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Pediatria do Hospital da Piedade, no Rio de Janeiro, pede socorro

Arquivo 21/02/2011

21/02/11 – O presidente e o Núcleo VigilaSUS da SBP se reuniram hoje com os colegas do serviço de pediatria do Hospital Municipal da Piedade, no Rio de Janeiro: “A situação aqui é grave. Faltam pediatras para o atendimento dos 18 leitos. Já apresentamos os problemas para o Secretário de Saúde do município, mas a resposta que tivemos foi que não há solução prevista”. A informação é da chefe do setor, dra. Dulce Maria de Carvalho Lucas, que há dois anos vem alertando a direção do hospital sobre o colapso anunciado. “Precisamos da contratação imediata de mais sete profissionais, para a reposição daqueles que se aposentaram ou saíram da instituição, insatisfeitos com a baixa remuneração”, diz. Representando também a Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (Soperj), dr. Eduardo Vaz estava acompanhado dos drs. Sidnei Ferreira e Gil Simões Batista. “Lamentavelmente, o descaso não ocorre apenas aqui”, comenta, salientando que, no entanto, a saúde pública no Rio de Janeiro tem sérios problemas.

Com tradição de mais de 30 anos, o serviço de Pediatria do Hospital Piedade atende pacientes pediátricos em geral, de zero a 19 anos incompletos, faz puericultura, acompanhamento, assistência em alergia, pneumologia e reumatologia pediátricas, incluindo casos de asma grave e febre reumática. Tem também um pólo para anemia falcifome e é o único hospital municipal com leitos específicos para adolescentes, tendo sido responsável, desde 2006, quando teve início esta enfermaria, por quase 500 internações. São 18 leitos, mas a solução apontada atualmente pela direção do Hospital é aceitar apenas 10. “Não é o que queremos. O Rio de Janeiro está carente de vagas para internações pediátricas. Além do mais, a dengue está aí, com a epidemia batendo na nossa porta”, ressalta a dra. Dulce, informando que na semana passada foram cinco casos de hemorrágica e hoje são dois os pacientes com a doença. “Fizemos uma contraproposta: ampliaremos os leitos para 21, desde que sejam feitas as contratações necessárias”, diz, especificando que é preciso mais cinco pediatras para os plantões, um para a rotina e um para o ambulatório.

Os estudantes também lamentam a situação. Reconhecido recentemente pelos Ministérios da Educação e da Saúde como “Hospital de Ensino do município”, o Piedade tem história na área, recebendo residentes, internos e graduandos. “Já fui monitor e interno. Passei também por outras instituições e aqui foi onde mais aprendi”, diz Leonardo Campos, do 11º período de Medicina da Gama Filho, acrescentando que foi a partir de um caso do Piedade que escreveu um artigo (“Sarcoidose ocular em adolescente”), publicado em 2010 na revista norte-americana Clinica Mayo. “É muito grande a tradição do Piedade”, reforça o dr. Gil Simões, coordenador da Residência do Hospital dos Servidores, chamando a atenção para o compromisso dos profissionais, grande parte deles formados na própria instituição. “O Estado do Rio de Janeiro tem mais de seis mil pediatras. O problema não é a falta de profissionais, mas de respeito às famílias por parte das autoridades”, resume o dr. Sidnei Ferreira. De seu lado, o Piedade conta com o apoio dos pacientes: “até os adolescentes, muitos com doenças crônicas, têm se manifestado a favor do hospital”, informa a dra. Maria do Socorro Costa da Silva, coordenadora da Liga de Pediatria, em fase de implantação, outra iniciativa importante do Hospital. O que todos esperam agora é uma mudança de atitude por parte da Prefeitura.

Diretores da SBP visitam o serviço