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SBP entrega Currículo Pediátrico Global ao ministro da Educação

Arquivo 13/08/2014
Drs. Dioclécio Campos Jr., Hazen Ham, Eduardo Vaz e o ministro Henrique Paim Foto: Bruno Peres.
Drs. Dioclécio Campos Jr., Hazen Ham, Eduardo Vaz e o ministro Henrique Paim Foto: Bruno Peres.

Ministro Paim recebe livro do dr. Eduardo Vaz. Hazen Ham, do GPEC (de terno claro) e Dioclécio Campos Jr. participaram da audiência

Os drs. Eduardo Vaz, Dioclécio Campos Jr. e Hazen Ham, secretário executivo do Global Pediatric Education Consortium (GPEC), entregaram, na última segunda-feira, em Brasília, ao ministro José Henrique Paim, do MEC, o Currículo Pediátrico Global. “Fomos recebidos com entusiasmo. No que depender do Ministro, o processo de aprimoramento da qualificação do residente seguirá adiante”, informou o presidente da SBP. Na reunião, dr. Hazen salientou a importância do Brasil, país pioneiro na implantação do projeto internacional. “O mundo todo está acompanhando com expectativa”, disse o norte-americano. Traduzido para o português por dr. Dioclécio Campos Jr., que representa a SBP no GPEC, o livro com novo currículo está agora em fase de última revisão.

I Encontro Regional sobre Residência em Pediatria – Implantação do novo currículo/Região Nordeste

Luciana Cordeiro, supervisora do Programa de Residência Média em Pediatria do IMIP
Luciana Cordeiro, supervisora do Programa de Residência Média em Pediatria do IMIP (foto: Bernardo Dantas)

No sábado, dia 09, a SBP reuniu cerca de 40 profissionais dos serviços no Nordeste, no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), em Recife (PE), para ampla discussão do novo conteúdo. Dr. Hazen visitou o serviço e fez palestra, seguida de apresentação do dr. Dioclécio e de mesas-redondas, nas quais foram debatidas “características e desafios dos Programas de Residência em Pediatria na Região Nordeste”.

Estavam também presentes os drs. Vera Koch (USP) e Gil Simões Batista (Hospital dos Servidores/RJ) que, juntamente com representantes do Hospital Pequeno Príncipe (PR), Universidade de Brasília (DF) e do próprio IMIP – dirigem programas que já têm residência de três anos, compatíveis com o do GPEC. Os cinco também se reuniram para discutir a prova do TEP Categoria Residente, que será aplicada após o final do primeiro ano do novo curso, bem como nos demais. Subordinado à Comissão do TEP (CEXTEP) e supervisionado pelo dr. Helcio Villaça Simões, o grupo é coordenado pelo dr. Eduardo Jorge da Fonseca Lima, da diretoria de Ensino e Pesquisa da SBP e do IMIP.  Importante ressaltar que, para os demais interessados, o TEP continuará a ser oferecido normalmente.

Novos encontros serão realizados pela SBP em todas as regiões. A ideia é que os outros cinco serviços que já contam com aprovação da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) iniciem o programa ainda em 2014 e que “até 2017 a pediatria brasileira esteja toda unificada nesse sentido”, frisa o dr. Dioclécio.

Paraguai e Argentina

Dando sequência às visitas do dr. Hazen, juntamente com os drs. Eduardo Vaz e Dioclécio Campos Jr. , na terça, dia 12, os três estiveram em Hospital de Pediatria de Assunção, no Paraguai. Em seguida, se reuniram com representante do Ministério da Saúde e dos serviços de pediatria. “Lá estão também implantando o novo currículo mundial”, disse o dr. Eduardo Vaz.  A quarta, dia 13, e a quinta, dia 14, foram reservadas para três serviços de Buenos Aires, Argentina, que também adotaram o currículo do GPEC. “Chile e Uruguai estão tentando superar suas dificuldades para também entrarem no processo. O presidente da Sociedade da Bolívia já nos solicitou o material. Estamos avançando no Cone Sul, onde temos trabalhado diretamente”, diz o representante da SBP no GPEC.

Reunião com a Andi

Outra reunião importante foi a ocorrida na segunda-feira, dia 11, no escritório da SBP, em Brasília, com  Antonio Augusto Silva, diretor executivo, e Miriam Pragita, diretora administativa, ambos da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI). Na pauta, a qualificação dos cuidadores da infância e parceria da SBP com o GPEC.

O novo currículo

curriculo pediátrico global

Mas, muito além dessas competências, que advêm dos conhecimentos científicos, o novo currículo estabelece habilidades de desempenho, atitudes, entre as quais a ética, valores que devem ser componentes fundamentais da formação do profissional pediátrico. “Não basta ser uma reserva de conhecimentos, é preciso saber usá-los para prestar os cuidados adequados às crianças. Por exemplo, é necessário ser capaz de colher uma história clínica adequadamente, identificar os conceitos, os valores epidemiológicos de determinadas hipóteses, examinar o paciente e manejar o tratamento e eventual encaminhamento de maneira acertada”, explica o dr. Dioclécio.Na nova formação em pediatria,  mais abrangente e atualizada, a saúde mental passa a ser conteúdo explícito e obrigatório, a adolescência tem sua carga horária muito ampliada, as doenças crônicas são incluídas também obrigatoriamente. Treinamentos como em neonatologia também ganham mais tempo. Estão presentes questões como a violência, os cuidados paliativos, a medicina do esporte. A puericultura é aprofundada, com ênfase na influência do meio ambiente no crescimento e no desenvolvimento com vistas à saúde do adulto. A formulação abrange a atenção primária, secundária e terciária à saúde da criança e do adolescente, enfatizando questões preventivas e educativas.

Sobre a relação médico-paciente, é fundamental ao pediatra, entre outras habilidades, saber lidar com o estresse bilateral. “Mesmo que o profissional esteja tenso em um plantão, precisa ter consciência disso, para lidar com quem está abalado pelo quadro de uma criança, de um filho doente que chegou ao pronto-socorro. Deve deixar seus próprios problemas “na caixa”, para lidar com eles depois. É um pressuposto, para que possa conduzir seu desempenho adequadamente”, salienta.

Importante também, que no treinamento proposto pelo GPEC, “está mais presente o componente qualidade de vida, porque é dele, muito mais que de elementos quantitativos, que depende a mudança, a melhora na saúde da infância e adolescência que necessitamos. Esse o entendimento compartilhado internacionalmente”, ressalta o dr. Eduardo Vaz. Além do mais, a proposta inova muito na metodologia, pois trata-se de um currículo que aponta, objetivamente, como fazer, porque, onde chegar, em cada item. Isso permite que se avalie muito claramente o desempenho da educação.

O GPEC é uma aliança integrada por quase 50 entidades de vários países, como China, Japão, Alemanha, as Academias Americana, Europeia, a Associação Internacional de Pediatria, dentre outras organizações como a SBP.

 

No I Encontro Regional sobre Residência em Pediatria, em Recife, da esq. para a dir, os drs. Hazen Ham, Eduardo Jorge da Fonseca Lima, Eduardo da Silva Vaz e Dioclécio Campos Jr. Foto: Bernanrdo Dantas.
No I Encontro Regional sobre Residência em Pediatria, em Recife, da esq. para a dir, os drs. Hazen Ham, Eduardo Jorge da Fonseca Lima, Eduardo da Silva Vaz e Dioclécio Campos Jr. Foto: Bernanrdo Dantas.

 

Gilliatt Hanois Falbo Neto, superintendente geral do IMIP, mostra o Hospital aos convidados (foro: Bernardo Dantas)
Gilliatt Hanois Falbo Neto, superintendente geral do IMIP, mostra o Hospital aos convidados
(foro: Bernardo Dantas)

 

Preceptores, coordenadores de residências, discutiram o novo currículo básico
Preceptores, coordenadores de residências, discutiram o novo currículo básico

 

Equipe do Albert Sabin (Fortaleza/ CE) (foto: Bernardo Dantas)
Equipe do Albert Sabin (Fortaleza/ CE) (foto: Bernardo Dantas)

 

Reunião com Andi: “Vamos fazer uma parceria”, adianta o dr. Eduardo Vaz. (foto: Bruno Peres)
Reunião com Andi: “Vamos fazer uma parceria”, adianta o dr. Eduardo Vaz. (foto: Bruno Peres)