Intoxicações exógenas

Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente Adolescência

  • Trata-se do aparecimento de sinais e sintomas devido ao contato com substâncias químicas que prejudicam o organismo das pessoas, podendo provocar danos graves e até a morte.

  • De modo geral, qualquer substância, se utilizada na quantidade incorreta, de forma inadequada ou mesmo se estiver fora da data de validade pode causar intoxicação. Em crianças, geralmente ocorre de forma acidental e no ambiente doméstico. As crianças de 1 a 4 anos de idade são as mais afetadas. O motivo disso é o grande tempo que passam em casa, onde ficam expostas a um grande número de produtos tóxicos disponíveis e armazenados de forma incorreta; as embalagens inseguras desses produtos; e a pouca informação que pais e responsáveis têm sobre as formas de prevenção de acidente.

  • Em casa, vários produtos podem causar intoxicação nas crianças. Entre eles: medicamentos, produtos de limpeza, inseticidas, tintas, graxas, xampus, cremes e cosméticos diversos, bebidas alcoólicas, dentre outros. Há, ainda, o risco de intoxicações dentro de casa e no jardim, por conta de contato com plantas tóxicas e animais peçonhentos, como cobras, aranhas, escorpiões, lacraias e abelhas.

  • A intoxicação causa sinais e sintomas de fácil identificação em crianças e adolescentes. Fique atento, pois ao perceber seu aparecimento, deve-se procurar imediatamente ajuda em uma emergência. Entre eles, estão:
    1) Vômito;
    2) Salivação excessiva;
    3) Sonolência, desorientação;
    4) Dificuldade de respirar;
    5) Desmaio;
    6) Convulsão;
    7) Lesão, queimadura ou vermelhidão na pele, boca e lábios;
    8) Cheiro característico de algum produto na pele, roupa, piso ou objetos ao redor;
    9) Alteração súbita do comportamento ou do estado de consciência.

  • A prevenção é fundamental para evitar casos de intoxicação com criança e adolescentes. Para tanto, há um conjunto de medidas simples que podem ser adotadas no cotidiano. Seguir essas orientações reduz o risco do surgimento de problemas desse tipo, conforme detalhado na lista abaixo:

    1) Manter medicamentos em locais fechados e fora do alcance das crianças (evite guardá-los em “mesinhas de cabeceira” ou gavetas de armários abaixo de 1,5 metro);
    2) Não usar medicamentos vencidos ou sem orientação médica, ler com atenção as instruções da receita e da bula e, ao medicar uma criança, não dizer que é bala ou outra guloseima;
    3) Dar preferência a embalagens de medicamentos que tenham tampas de segurança, pois embora não garantam que a criança não abrirá a embalagem, dificultam bastante, a tempo de que alguém intervenha;
    4) Não oferecer embalagens ou frascos contendo medicamentos para uma criança brincar. Afinal, remédio não é brinquedo!
    5) Guardar/armazenar produtos de limpeza em armários fechados e longe do alcance das crianças;
    6) Nunca colocar remédios ou substâncias tóxicas em garrafas de refrigerante ou em embalagens de outros produtos. Deixe-os sempre em suas embalagens originais e, de preferência, longe do local onde são guardados alimentos;
    7) Não comprar produtos de limpeza de origem clandestina (em embalagens PET ou reaproveitadas);
    8) Não utilizar venenos para ratos (raticidas) na forma de iscas, pó ou granulado em locais onde crianças e animais de estimação possam alcançá-los e comê-los. Lembre-se: o raticida ilegal mais conhecido é o “chumbinho, sendo um produto muito tóxico, que pode causar até a morte;
    9) Procurar ter conhecimento da toxicidade das plantas e do local onde se encontram (proximidades de sua residência, escola, local de trabalho, de lazer, etc.), evitando levar mudas tóxicas ou desconhecidas para sua casa, local de lazer ou trabalho ou onde se encontram crianças por longos períodos;
    10) Plantas ornamentais como flores, sementes ou frutos atraentes, com espinhos ou grandes quantidades de exsudato (látex) não devem ser colocadas em locais onde há circulação de crianças;
    11) Para evitar picadas de animais peçonhentos (cobras, escorpiões, aranhas, etc.) é importante não andar descalço em locais onde esses animais possam estar presentes (usar botas); não colocar as mãos em buracos, montes de telhas, tijolos ou folhagens; e não deixar acumular vegetação ou entulhos nos jardins e quintais. 
     

  • As crianças também precisam se alertadas quanto aos riscos da intoxicação. Uma dica interessante: o Polo de Jogos e Saúde (do Multimeios/Icict/Fiocruz) e o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox/Fiocruz) criaram um jogo digital para crianças, chamado “Quem deixou isso aqui?”. Nele, a personagem central deve ser mantida longe de coisas que podem intoxicá-la. Você pode acessar o jogo para brincar com seu filho no endereço:

    https://sinitox.icict.fiocruz.br/jogo.

  • Se a criança estiver desmaiada, com convulsão ou sem respirar, ligue imediatamente para o 192. Também pode-se recorrer aos Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Ciats), que são unidades que orientam a população sobre os procedimentos a serem seguidos nos casos de intoxicação. Existem Ciats em todas as regiões brasileiras. Eles atendem pelo número 0800 722 6001. Informe-se também sobre os contatos do Centro de Informação / Assistência Toxicológica de sua região. De qualquer modo, é relevante ficar atento às seguintes recomendações:
    1) Tente identificar o produto que causou o acidente e a quantidade ingerida;
    2) Não ofereça leite, água ou outros líquidos;
    3) Não provoque vômitos sem orientação, especialmente se a criança tiver ingerido soda cáustica, querosene, ácidos, alvejantes, desinfetantes, removedores, gasolina;
    4) Em caso de contato com pele ou olhos, lave o local com água em abundância;
    5) Retire roupas impregnadas com o produto;
    6) Leve a criança ao serviço médico mais próximo e junto a embalagem, o rótulo ou a bula do produto suspeito.

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