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Pediatras dão nota baixa para a infraestrutura oferecida pelos serviços da rede pública

A maioria dos pediatras brasileiros tem uma percepção negativa das condições de trabalho oferecidas nos serviços da rede pública. Para 85% dos entrevistados, a infraestrutura disponível oscila dentre os conceitos péssimo (15%), ruim (35%) e regular (35%). Essa é uma das principais constatações de pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha a pedido da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).  

Os dados inéditos foram divulgados nesta quarta-feira (11) pela presidente da SBP, Drª Luciana Rodrigues Silva, na solenidade de abertura do 38º Congresso Brasileiro de Pediatria, que acontece até o próximo sábado (14), no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. As notas mais baixas atribuídas aos serviços do SUS predominaram nos municípios de regiões metropolitanas, onde 89% dos respondentes classificaram as instalações como ruins, péssimas ou regulares. Por outro lado, as avaliações mais positivas (bom ou ótimo) predominaram nas cidades do interior, com 15% das menções.  

No caso dos consultórios, clínicas e hospitais vinculados aos planos de saúde, a percepção sobre a infraestrutura oscilou nas seguintes escalas: péssimo (1%), ruim (4%) e regular (29%). Nesse segmento, as notas mais negativas prevaleceram nos municípios do interior (35%). Com respeito aos conceitos bom ou ótimo, o destaque surgiu nas regiões metropolitanas (68%).  

“Esses dados são muito importantes, pois chamam atenção para a necessidade imediata e absoluta de melhorar as condições de trabalho dos nossos profissionais. Cerca de 38% da rede pública considera a situação de trabalho regular, o que é totalmente diferente da situação privada, onde 67% consideram a condição como adequada”, explica a presidente da SBP, dra. Luciana Rodrigues Silva.  

Os percentuais dialogam com levantamentos recentes, divulgados pela SBP e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que apontam uma série de gargalos na rede pública de assistência. Dentre os problemas relatados estão a falta de infraestrutura em postos de saúde e o déficit no número de leitos para internação, o que dificulta a realização de tratamentos que exijam acompanhamento em ambiente hospitalar ou até a execução de procedimentos cirúrgicos eletivos.  

DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA - Os dados da pesquisa também oferecem importantes pistas sobre o perfil do pediatra brasileiro. De acordo com o apurado, a maioria se concentra no Sudeste, que responde por 54% desses especialistas. Apenas no estado de São Paulo estão 32% deles. Nas regiões Sul e Nordeste, atuam 32% desses profissionais (16% em cada uma). Por sua vez, o Centro-Oeste e o Norte do País agrupam, respectivamente, 7% e 5%.  

Do total de pediatras brasileiros, a imensa maioria (91%) trabalha diretamente na assistência pediátrica, ou seja, estão envolvidos no processo de atendimento a pacientes e seus familiares em postos de saúde, ambulatórios, clínicas ou hospitais, nas redes pública ou privada. Desse total, 95% estão em municípios do interior, sendo que essa presença é mais significativa no Norte (97%) e no Sul (95%) do País.  

Em termos nacionais, os 9% restantes se dedicam a atividades de ensino, pesquisa ou gestão. Nesse universo, eles se destacam nos municípios de regiões metropolitanas (11%) e nas regiões Centro-Oeste (15%) e Sudeste (10%).  

Com respeito ao tipo de vínculo de trabalho, 53% dos pediatras dividem seu tempo em atividades na rede pública, em atendimento a planos de saúde e consultas particulares. Dentre os entrevistados, 21% se dedicam apenas ao Sistema Único de Saúde (SUS) e outros 22% atuam exclusivamente na área privada. Do grupo, se destacam entre os que mantém vínculos exclusivos com a rede pública as mulheres (23%) e a faixa etária de 33 a 59 anos (47%).   

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