Segurança dos brinquedos

Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente 

  • Os brinquedos servem para divertir, além de apoiar e reforçar o desenvolvimento e facilitar o relacionamento das crianças com seus pais. Contudo, nunca devem ser utilizados em substituição a atenção e carinho. Não existe nenhuma evidência científica que demonstre que qualquer brinquedo é necessário ou suficiente para promover desenvolvimento e aprendizado ideais. Informações de que determinado produto promove a aquisição de habilidades pode gerar expectativas inadequadas e gastos desnecessários. É importante ter isso em mente, pois existem no mercado milhões de brinquedos que atraem e encantam as crianças, adolescentes e seus pais, sendo que centenas chegam às lojas a cada ano, atrelados a uma propaganda maciça e exaustiva, o que pode gerar muitas vezes ansiedade (nos filhos para “ter”) e culpa (nos pais, em não poder comprar).

  • Sim. Numa busca atenta, podemos encontrar em brinquedos inúmeros perigos e armadilhas geradores de riscos emocionais ou sociais. São exemplos disso as armas de brinquedo e as representações gráficas de violência (apresentadas de forma interativa). Ambas podem provocar e estimular atos de violência e também promover preconceitos, sejam culturais, étnicos, raciais, sexuais e de gênero. Assim, cotidianamente, somos testemunhas de como os brinquedos podem ser perigosos, levando muitas crianças a serem atendidas nos serviços de emergência, muitas vezes em situações graves. Muitas vezes se tratam de casos que poderiam ter sido evitadas se algumas medidas simples de prevenção tivessem sido adotadas.

  • Além de problemas emocionais e de comportamento, alguns tipos de brinquedo também podem causar lesões físicas, com gravidade variável. A seguir, enumeramos as mais comuns:

    1.      perfurações, cortes, lacerações, contusões;

    2.      asfixia, sufocação, aspiração ou ingestão do todo ou parte do brinquedo;

    3.      afogamentos;

    4.      intoxicações (por chumbo contido na tinta);

    5.      acidentes de captação (dedos, roupas e cabelos) causados por molas, dobradiças ou rodas denteadas;

    6.      queimaduras;

    7.      choques elétricos;

    8.      explosões (por produtos químicos);

    9.      secundárias a projéteis.

    Deve ser lembrado ainda que também há inúmeros atendimentos de urgência e emergência causados por componentes utilizados na fabricação de brinquedos, como ímãs e metais pesados.

  • A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), por meio de seu Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente, sugere que pais e responsáveis no momento de efetuar a compra de um brinquedo fiquem atentos aos seguintes aspectos:

    1)      Escolha: os pais devem levar em consideração a idade, habilidades, capacidades e interesse das crianças. Devem também seguir as recomendações de segurança do fabricante, verificar se o brinquedo possui certificação de qualidade e assegurar-se de que todas as instruções sobre o uso estão claras, bem como se estão presentes informações sobre a presença de elementos inflamáveis ou tóxicos na sua fabricação e sobre como devem ser higienizados.

    2)      Supervisão: o ambiente para brincar deve ser seguro. Os pais devem manter supervisão atenta das crianças, remover e descartar embalagens e envoltórios dos brinquedos e ensiná-las a usar os brinquedos de forma apropriada e segura.

    3)      Manutenção: os brinquedos devem ser verificados periodicamente. Se estiverem quebrados devem ser reparados imediatamente ou retirados de uso. Se tiverem partes que se destacam ou móveis devem estar presas com segurança e a higienização deve ser adequada e frequente.

    4)      Armazenamento: as crianças devem ser orientadas desde cedo a guardar seus brinquedos após brincar, para evitar tropeções e quedas. As caixas de brinquedo mais seguras devem ter tampa removível (sem trava de segurança, as qual pode prender a mão, dedos ou cabeça da criança), aberturas para ventilação e estar longe de janelas ou escadas (para não servirem para escalar e cair). Brinquedos destinados a crianças maiores devem ser guardados em prateleiras altas ou em armários fechados.

  • Sim, com certeza. Esse deve ser um dos aspectos no momento de fazer a escolha. Por exemplo, no caso dos lactentes e pré-escolares o brinquedo deve ter pelo menos 4 cm de diâmetro e 6 cm de comprimento, o que impede que seja engolido ou aspirado. Para não cometer erros, preste atenção à seguinte dica: se o brinquedo couber dentro da parte interna do rolo de papel higiênico será muito pequeno e perigoso para a criança pequena. 

  • Sim. Apontamos a seguir outros pontos relevantes que não podem ser ignorados:

    1)      O brinquedo deve ser leve e confeccionado com material inquebrável e resistente o suficiente para não ser mastigado;

    2)      Se for um produto estofado ou recheado deve ser lavável;

    3)      Não pode produzir ruídos altos; nem ter arestas afiadas ou peças pequenas (que possam ser arrancadas); e nem tiras, cordas, correntes ou fios maiores de 15 cm e componentes que possam apertar ou comprimir os dedos.

    4)      Brinquedos que contenham baterias ou pilhas devem ser evitados;

    5)      Brinquedos nos quais a criança pode montar (cavalos, cadeiras de balanço etc.) são apropriados para as que já conseguem sentar sem apoio. Nesses casos devem ter faixas ou cintos de segurança para prendê-la.

    6) Balões podem causar asfixia e morte e devem estar longe das crianças, que não podem enchê-los sozinhas e os adultos têm que supervisionar seu uso em menores de 10 anos.

  • Quando a criança que for receber o brinquedo já tiver ultrapassado as fazes da lactância e da pré-escola, os cuidados permanecem, mas como outros focos. Por exemplo, brinquedos elétricos devem ser certificados e atender os padrões de segurança. Bicicletas, skates e patins sempre devem sempre ser usados com capacete, joelheira, cotoveleira e luvas. Redes de segurança de brinquedos devem estar bem presas às bordas para que não representem risco de estrangulamento. Dardos ou setas devem ter pontas rombas ou ventosas e as crianças devem ser orientadas a não os apontar na direção de ninguém. Enfim, é importante que os pais se assegurem de que seu filho sabe usar o brinquedo que ganhou. Para isso, a melhor forma é por meio de uma supervisão atenta.

  • Sim. Os fabricantes devem seguir fluxos e guias de orientação e rotular os novos brinquedos como adequados para determinada faixa etária. No Brasil, o processo de avaliação da conformidade de brinquedos, por meio da Portaria Inmetro nº 177, tornou compulsória a certificação de brinquedos fabricados e /ou comercializados. A certificação está baseada no regulamento técnico do Mercosul (que representa o consenso da sociedade e é equivalente às normas e regulamentos adotados em todo o mundo). A intenção é garantir que o produto atenda a requisitos mínimos de segurança, situação a ser demonstrada por ensaios em laboratórios acreditados e conduzida por um certificador reconhecido pelo Inmetro. Contudo, ressalte-se que o produto ter sua conformidade avaliada não exime o fornecedor da responsabilidade por sua qualidade. 

  • A fiscalização dos brinquedos no mercado é conduzida pelos Ipems (órgãos estaduais de pesos e medidas), delegados pelo Inmetro. Os produtos irregulares serão interditados ou apreendidos cautelarmente, além de sujeitar os infratores às sanções previstas em lei.

  • O mais importante é a criança ser supervisionada por seus pais, afinal educação, supervisão e proteção andam de mãos dadas! Os pais devem também estar atualizados com tudo que se relaciona à segurança física e emocional de seus filhos.

Nossos Endereços

SBP-Sede • R. Santa Clara, 292 - Rio de Janeiro (RJ) - CEP: 22041-012 • 21 2548-1999 

FSBP • Alameda Jaú, 1742 – sala 51 - São Paulo (SP) - CEP: 01420-002 • 11 3068-8595 / 8618 / 8901 / 8675 • Fax: 3081-6892 

SBP-RS • R. Carlos Gomes, 328/305 - Porto Alegre (RS) - CEP: 90480-000 • 51 3328-9270 / 9520 

Memorial • Rua Cosme Velho, 381 - Cosme Velho (RJ) - CEP: 22241-125 • 21 2245-3110