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Pediatria e valorização

Arquivo 24/08/2010

O número de residentes de pediatria tem aumentado no Brasil. Os 1526 alunos de R2 em 2009 representam 58% mais que em 2006, quando somavam 881. Os dados são da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) e foram apresentados pelo dr. Dennis Burns, coordenador do Núclelo VigilaSUS da SBP, durante o 67º Curso Nestlé de Atualização em Pediatria, em agosto, Belo Horizonte. Em auditório que reuniu mais de 3.500 colegas, participaram também da mesa-redonda coordenada pelo dr. Eduardo Vaz, os diretores Silo Holanda e José Paulo Ferreira. Em pauta, a valorização da profissão. “Ao contrário do que dizem muitos gestores de saúde, não faltam pediatras no País. Mas o Brasil carece sim de uma política pública de recursos humanos na área”, enfatizou o presidente.

Uma das quatro únicas áreas da medicina existentes há algumas décadas, juntamente com a clínica geral, a cirurgia e a obstetrícia, a pediatria atraiu grande número de jovens por muito tempo. A diversificação das opções profissionais que se seguiu é vista “com muita naturalidade” pelo dr. Eduardo, que lembra também a expressiva queda da fecundidade registrada no Brasil, para assinalar a importância de um equilíbrio saudável, que permita uma “assistência de qualidade às famílias, indissociável de boas condições de trabalho”. O crescimento dos inscritos para a prova do Título de Especialista em Pediatria (TEP) – 15% em 2010 a mais que 2009 – e o  interesse em torno das Ligas acadêmicas “nos dão mostras de vitalidade da profissão”, ressaltou.

Referindo-se à “significativa redução na ocupação das vagas oferecidas nas residências médicas em pediatria ocorrida nas décadas de 1990 e 2000”, dr. Dennis mostrou que o  fenômeno atingiu seu cume em 2005 e que é notável que, de lá para cá, período também no qual a discussão sobre a doutrina pediátrica vem se ampliando e as ações da SBP na defesa profissional “tomaram vulto”, houve um incremento gradativo na procura pela especialidade, “com tal intensidade que, em quatro anos recuperaram-se os níveis anteriores de ocupação das vagas oferecidas em pediatria”.

Ressaltando a importância do movimento nacional da pediatria, dr. Dennis lembrou também que “a insatisfação generalizada com valores dos honorários pagos pela Saúde Suplementar assumiu características de fortes negociações, tendo Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e Ministério Público como avalistas e culminando em acordos com operadoras, após longo enfrentamento no Distrito Federal e em vários estados”. O  diálogo com as empresas operadoras de saúde “continua muito difícil, mas é possível comemorar vitórias”, disse. “Temos avanços nos valores da remuneração de 130%, conquistas pontuais em todas as regiões, mas é preciso ampliar, atingir o país como um todo. É importante que os pediatras não aceitem honorários vis”, salientou.

Entre as conquistas, destaca-se, na avaliação dos debatedores, o atendimento ambulatorial de puericultura, hoje na Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). Para o dr. José Paulo Vasconcelos, presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), é importante também que se tenha claro que “é sim possível hoje viver apenas de consultório”. Para isto, afirma, é preciso atenção do médico também para os vários aspectos relacionados à “gestão”. Empolgado com a “altíssima receptividade” do debate realizado em Belo Horizonte, informou que mais de 350 perguntas foram enviadas à mesa.  Este foi, “sem dúvida, um grande fórum sobre Defesa Profissional”, reforçou o coordenador da área, dr. Milton Macedo. “Os colegas estão sensibilizados com a questão”, disse. Mas “certamente ainda há muito que fazer” , frisou, sugerindo que todos “procurem as filiadas” para pensar soluções em cada local e que “não deixem de acompanhar as notícias da SBP e de se informar sobre seus direitos”.