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Em fórum no CFM, a SBP apresentou visão dos pediatras sobre os problemas que afetam a cobertura vacinal no País

No ano passado, a cobertura vacinal para a poliomielite, que deveria ser de 95%, ficou em apenas 77%. A vacina tríplice viral (contra o sarampo, caxumba e rubéola) tinha cobertura próxima a 100%, em 2014, mas o índice caiu para 85%, em 2017. O nível de cobertura de vacinação, cuja meta era 95%, está em 84%. Esses números preocupam a classe médica e o assunto foi debatido na manhã desta quinta-feira (13), no 2º Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina 2018. O tema foi abordado na conferência “A queda do índice vacinal no país”, que teve como palestrantes a presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Luciana Rodrigues Silva, e a coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, Carla Magda Santos Domingues.

Para a presidente da SBP, o horário de abertura dos postos de saúde, a insuficiência de vacinas e a ausência de pediatras para atender todas as crianças são fatores que ajudam a explicar a queda na cobertura vacinal. “A mãe precisa ser informada sobre quais vacinas devem ser aplicadas em seu filho”, argumentou. Como forma de melhorar a assistência infantil, a SBP elaborou um conjunto de propostas que foram entregues às equipes de todos os presidenciáveis. “É preciso garantir a presença do pediatra, que existem em número suficiente, na sa&uacut e;de básica para melhorarmos índices como os de cobertura vacinal e de mortalidade infantil”, defendeu.

As críticas feitas pela SBP foram validadas pela representante do Ministério da Saúde. Segundo Carlos Domingues, como estratégia para aumentar a cobertura vacinal devem ser ampliados os horários de funcionamento nos postos de saúde, realizadas campanhas de vacinação nas escolas e dada maior ênfase aos profissionais de saúde no processo de vacinação. "Quando o profissional recomenda, os pais completam o calendário”, argumentou.

PNI - Em seguida, ela ressaltou a importância do Plano Nacional de Imunização (PNI), iniciado em 1973, que hoje é responsável pela distribuição gratuita de 27 vacinas: 14 para o público infantil, oito para adolescentes e adultos e outras cinco para idosos. “A vacinação é uma das políticas públicas de maior efetividade. À medida que se inclui uma vacina no calendário, há uma redução rápida da doença”, afirmou. Contudo, ela chama atenção para alguns efeitos deletérios.

Um deles se relaciona com a postura dos pais, pois a inclusão de novas vacinas no calendário obriga a criança ir mais vezes ao posto de saúde e nem sempre os responsáveis têm disponibilidade esse tempo. “Daí a importância de se aplicar várias vacinas simultaneamente”, defendeu Carla Magda. “Ocorre que o profissional de saúde fica com dó da criança e diz para a mãe, que é geralmente a responsável por acompanhar o filho, voltar outro dia. Mas esta mãe não tem tempo e a criança fica desprotegida”, argumentou.

COBERTURA -  Por sua vez, o 1º secretário e diretor de comunicação do Conselho Federal de Medicina (CFM), Hermann Tiesenhausen, questionou quais seriam os motivos que levaram à queda da cobertura vacinal, que aponta sinais claros de insegurança epidemiológica: “É falta de formação, capacitação ou gestão? ”, perguntou. Para o conselheiro, os problemas de saúde são mais amplos: “Também estamos tendo o aumento da sífilis, contaminaç&at ilde;o pelo HIV, febre amarela e de outras doenças infectocontagiosas”, destacou.

“Por isso, o CFM começará, na próxima semana, uma campanha publicitária conclamando os brasileiros a realizarem um exame de consciência na hora em que forem votar. Precisamos eleger candidatos comprometidos com a saúde, especialmente quando o Sistema Único (SUS) completa 30 anos", ressaltou.


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