos do FGTS e do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) e que está tramitando no Senado”, disse Dioclécio Campos Júnior, da SBP.

A abertura do evento ocorreu no dia 5 de maio, na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Botafogo, Rio de Janeiro. Maria Paula discursou ao lado de 60 crianças de creches da Comunidade de Santa Marta e do coral de crianças da SBP.

ENGAJADA

“É um projeto bem abrangente e fundamental para aquelas mães que vivem em favelas. Elas não têm babás com quem deixar seus filhos quando vão trabalhar. Elas são babás, elas são domésticas. Li outro dia que os bebês da classe alta têm duas mães e os bebês da classe pobre não têm nenhuma, porque a mãe da classe baixa passa o dia inteiro cuidando dos bebês de outras mulheres. Não dá para saber disso e não fazer nada”, falou Maria Paula, que garante participar ativamente da causa. “Pego avião, vou fazer lobby com as pessoas no interior do Brasil, vou convencer as pessoas da nossa causa e também estou por trás das câmeras pensando em soluções e criando junto com eles a campanha. Não sou só a madrinha que aparece na foto. Eu considero isso o ponto alto da minha carreira. Tenho o maior orgulho de onde consegui chegar, mas esse trabalho social está num andar acima, porque não é para mim, é para o outro, é para a sociedade.” Uma das ideias de Maria Paula é implantar educação musical nessas creches e pré-escolas.

“Se a gente conseguir alfabetizar as nossas crianças de 4, 5 anos em partituras, no mesmo momento em que elas estão sendo alfabetizadas, a gente vai ter um salto. O mesmo processo cognitivo que acontece com a letra ocorre com a nota. Quando você dá esse estímulo a uma criança, a cabeça dela se abre para outras coisas e, quando ela for aprender matemática, física, vai ser bem mais fácil”, argumenta a atriz, que é mãe de Maria Luiza, de 4 anos, e Felipe, de 10 meses. Ela afirma que após o nascimento dos filhos sua preocupação com o próximo aumentou: “Sou formada em psicologia e sou mãe. Me interessa muito essa questão de como estão sendo criadas as nossas crianças”, completa.

Para saber mais sobre o projeto de lei capitaneado por Maria Paula acessewww.sbp.com.br