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SBP conquista dois anos em sete áreas de atuação

Arquivo 27/01/2012

 A Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), do MEC com participação do Ministério da Saúde e diversas entidades médicas, aprovou em plenária, por unanimidade, a proposta da SBP por dois anos de residência médica nas áreas de atuação de Alergia e Imunologia, Cardiologia, Endocrinologia, Pneumologia, Gastroenterologia, Reumatologia e Nutrologia, no final de janeiro, em Brasília. “Esta aprovação da CNRM é um grande avanço. Mostra a luta da SBP por uma pediatria de excelência, para que as crianças sejam atendidas nos padrões internacionais”, comemora dr. Eduardo Vaz.

Em novembro de 2011, a SBP entregou à CNRM proposta que foi analisada e defendida pelos representantes da SBP na plenária, dr. Dennis Burns, diretor dos Departamentos Científicos da SBP e dra. Maria Marluce Vilela, responsável pela Qualificação e Certificação Profissional. “A grande importância é a certeza de termos profissionais mais preparados. À medida que a pediatria aumenta seu alcance a criança tem um cuidado mais aprimorado. As áreas completam a atenção global. A pediatria continua integrada, prestando a atenção à criança de forma unificada”, explica dr. Dennis.

De acordo com dra. Marluce, esta é uma vitória grande da pediatria brasileira. “Meus residentes já estão muito felizes. Principalmente porque isso dará uma credibilidade para a formação do pediatra. É o fortalecimento da definição do que é um pediatra com área de atuação. Resultado de uma construção de pelo menos 12 anos. Todas estas áreas estão bem consolidadas nos serviços e se percebeu que em um ano é impossível ter profissionais de competência resolutiva. Já reduzimos muito as doenças com cuidados primários, monitoramento no desenvolvimento, amamentação, reidratação oral etc. Entretanto, as doenças crônicas, que não são infecciosas, vêm aumentando gradualmente no Brasil. Doenças que estavam nos bastidores vieram para o palco. Precisamos nos preparar para cuidar destas crianças e as áreas de atuação respondem esta demanda. Agora todos os serviços vão ter de se adaptar para oferecer os dois anos” comemora e frisa que os integrantes dos Departamentos Científicos participaram de forma ativa do processo que resultou na ampliação do tempo.
Para a avaliação da proposta da SBP, a CNRM designou um grupo de membros, entre eles, participaram dra. Ana Cristina Zollner, também da Diretoria executiva da Sociedade de Pediatria de São Paulo e dr. Ramiro Anthero de Azevedo.

“Era uma luta que a SBP e todos os pediatras tinham. Desejo e vontade de que estas áreas de atuação tivessem seu tempo ampliado. Na prática, isso já ocorria. No segundo ano os residentes continuavam o processo de especialização, comumente, mas não tinham este reconhecimento. Obtivemos apoio de todas as entidades e dos dois ministérios. Foi um trabalho árduo, importante, principalmente nos dois últimos meses que foram mais palpitantes. Acreditamos que, seguramente, já em 2013 teremos editais abertos”, avalia.

Sublinhando o nível da discussão em plenária e a defesa justificada da proposta realizada pelo grupo da SBP, dr. Ramiro aponta que “como já era obvio que todos os pediatras se dedicavam por dois anos, era importante esta legitimação. Foi sem dúvida uma vitória da pediatria. E sabemos que existem outras a conquistar ainda. A CNRM está aberta para receber propostas, discutir amplamente e aprovar ou desaprovar. Mas da maneira como foi apresentada esta proposta, um exemplo de embasamento e maturidade de discussão de todos os presentes, não há dúvida”.

De acordo com dr. Eduardo, o próximo passo é a aprovação dos três anos de residência médica em pediatria. “O Brasil é o único país do mundo que tem apenas dois anos. Todos os países do Cone Sul têm três anos. Argentina desde 2011 tem quatro anos. Atualmente há discussão na Academia Americana de Pediatria para quatro anos. Percebe-se a importância desta fase no desenvolvimento do ser humano. Precisamos estar consonantes com esta constatação. Não podemos abrir mão de que as crianças sejam atendidas da melhor forma possível. Estamos ligados à Global Pediatric Education Consortium, junto a 20 associações do mundo inteiro, trabalhando para a construção de um currículo mínimo que garanta à população pediátrica a atenção que ela merece. Só assim conseguiremos frear as doenças crônicas não transmissíveis do adulto que nos assola atualmente”, conclui.