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Três anos para a residência em pediatria é meta de valorização profissional

Arquivo 22/09/2010
Representação da SBP no Fórum, em Brasília

 A pediatria mudou e os conhecimentos necessários ao bom profissional de hoje não cabem em apenas dois anos de residência. Por isto, a SBP defende que sejam três.  Esta é a proposta que a entidade levou ao Fórum de Revisão dos Conteúdos dos Programas de Residência Médica, realizado na sede da Associação Médica de Brasília, no início do mês, e que apresentará no 13º Congresso Brasileiro de Ensino e 7º Congresso Brasileiro de Pesquisa em Saúde da Criança e do Adolescente, que começa amanhã, dia 23 e vai até sábado, 25 de setembro, em Porto Alegre.

Dra. Vera Bezerra apresentou proposta da SBP

 

“O Brasil está atrasado nesta matéria”, frisa a dra. Vera Bezerra,  da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora de Estágios e Pediatria da Sociedade, lembrando que o País será o último do Cone Sul a implementar a conquista, que também é realidade na Europa e na América do Norte. “Isto sem falar em Moçambique e Cabo Verde. No Canadá, o programa de residência médica em pediatria foi ampliado para quatro anos, levando em conta a necessidade de preparar o profissional sob a ótica dos novos conhecimentos de genômica”, informa.“Queremos um pediatra com a formação adequada aos tempos atuais e isto inclui uma boa base sobre saúde mental, nutrologia, adolescência, doenças crônicas, acidentes e violência, biologia molecular, influência do meio ambiente no crescimento e no desenvolvimento, um profissional completo, resolutivo”, assinala o dr. Eduardo Vaz, acrescentando que “casos específicos” devem ser encaminhados para os colegas das áreas de atuação. “Estarmos preparados para os desafios da medicina de crianças e adolescentes de hoje é imprescindível para a valorização profissional e para a qualidade do atendimento dos nossos pacientes”, salienta o presidente da Sociedade.

 

Drs. Eduardo, Maria Marluce Vilela e Dioclécio no debate da Associação Médica

 

Doutrina e atualização – O motivo da mudança é, na verdade, bem simples. “A sociedade se reorganizou, há novos conceitos sobre a família e até mesmo uma nova inserção da criança dentro da modernidade. A pediatria precisa ser revista”, ressalta Sandra Grisi, professora da Universidade de São Paulo (USP) e diretora de Ensino e Pesquisa da SBP. Reforçando o argumento, dr. Dioclécio Campos Jr., também diretor da Sociedade e professor da UnB, assinala que “a ampliação do tempo de residência é decisiva para que se possa proceder às mudanças necessárias para a adequação da doutrina pediátrica ao perfil dos novos tempos e, portanto, é essencial ao fortalecimento da especialidade. As mães já deram sua palavra, na pesquisa realizada pela SBP e pelo Instituto Datafolha: a grande maioria quer os filhos atendidos pelo pediatra e não apenas quando estão doentes, mas sadios. Cabe a nós adequar a formação a esta exigência”, diz.

Professor Fernando Nóbrega defende os 3 anos

 

O Fórum foi organizado pela AMB, Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), CFM e Fenan  e discutiu sugestões para as várias áreas da medicina. Dra. Vera Bezerra está trabalhando no texto final com a proposta da SBP, que incluirá alguns ajustes sugeridos. A deliberação cabe à CNRM, que tem sua plenária prevista para outubro.No Fórum sobre a Residência, um depoimento chamou especialmente a atenção de todos. Foi feito por um ortopedista, que presenciou o debate enquanto aguardava o momento de discutir sobre sua especialidade, e comentou: “Não sou pediatra, por isso sou insuspeito. Quero dizer que apoio totalmente a proposta de ampliação do tempo de residência. Estou certo que ninguém aqui teria dúvida em escolher para sua família o pediatra com formação mais extensa. Sou avô e sei da importância de um pediatra bem preparado”.

Veja, a seguir, mais alguns depoimentos:

“Não queremos apenas aumentar o tempo de residência, mas tornar mais sólida a formação do pediatra. A Ginecologia e Obstetrícia já fez a ampliação”. 
Dr. Eduardo Jorge da Fonseca Lima, diretor de Pós-Graduação da SBP e coordenador- geral de Residências do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), em Recife,  Pernambuco.

“A pediatria precisa do aumento no tempo da residência. A criança deve ser vista como um todo, numa visão integral, com os conhecimentos bem sedimentados. Aqui os residentes querem fazer os três anos e já temos duas vagas para isto”.
Dra. Conceição Jucá, coordenadora da pediatria do Hospital Albert Sabin, em Fortaleza,Ceará, preceptora e supervisora do Programa de Residência Médica, diretora de cursos e eventos da Sociedade Cearense de Pediatria (Socepe)

“Os conhecimento em medicina e em pediatria se ampliaram. Atualmente, dois anos são insuficientes para formar um pediatra em condições adequadas. Vamos ensinar melhor, sedimentar, fazer com que o profissional se torne mais apto”.
Renato Procianoy, Hospital de Clínicas de Porto Alegre e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS).

“Os três anos já são realidade em outros países e ficaríamos em condições iguais. Oferecer melhor formação significa proporcionar aos residentes mais oportunidades”. 
Joel Lamounier, vice-presidente da SBP, Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais ( UFMG), em Belo Horizonte, professor emérito.