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Uma catástrofe previsível

Arquivo 24/01/2012

No primeiro trimestre do ano, o Sudeste brasileiro é tomado por chuvas torrenciais, que ora caem espraiadas e ora se concentram em poucos dias com efeitos catastróficos, mormente naquelas áreas de habitações mais rudimentares das encostas. Isto é do conhecimento de todos, menos do poder público que ainda não se deu conta dessa situação.

Desde Hipócrates os médicos aprenderam que a melhor forma de tratar da saúde é a prevenção. Isto também é de domínio geral e evidentemente dos três poderes públicos. Só que estes estão mais preocupados com obras de reparos, de maior visibilidade, do que com medidas para evitar as catástrofes. Vejam o absurdo: um estudo da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) registra que, de 2006 a 2011, o governo federal liberou R$ 745 milhões para projetos de prevenção em áreas de risco contra R$ 6,3 bilhões para socorrer vítimas de desastres naturais, ou seja, oito vezes mais para o socorro imediato do que para a prevenção de futuras catástrofes.

No ano passado, a Região Serrana do Rio de Janeiro teve 916 mortes e 345 desaparecidos (eufemismo para os que permanecem soterrados) e 35 mil desalojados. Nessa área apenas 10% da reconstrução prometida foi realizada até hoje. Um exemplo: das 70 pontes que seriam construídas apenas uma saiu do papel.

Esta é a soma total do descaso, da falta de planejamento e da incompetência.

A isso tudo temos que agregar algo absolutamente inaceitável: o roubo, que tem início com os prefeitos (os de Teresópolis e Friburgo foram cassados) e continua com o sumiço de alimentos e roupas das doações que são enviados para essas localidades de todo Brasil.

Solidária com as sofridas populações dessas regiões, a Academia Brasileira de Pediatria (ABP) lança seu veemente protesto pela maneira como a população vem sendo tratada pelos poderes municipal, estadual e federal, considerando que a porção mais diretamente sacrificada é a de crianças do escalão econômico mais baixo.


  Fernando José de Nóbrega
     Presidente da ABP     

Júlio Dickstein
Secretário da ABP