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Crianças com infecções respiratórias de rotina não são beneficiadas com uso de antibióticos. Revisão para a Cochrane é de brasileiros.

– A prescrição, de acordo com os estudos conduzidos em diferentes regiões do mundo, tem objetivo de evitar as complicações supurativas desses quadros, o que, no entanto, não ocorre. O trabalho fornece agora um subsídio importante para a definição do tratamento a ser proposto às crianças – salienta a dra. Márcia.

Na revisão, foram analisados dados de quatro ensaios anteriormente realizados, de maneira randomizada e controlada, ou seja, com o chamado “padrão ouro” da pesquisa. Envolvendo 1.314 crianças menores de cinco anos com infecções respiratórias agudas, três dos estudos investigaram a utilização de antibióticos para evitar infecções do ouvido e o outro se concentrou no uso das drogas para impedir a pneumonia. Em nenhum deles foram encontradas evidências de que a utilização de antibióticos para crianças com infecções respiratórias não diferenciadas tenha impedido a ocorrência de complicações supurativas. É importante também que, além de não prevenirem a pneumonia e a otite, o uso inadequado de antibióticos contribui para o desenvolvimento de bactérias resistentes aos antibióticos usuais.

Embasamento científico

As revisões da Cochrane lidam com trabalhos feitos nos diversos continentes, populações, línguas, épocas, desde que tenham descrito certos itens e seguido padrões previamente estabelecidos de qualidade metodológica. Os resultados são combinados e sintetizados em medidas únicas, utilizando-se para isso métodos estatísticos que permitem a avaliação ponderada das pesquisas já existentes. São estudos, portanto, que traduzem o que já foi produzido cientificamente no mundo sobre o tema, obtendo sempre grande impacto.

– A Colaboração Cochrane tem também um especial interesse em difundir o conhecimento para a população leiga. É comum observar que alguns pais têm a sensação de que somente ao receber antibióticos seus filhos estão sendo efetivamente tratados. Esperamos que nossos resultados também sejam úteis às famílias que, quanto mais esclarecidas, mais são aliadas essenciais à melhor assistência às crianças – frisa a dra. Marilene que, juntamente com a dra. Márcia, integra a diretoria executiva da SBP. Dr. Antonio Ledo faz parte do Conselho Editorial Executivo do Jornal de Pediatria (JPED), a revista acadêmica da Sociedade.

Clique abaixo e conheça a revisão na íntegra!
Os antibióticos para prevenir complicações supurativas das infecções respiratórias agudas indiferenciadas em crianças menores de cinco anos de idade. 
Alves Galvão MG, Rocha Crispino Santos MA, Alves da Cunha AJ.
Cochrane Database Syst Rev. 2014 18 fevereiro; 2: CD007880. doi:
10.1002/14651858.CD007880.pub2.
PMID: 24535959

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