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Dr. César Victor, vencedor do prêmio Gairdner, fala sobre benefícios da amamentação para o desenvolvimento humano

O professor emérito da Universidade Federal de Pelotas e epidemiologista, dr. César Victora, 65 anos, abordou em mensagem de vídeo produzido pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) os benefícios da amamentação, a partir de pesquisas desenvolvidas por ele ao longo de 30 anos. Os estudos, conduzidos na Universidade Federal de Pelotas, renderam ao Dr. Victora o prêmio Gairdner de Saúde Pública, um dos mais importantes do mundo. 

No vídeo, o pesquisador relata que atualmente os estudos se concentram nos efeitos benéficos em longo prazo da nutrição infantil. “As pesquisas foram feitas em parceria com o pediatra Fernando Barros, que também é reconhecido no meio. Estamos estudando o aleitamento, o crescimento medido no início das pesquisas, em 1982, e obsevando quais efeitos esses fatores nutricionais exercem ao longo de toda a vida do indivíduo, em relação à saúde mental e ao desenvolvimento intelectual”, explica o especialista.

Para a presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dra. Luciana Rodrigues Silva, trata-se de um avanço histórico para a medicina do País. “O dr. César Victora é, sem dúvida, um dos maiores pesquisadores brasileiros, que tem contemplado a comunidade científica com belíssimos trabalhos voltados para a atenção à infância. Seu esforço, agora reconhecido internacionalmente, tem sido fundamental para a prevenção de doenças e a melhoria das condições de saúde nos países em desenvolvimento, sobretudo nos campos da amamentação e da nutrição materno-infantil”, ressaltou a presidente. 

DESCOBERTAS – Em 1982, o dr. César Victora iniciou uma pesquisa de casos e controles da mortalidade infantil e amamentação, os quais demonstram que o aleitamento exclusivo até seis meses reduz em 14 vezes o risco de morte por diarreia e em 3,6 vezes o risco de morte infantil por doenças respiratórias. 

Esse foi o primeiro estudo mundial a mostrar a importância do aleitamento exclusivo, ou seja, o leite materno sem oferta de água, chás ou sucos nos primeiros meses de vida. “Isso foi uma importante descoberta para as mortes de bebês no mundo, principalmente por diarreia, muito comuns à época. Diversas pesquisas, incluindo a desenvolvida por nós, mostram que o aleitamento materno mais extenso e duradouro ajuda no desenvolvimento da inteligência da criança (QI) e na prevenção da obesidade na infância e na vida adulta”, comenta o dr. César.

Na mensagem, o dr. Cesar Victora diz que o aleitamento materno passou a ser respaldado por uma série de evidências científicas que só podem ser obtidas por meio de estudos de longa duração, como o estudo das coortes de Pelotas. “Ficamos satisfeitos em ver a nossa pesquisa reconhecida e por saber que os resultados obtidos em Pelotas têm conseguido mudar as políticas globais de alimentação infantil”, comemora o médico.

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RECONHECIMENTO – Com os resultados da pesquisa, que ainda está em curso, o brasileiro ajudou a estabelecer a influência dos primeiros mil dias de vida (da concepção aos dois anos de idade) para o desenvolvimento e a saúde do indivíduo ao longo de toda a vida. O pesquisador teve seu trabalho reconhecido pelo impacto na saúde materno-infantil e na nutrição de nações pobres e em desenvolvimento.

Dr. Victora explica que pesquisa alterou a recomendação da alimentação infantil e fez com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a infância (UNICEF) passassem a indicar que bebês nos primeiros meses de vida se alimentassem exclusivamente com leite materno. 

Neste ano, o dr. Victora passou a integrar o grupo de sete cientistas que receberam o Prêmio Gairdner de Saúde Pública. Ganhadores desse título são considerados como potenciais candidatos à indicação para o Prêmio Nobel. Ele recebeu o prêmio na categoria Saúde Global, concedido àqueles que, com suas pesquisas, contribuem de forma positiva para a saúde de países em desenvolvimento.


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