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Sem glúten, mas com alternativas

Arquivo 07/11/2008

07.11.2008 a 14.11.2008

A doença celíaca ainda é obscura para a maioria dos brasileiros. Um protocolo elaborado pelo Ministério da Saúde e a atuação das associações de pessoas intolerantes ao glúten podem mudar esse quadro

Flavio Machado

VIDA REGRADA

Quem tem doença celíaca não pode comer produtos feitos com cereais como trigo, aveia, centeio, cevada e malte. Um dos grandes problemas para os doentes são os poucos produtos sem glúten e seu alto preço.

Os pães, as massas e aquela cervejinha gelada que fazem parte da vida de milhões de brasileiros são alguns dos itens riscados do cardápio de quem tem doença celíaca. O nome ainda é pouco conhecido, mas ela atinge um em cada 214 moradores da cidade de São Paulo. São pessoas com uma grave intolerância ao glúten, proteína presente em cereais como trigo, aveia, centeio, cevada e malte. Da pizza ao uísque, esses cereais são usados em milhares de produtos. Hoje, tudo o que contêm glúten deve estampar uma advertência no rótulo. Mas dar essa informação, apenas, é pouco. Há tempos médicos e pacientes lutam para conseguir mais que isso. Uma das reinvindicações é que o governo dê incentivos para a produção de alimentos similares aos que levam glúten – mas que sejam isentos dessa proteína. Produtos assim existem no mercado, mas custam mais caro que as versões tradicionais.

A sugestão do incentivo fiscal foi incluída pela Associação dos Celíacos do Brasil (Acelbra) num documento pelo Ministério da Saúde. O órgão encerrou recentemente o período de consulta pública para a elaboração de um protocolo sobre a doença celíaca. Por dois meses, o documento que servirá de diretriz para a formação de políticas públicas voltadas aos portadores recebeu observações e sugestões de especialistas no assunto. “Faz quase 20 anos que brigo por essa discussão. Agora que o documento está pronto, quero ver quantos anos vai demorar para funcionar”, diz Vera Lúcia Sdepanian, presidente do departamento de gastroenterologia da Sociedade Brasileira de Pediatria e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A doença celíaca é difícil de ser diagnosticada. Os principais sintomas são diarréia, fadiga, perda de peso sem motivo aparente e, no caso das crianças, dificuldades no desenvolvimento. Por serem iguais aos de outras doenças, os sintomas não permitem um diagnóstico conclusivo. A única forma de ter a confirmação é por meio de uma biópsia do intestino delgado. Além do incentivo fiscal para a produção de alimentos sem glúten, a Acelbra sugere a inclusão na tabela do SUS dos exames específicos para detecção da doença – que prejudica o funcionamento do intestino, dificultando a absorção de nutrientes, vitaminas, sais minerais e água. Em casos extremos, a doença celíaca pode levar a morte. Não existe medicação e o tratamento ainda é feito como há 50 anos: excluindo o glúten da dieta. “Muitas pessoas são portadoras da doença, convivem com os sintomas desagradáveis, correm risco de vida e não sabem”, diz Vera Lúcia.