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Vale-vida para as crianças

Arquivo 16/10/2012

Raquel Pitchon | Opinião

Vice-presidente da Sociedade Mineira de Pediatria (SMP)

Minas Gerais, com 853 municípios, é o segundo estado mais populoso do país, ficando atrás apenas de São Paulo. São 19,6 milhões de habitantes, representando 10,3% da população do país. Desse total, 5,8 milhões são crianças e adolescentes entre 1 e 18 anos. Somente as crianças de um a 12 anos são 3,7 milhões. Neste momento, a SOCIEDADE MINEIRA DE PEDIATRIA (SMP) não poderia deixar de homenagear essas mais de 5 milhões de pessoas em formação e que serão o retrato futuro do Brasil. Por isso, a SMP acredita que o Dia da Criança é mais um momento de luta e mobilização de todos os segmentos privados e públicos envolvidos com a saúde da criança e do adolescente.

Muito se fez pela infância no Brasil, mas ainda falta percorrer um longo caminho. Os direitos da criança e do adolescente vão além da garantia da saúde, educação e segurança. As bandeiras dos movimentos associativos em pediatria estão sintonizadas com todas as necessidades de crianças e adolescentes brasileiros, que necessitam ter seus direitos defendidos, para que se tornem adultos saudáveis, honrados e dignos. Dessa forma, a SMP torna públicos os 10 passos mais importantes para que as crianças e adolescentes de Minas e do país adquiram o seu direito à vida:

1) garantia à saúde materno-infantil o cuidado da criança começa pelo acesso da mãe, durante a gestação, aos cuidados pré-natais, promovendo sua saúde, nutrição, afastamento das drogas, tabagismo e bebidas alcoólicas;
2) atendimento do bebê no momento do parto, pelo especialista em pediatria, garantindo a transição segura da passagem intraútero ao meio externo nas melhores condições sanitárias e hospitalares;
3) oferta do melhor alimento para o bebê leite materno exclusivo até os seis meses de vida e defesa dos seis meses de licença-maternidade;
4) introdução de alimentos sólidos a partir dos seis meses, evitando uso do sal, açúcar, industrializados, guloseimas e refrigerantes durante a fase da infância;
5) proteção e estímulo para todas as crianças até seis anos de vida, fase decisiva para o crescimento e desenvolvimento saudáveis nessa etapa o cérebro cresce quase integralmente e sua estrutura se diferencia em funções complexas, que permitem a formação da inteligência, da capacidade de aprendizagem, do perfil da personalidade e do comportamento individual. Portanto, é essencial a expansão rápida da rede de creches e pré-escolas gratuitas de qualidade e em tempo integral, beneficiando a população de baixa renda;
6) combate à violência física e sexual e aos maus-tratos graves problemas de saúde pública no Brasil, constituindo hoje a principal causa de morte de crianças e adolescentes a partir dos cinco anos de idade;
7) acompanhamento pelo especialista em pediatria da criança e do adolescente, com regularidade, visando à sua abordagem integral com cuidados em relação ao crescimento, desenvolvimento, imunizações, saúde física, mental e emocional, além de contribuir para a harmonia familiar, sendo muitas vezes referência de apoio e confiança (a formação pediátrica possibilita, felizmente numa proporção significativa, a prática profissional cuidadosa e solidária, permeando a abordagem técnica com atitudes que trazem conforto e segurança às famílias);
8) colaboração com entidades que promovam atividades de lazer, cultura, brincadeiras, diversão e socialização que visem ao bem-estar da criança e do adolescente;
9) fortalecimento das práticas de inclusão social e escolar de todas as crianças e adolescentes independentemente da cor, religião ou qualquer outra condição que estimule o preconceito;
10) acesso universal da criança e do adolescente à escola, garantido sua permanência mínima no ensino fundamental e médio, considerando que a educação é a mola propulsora do futuro individual e de grupo.

Os desafios são inúmeros porque no século 21 não bastam para a criança e adolescente a redução da mortalidade e aumento da sua longevidade. É essencial proporcionar-lhes o vale-vida, com qualidade e garantia do seu bem-estar. E isso só será possível por meio de uma sociedade organizada e unida, que busque cobrar das autoridades que cuidem do seu bem maior: a criança e o adolescente, futuro de um estado, de uma nação.