Associe-se

SBP destaca papel do pediatra no diagnóstico precoce do autismo

“O papel do pediatra na identificação precoce do autismo é muito evidente, uma vez que é ele o profissional responsável pelo acompanhamento das crianças desde os primeiros dias de vida. Quanto mais cedo o pediatra identificar os sinais que possam sugerir o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA), mais rapidamente será iniciada a estimulação e mais efetivos serão os ganhos no desenvolvimento neuropsicomotor”.  A declaração é da presidente do Departamento Científico de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dra. Liubiana Arantes de Araújo, que, por ocasião do Dia Mundial pela Conscientização sobre o Autismo (2 de abril), faz um alerta sobre o assunto.

Dados do Center of Deseases Control and Prevention (CDC), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, aponta que hoje existe um caso de autismo a cada grupo de 68 pessoas em todo o mundo. Partindo dessa razão, no Brasil estima-se que cerca de dois milhões sejam portadoras do TEA. Partindo dessa premissa, a SBP tem preparado e incentivado os pediatras brasileiros para o diagnóstico desse transtorno, por meio de documentos e eventos científicos. O objetivo é aprimorar o olhar do especialista na identificação dos sinais precoces de risco para o espectro autista para indicar o tratamento o quanto antes.

“A estimulação pode atingir o período ótimo definido pelas janelas de oportunidades no cérebro das crianças e a detecção precoce pode auxiliar a treinar habilidades que, se porventura houver um atraso no diagnóstico, elas não poderão mais ser alcançadas”, explica a dra. Liubiana. Segundo ela, nas consultas pediátricas é essencial realizar a avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor e, caso o médico perceba qualquer sinal de risco, a família deverá ser comunicada, acolhida e incentivada a estimular a criança no dia-a-dia.

SINAIS DE ALERTA – De acordo com a especialista, os bebês já mostram sinais de transtorno do espectro do autismo de forma precoce, como o atraso do sorriso social, a preferência por objetos em vez da preferência em fixar faces humanas, a deficiência no olhar sustentado ou reciprocidade do olhar, as dificuldades graves de sono, o déficit de interação social, o atraso na linguagem, dentre outros fatores que devem ser observados nas consultas pediátricas.

Ela alerta ainda que a cultura popular de “esperar o tempo da criança” deve ser transformada em avaliar o período em que determinada aquisição pode ser alcançada dentro do padrão da normalidade, segundo escalas validadas, além de detectar e cuidar de forma responsável de possíveis atrasos no desenvolvimento. Cada vez mais, explica a especialista, o diagnóstico de autismo está se tornando mais claro e frequentemente o pediatra se depara com as queixas, suspeitas e com crianças com esse diagnóstico no seu cotidiano.

INTEGRAÇÃO – A presidente do DC de Desenvolvimento e Comportamento da SBP ressalta ainda que o pediatra deve ensinar aos pais que a estimulação não é feita somente pela equipe de saúde que acompanha a criança. “Isso é extremamente relevante e as pesquisas internacionais mostram que a estimulação, quando é feita por meio de parceria entre equipe de saúde, família e escola, tem resultados muito mais promissores do que quando ocorre de forma isolada”, destaca.

Para a dra. Liubiana, cabe ao pediatra orientar sobre as atividades de estimulação precoce próprias para cada fase do desenvolvimento. “Uma vez que o cérebro apresenta um nível ótimo nos primeiros meses de vida, quando a sinaptogênese e a mielinização são mais efetivas, a estimulação nessa fase poderá ter resultados mais efetivos do que quando o diagnóstico é tardio. O pediatra tem o papel de acolhimento da família, buscando auxiliar nas estratégias e ferramentas para que todos envolvidos com o paciente adquiram força e persistência no tratamento que a criança com suspeita ou diagnóstico de TEA exige, uma vez que ele é diário e contínuo”, frisa.

Na página do Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento, no site da instituição, é possível encontrar amplo material que auxilia a identificação precoce dessas condições para que o especialista possa proporcionar um melhor diagnóstico aos seus pacientes bem como uma melhor qualidade de vida das crianças e suas famílias que convivem com o autismo.


Nossos Endereços

SBP-Sede • R. Santa Clara, 292 - Rio de Janeiro (RJ) - CEP: 22041-012 • 21 2548-1999 

FSBP • Alameda Jaú, 1742 – sala 51 - São Paulo (SP) - CEP: 01420-002 • 11 3068-8595 / 8618 / 8901 / 8675 • Fax: 3081-6892 

SBP-RS • R. Carlos Gomes, 328/305 - Porto Alegre (RS) - CEP: 90480-000 • 51 3328-9270 / 9520 

Memorial • Rua Cosme Velho, 381 - Cosme Velho (RJ) - CEP: 22241-125 • 21 2245-3110