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É tempo das crianças

Luciana Rodrigues Silva

Presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

 

Em lugar de festa, reflexão. O mês de outubro desse ano está exigindo dos brasileiros uma análise profunda sobre o futuro da Nação. Em jogo nas urnas, a governabilidade, a implementação de políticas sociais, reformas estruturantes no Estado, o emprego de milhões de pessoas e a saúde e o bem-estar de todos. Não há como ignorar a importância dos lances que serão dados nos próximos dias, nos quais o eleitor será o elemento-chave.

Coincidentemente, o desfecho das eleições ocorre no período em que se comemora o Dia das Crianças, uma data originalmente criada para fomentar ações em favor de meninos e meninas, mas que, com o passar do tempo, foi transformada num momento em que o comércio e a indústria estimulam a venda de brinquedos, roupas e outros presentes, sempre com foco na população infantil e com bons resultados. Afinal, quem não quer ver o sorriso estampado no rosto do filho ou da filha?

Mas um alerta: mais do que mimos, as crianças e adolescentes brasileiros precisam do empenho das instituições públicas, que têm o dever constitucional de assegurar-lhes direito pleno a alimentação, saúde, educação, segurança, liberdade, lazer, habitação e cuidado familiar. Enfim, aos 46 milhões com idades de zero a 14 anos e suas famílias devem ser proporcionadas as condições para que sejam os cidadãos de amanhã.

O carinho dos pais se manifesta num abraço, na escuta atenta, nos conselhos que orientam o desenvolvimento ao longo das diferentes fases da vida. No entanto, pode-se entender também como cuidado manifesto pelos responsáveis a decisão consciente de defender a implementação de medidas pelo Estado para que os pequenos floresçam. Nesse sentido, a disputa eleitoral empodera as famílias que podem fazer suas escolhas dentre aqueles comprometidos com propostas atentas às necessidades das novas gerações.

Os pediatras brasileiros aproveitaram essa oportunidade e encaminharam a todos os candidatos (à Presidência da República, aos governos de estados e ao Legislativo) uma agenda com propostas exequíveis de curto, médio e longo prazos que, se tratadas como prioridade pelos futuros gestores, responderão às demandas e aos anseios de uma parcela significativa e silenciosa: as crianças e os adolescentes, frequentemente ignorados pelas políticas públicas de Estado.

É preciso acabar com a negligência em relação a esse segmento da população, que tem sofrido na pele a repercussão de falhas nos campos da assistência em saúde, da educação e da segurança pública. As crianças e os adolescentes brasileiros também carecem de medidas que lhes proporcionem viver em ambientes saudáveis, com saneamento, esgoto, infraestrutura urbana e programas que estimulem seu desenvolvimento físico, mental e cultural.

Esses itens têm estado ausentes da realidade de milhões de famílias, que convivem com o abandono, a falta de oportunidades e a desesperança. Trata-se de um erro histórico que, se não for superado, cobrará a conta de toda a sociedade, pois tudo deve ser garantido aos jovens que em poucos anos assumirão o comando do País.

Infelizmente, a conjuntura nacional que se forma neste mês da criança impede uma mensagem leve, suave com uma tarde de brincadeiras na escola. Pelo contrário, o momento cobra a coerência dos compromissos com a vida, a saúde e o bem-estar daqueles a quem se quer homenagear.  Afinal, é tempo de oferecer às crianças e adolescentes o amor de suas famílias e o respeito das autoridades. 

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