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Debate sobre residência pediátrica de três anos marca o 15º Congresso Brasileiro de Ensino

Paralela à programação do 38º Congresso de Brasileiro de Pediatria, aconteceu também o 15º Congresso Brasileiro de Ensino, com uma programação de dois dias envolvendo painéis, conferências e mesas redondas. O evento teve o objetivo de discutir as dificuldades e as inovações das áreas de Ensino e Pesquisa, compartilhando dados de trabalhos recentes e métodos para a elaboração de projetos científicos. Dentre os temas abordados, estava a ampliação do tempo de duração dos programas de residência médica em pediatria, que passou a ser de três anos.

A miniconferência “Residência de Pediatria” contou com a participação da dra Ana Cristina Ribeiro Zollner, coordenadora adjunta do curso de Medicina da Universidade de Santo Amaro (UNISA) e professora de Ética e Bioética, que falou sobre a situação atual dos programas e as perspectivas futuras. Em sua abordagem, ela detalhou a formação da Residência Pediátrica, com os assuntos e vivências que os residentes terão em cada ano e as sugestões de práticas sugeridas pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Dra Ana Cristina, que também integra a diretoria da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), traçou um panorama sobre como está a adesão ao modelo de três anos. “Hoje temos 272 programas de Residência Médica em Pediatria no Brasil. Neles, 1663 médicos estão matriculados no primeiro ano; 1606, no segundo ano; e 179 já cursando o terceiro ano. Destes programas, 22 estão inscritos no Sistema de Comissão Nacional, porém, apenas 20 são com a residência de três anos. De acordo com a Normativa do Ministério da Educação, até 2019 todos os programas devem aderir à logística e conteúdo pedagógico dos três anos”, explicou.

Também participou da miniconferência dr Eduardo Jorge da Fonseca Lima, doutor em saúde materno infantil, professor da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS) e presidente da Sociedade de Pediatria de Pernambuco. Na sua palestra “Implantação do Novo programa de Residência em Pediatria: Avaliação dos Programas de três anos”, dr Eduardo promoveu reflexões, citando pontos que precisam ser melhorados e ajustados e soluções para a implementação do programa de três anos até 2019. “Há uma mudança no cenário de prática do profissional. É um novo tempo. Novas competências precisam ser trabalhadas”, defendeu.

Após essa miniconferência, foi realizada a mesa redonda “Residência de Pediatria em três anos”, da qual participaram os seguintes profissionais: Maria da Conceição Alves Jucá, mestre em Saúde da Criança e do Adolescente e enfermeira do Hospital Infantil Albert Sabin (Ceará); dra Débora Carla Chong e Silva, professora adjunta de Pediatria da Universidade Federal do Paraná (UFPR); dra Vera Hermínia Kalika Koch, professora livre docente pelo Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); dra Tania Denise Resener, professora associada da disciplina de Pediatria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e presidente da Comissão Estadual de Residência Médica (CEREM – RS); dra Cecília Micheletti, pediatra e geneticista, membro da Comissão de Residência em Pediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM); e Camila Gomes da Cruz, atual residente do Programa R3 ano adicional em Pediatria pelo Hospital Albert Sabin (CE).

Presidida pela dra Tania Maria Sousa Araújo, mestre em Saúde da Criança e Adolescente e preceptora do Hospital Infantil Albert Sabin e maternidade Escola Assis Chateaubriand (CE), a mesa redonda teve o objetivo de apresentar casos de sucesso de instituições que já adotam a Residência Pediátrica de três anos. Na oportunidade, houve, inclusive, o depoimento de uma residente que terminou o R2 e decidiu investir no R3, além da apresentação de diversos pontos de vista acerca da nova modalidade. Em sua palestra, dra Débora Carla apresentou o case do Hospital Pequeno Príncipe, no Paraná, um dos cinco hospitais pilotos na residência médica de três anos. “Todos estavam motivados porque percebiam que o 3º ano adicional era de conteúdo novo. Todos os residentes foram aprovados no TEP Seriado”, explicou.

Dra Vera Herminia Kalika Koch deu seu depoimento sobre o programa da residência de três anos na FMUSP e disse que houve aceitação muito grande na instituição. “É com muito orgulho que digo a vocês que os nossos residentes são nossos parceiros. Fazemos fóruns com eles assim que começa uma nova atividade. Eles sugerem mudanças, que são discutidas e introduzidas, para que o programa se torne amigo. É uma construção conjunta”, disse.

A residente Camila Gomes trouxe à mesa redonda a visão de um participante de R3. De acordo com ela, apesar de a proposta de mais um ano ser para melhor, existe um “medo do desconhecido”, entre os residentes. “O nível de exigência que é proposto, as habilidades que são propostas geram muita ansiedade, mas o residente precisa estar amparado nesse aspecto também. A preceptoria precisa estar à frente, mostrando que o residente não está só. A realidade que eu vivo é esta, de contar com o apoio do preceptor em diversos momentos”, afirma.

Após a mesa redonda, a presidente do 38º Congresso Brasileiro de Pediatria, Anamaria Cavalcante e Silva, prestou uma homenagem ao médico Márcio Lisboa que, em seus 90 anos de idade, conta com uma trajetória de renúncias e desafios dentro da pediatria. Dr. Lisboa, como também é conhecido, pediatra há 67 anos, tem sua história profissional marcada pela decisão de ter trocado seu consultório no Rio de Janeiro para desbravar na medicina pediátrica em Brasília, ainda em 1967, ajudando a fundar a Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB).


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