Acessórios que auxiliam no aleitamento materno

Departamento Científico de Aleitamento Materno 

  • Não, de forma alguma. A imensa maioria das mulheres pode amamentar seu filho sem a necessidade de dispositivos especiais. Existem muitos produtos no mercado, mas devemos evitar o uso abusivo e desnecessário. A seguir, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), por meio de orientações do seu Departamento Científicos de Aleitamento Materno, apresenta os principais acessórios usados nesse processo, destacando cuidados na sua adoção, as vantagens e os riscos de cada um.

  • A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), por meio de orientações do seu Departamento Científico de Aleitamento Materno, apresenta os principais acessórios usados nesse processo, destacando cuidados na sua adoção, as vantagens e os riscos de cada um: Conchas, bicos de silicone, suplementador e protetores.

  • As conchas são dispositivos plásticos (em forma de disco, com um orifício redondo no centro) que são colocados sobre os mamilos, abaixo do sutiã, ajudando o mamilo a se projetar para a frente (protrusão do mamilo). Não são indicados para mulheres que não tenham problemas no mamilo. Seu uso pré-natal também não traz vantagens para a gestante. Se a futura mamãe quiser usar as conchas com o objetivo de everter mamilos planos ou invertidos, deve iniciar com uma hora por dia e aumentar gradativamente uma ou duas horas por dia. No pós-parto, podem ser utilizadas por 30 minutos antes da mamada; ou durante todo o dia, entre as mamadas. Mas deve-se lembrar que o estímulo dos mamilos antes da mamada, seja com a sucção com bomba manual ou seringa plástica com o êmbolo invertido, traz efeito semelhante.

  • É preciso salientar que a pressão das conchas pode traumatizar o mamilo. Para evitar compressão exagerada da aréola ou dos ductos, a concha não deve ser utilizada durante o sono. O tamanho da concha precisa ser bem avaliado em relação ao do mamilo e ao do sutiã utilizado. Quando ocorrer fissura no mamilo, as conchas com orifícios de ventilação podem ser úteis. Elas permitem a circulação de ar e não deixam o tecido mamário grudar na roupa. Porém, é preciso primeiramente corrigir a técnica do aleitamento. Não é recomendado o uso de conchas para coleta de leite humano, pelo alto risco de contaminação bacteriana. Entretanto, o leite gotejado da outra mama durante uma mamada ou ordenha pode ser aproveitado, desde que a concha tenha sido lavada com água quente e sabão, e bem enxaguada.

  • Chamados de “bicos de silicone”, os protetores são artefatos de silicone, finos e macios que podem ser colocados sobre a área do mamilo e da aréola imediatamente antes da mamada. De maneira especial, eles facilitam a pega. Não há comprovação de que os protetores flexíveis sejam seguros para a manutenção da lactação, nem que garantam a produção de volumes adequados de leite humano para proporcionar o ganho de peso que o bebê precisa. Por isso, seu uso deve ser limitado e os pacientes acompanhados rigorosamente até que o protetor não seja mais usado. 

  • Sim, há dicas importantes. Em casos de mamilo plano, para ajudá-lo a vir para a frente, a primeira coisa a fazer é massagear ou aplicar compressas frias nos mamilos imediatamente antes das mamadas. Em mamilos invertidos, deve-se tentar moldá-los com os dedos ou utilizar bomba de sucção para ajudar na sua eversão. O produto pode ser experimentado quando houver mamilos “difíceis“ ou os prematuros apresentarem sucção fraca ou dificuldade em manter a pega da aréola, após tentativa de estimulação dos mamilos previamente à mamada e se todas as tentativas de suporte para uma pega adequada se mostrarem infrutíferas. Destaque-se que o uso é temporário, por curtos períodos, na esperança de preservar a amamentação, enquanto o recém-nascido aprende a sugar. Uma dica: antes de assentar o bico de silicone na mama, é preciso umedecer a parte interna das bordas e invertê-las, assim como parte do bico do protetor. Isso vai ajudar a puxar o mamilo para dentro do artefato ao momento da colocação na mama. No caso de “confusão de bicos”, o protetor flexível pode ser utilizado junto com a técnica da relactação, se houver baixa produção de leite; e também na lactação adotiva.

  • O suplementador é um dispositivo que permite dar uma nutrição suplementar ao bebê. Ele é composto de um recipiente (copo ou seringa) para armazenar leite materno (ou a fórmula infantil à base de leite de vaca) e um tubo fino (sonda), que deve ser fixado no seio da mãe. O suplementador evita o uso de bicos artificiais.  O equipamento é utilizado para a relactação, uma técnica que provoca a produção de leite depois de uma interrupção temporária da lactação. Pode ser uma excelente opção para mães com dificuldade na amamentação. A sucção ao seio estimula as mamas a aumentar a produção láctea. Seu uso pode ser temporário, porém em alguns casos como adoção, mamoplastia redutora, insuficiência glandular verdadeira ou por problemas genéticos e neurológicos do lactente, o suplementador poderá ser utilizado por todo o período de amamentação. Toda a mãe que usa o suplementador com seu bebê deve ter um acompanhamento constante, até a suspensão do uso do suplementador que deve ser programado e gradativo.

  • A lanolina é uma cera natural, proveniente da lã de ovelha. Por ser um ingrediente natural, pode conter pesticidas e outros contaminantes, além de ser uma substância alergênica. O processamento industrial consiste no refinamento do produto para remover todos os componentes alergênicos e trazer para o nível mais baixo possível todas as impurezas do ambiente, incluindo resíduos de defensivos agrícolas. Assim, ela é dita anidra, quando pura, sem adição de água, e neste caso, considerada hipoalergênica. Ela não deve ser usada como prevenção da dor e do trauma mamilar. A melhor maneira de evitar trauma mamilar é através do posicionamento e pega correta na amamentação. Somente em casos de lesões extensas, ou que não melhoram com ajustes no processo de amamentar, a lanolina pode ser recomendada. Não se deve esquecer que em função dos seus elementos de defesa, da sua disponibilidade e custo zero, o próprio leite materno pode ser utilizado para tratamento do trauma mamilar.

  • Os curativos na forma de disco a base de gel contêm glicerina, água e poliacrilamida. A utilização destes curativos aumenta a chance de infecção tanto pelo contato frequente da lesão com a mucosa oral do lactente, quanto pela flora da pele da mãe, e ainda pela presença do próprio leite materno que serve como meio de cultura. Como o efeito bactericida da glicerina não é instantâneo, e também pode haver contaminação pela mão da mãe, seu uso não deve ser recomendado.

  • Os protetores para absorver o excesso de leite materno podem ser descartáveis ou reutilizáveis. Como o vazamento de leite em público incomoda muitas mães, a utilização eventual de protetores absorventes, desde que confortáveis e macios, pode ser uma solução prática. No entanto, para não deixar os mamilos sempre úmidos, os protetores revestidos com plástico impermeável devem ser trocados frequentemente. Se o protetor tiver aderido à pele, é preciso molhar antes de retirá-lo para não ferir a pele do seio. Se a mãe estiver com candidíase mamilar, os absorventes reutilizáveis precisam ser fervidos diariamente. Não se deve colocar papel higiênico nem lenços de papel para absorver o excesso de leite, porque a superfície da pele ficará muito molhada. Lembre-se de que amamentar sempre que o bebê pedir e até a compressão mamária – com os braços cruzados sobre as mamas, por exemplo –, em geral são suficientes para inibir o vazamento indesejado.

  • O sutiã é importante no período de gestação e lactação, em função do aumento de volume dos seios. A mãe deve providenciar sutiãs de modelo e tamanho adequados para acomodar corretamente as mamas. Mas atenção: no Brasil não se recomenda o uso de sutiã com um orifício central para preparo dos mamilos, durante o pré-natal. Já no período da amamentação, um bom sutiã deve permitir o acesso fácil do bebê ao peito. Precisa ser confortável, abranger toda a mama, sem que o tecido mamário fique comprimido abaixo da borda. Um sutiã bem ajustado não deve subir nas costas, nem deixar marcas das alças nos ombros. Para dormir, não deve ser escolhido um sutiã com aro de metal. A abertura frontal é conveniente e pode ser especialmente útil quando se necessita amamentar em público, evitando qualquer compressão da mama. Caso a mãe tenha candidíase mamária, deve trocar a roupa, inclusive a íntima, com frequência. Já no caso de mastite, recomenda-se abolir o uso de sutiã, particularmente durante o sono. A escolha deve recair sobre roupas mais largas e, quando necessário, escolher um sutiã mais frouxo. 

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