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Em artigo à Revista Época, pediatra fala sobre impactos do alcoolismo na juventude brasileira

“A medicina conseguiu provar pela primeira vez, de forma inquestionável, que a bebedeira compromete o desenvolvimento cerebral dos jovens”. A afirmativa é do pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dr. Daniel Becker (RJ)*, convidado pela Revista Época para escrever sobre bebidas alcoólicas em jovens para a seção “Dois pontos”. Segundo o especialista um em cada quatro adolescentes confirma que ficou embriagado nos últimos 30 dias.

Com base nos estudos internacionais de pesquisadores de cinco universidades americanas, Becker afirma que quem exagera na bebida durante a adolescência pode perder habilidades fundamentais para uma vida madura e saudável.

O pediatra destaca ainda que, no Brasil, pouco se fala sobre bebidas alcoólicas. “O álcool mata e fere mais que a soma de todas as outras drogas. Num estudo do Ministério da Saúde, 20% dos acidentados no trânsito apresentaram sinais de embriaguez ou relataram consumo de álcool. Entre vítimas de agressão, o percentual sobe para 49%. Apesar de seus males, a bebida não é coibida. Ao contrário. É incentivada”, diz o autor.

Becker faz ainda uma comparação às campanhas de combate ao cigarro pelo mundo que, segundo ele, foram eficazes e reduziram à metade nos últimos 30 anos. “Os maços ganharam advertências sobre os males do fumo e a propaganda foi proibida. O fumante passou a ser visto como um fraco, um viciado que polui o ar alheio. Tal reprovação social não se estendeu aos bebedores compulsivos”, comenta.

ORIENTAÇÕES DA SBP – No artigo, Becker cita ainda os índices de consumo de álcool pelos adolescentes – cujos dados constam no documento científico “Bebidas alcoólicas são prejudiciais à saúde da criança e do adolescente”, produzido pelo Departamento Científico de Adolescência da SBP. Para ele, a família é responsável por essa permissividade de embriaguez, uma vez que os pais, em sua grande maioria, também são consumidores de bebidas alcoólicas.

De acordo com Becker, os jovens podem estar sendo estimulados por empresas e negligenciados pela família e pelo Estado. “Adolescentes bebem como se não houvesse amanhã. Mas o amanhã existe e, concluíram os pesquisadores americanos, ele pode se tornar definitivamente pior por causa dos excessos na bebida alcoólica”.

 

*Daniel Becker, mestre em saúde pública pela Fiocruz, é médico do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-pediatra da ONG Médicos Sem Fronteiras. Coordenou o Programa de Saúde da Família do Rio de Janeiro, de 1994 a 1998.


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