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O presidente da SBP aposta no incentivo à leitura na primeira infância para o desenvolvimento saudável de todas as crianças. Segundo ele, nas crianças de 0 a 6 anos de idade está aberta uma “janela de oportunidades” para o estímulo neuronal do cérebro, que deve ser aproveitada.

Nessa entrevista, ele fala sobre como essa prática vem sendo estimulada nas consultas médicas e quais as maiores dificuldades que os pediatras encontram para incluir essa recomendação no seu dia a dia.

Qual é o papel do pediatra no incentivo à leitura para crianças pequenas?

Nós achamos fundamental. Faz parte do nosso entendimento da consulta de puericultura o pediatra orientar as famílias no sentido de desenvolver esse aspecto de ler para as crianças.

De que forma vem sendo incentivada essa prática? Como pode ser incluída essa recomendação na consulta?

Enquanto estou pesando, medindo, conversando com as mães, tenho sempre a oportunidade de chamar a atenção para o fato de que elas devem ler para as crianças. A Fundação Maria Cecília Souto Vidigal fez uma pesquisa com mães, e muitas delas não têm esse entendimento de que o estímulo, o estar junto, faz parte do desenvolvimento. Quando você trabalha essa parte da cognição e da afetividade, você também melhora a qualidade da saúde.

Quais crianças mais se beneficiam com a leitura? Por quê?

Todas as crianças e também os adolescentes vão se beneficiar com a leitura. Tenho falado, inclusive para as mães que têm crianças com atraso (no desenvolvimento), que elas têm que estimular os filhos. É preciso conversar muito com essas crianças, ler para elas, porque o cérebro se desenvolve bastante. Quando você pega uma foto, uma microscopia, de um cérebro de um recém-nascido, de uma criança de 3 anos, de 5 anos e, depois, de um adulto, vai ver que de 0 a 6 anos existe uma proliferação de sinapses muito grande. Temos janelas de oportunidades no nosso cérebro, e compete a nós, pediatras, orientar sobre isso.

Qual é a principal dificuldade dos pediatras para recomendar essa prática às famílias?

Hoje, 80% das nossas crianças são do sistema público, no qual, infelizmente, há uma tendência de que elas sejam atendidas por um profissional que não está envolvido nessas questões do desenvolvimento infantil. No Rio de Janeiro, grande parte dos pacientes pediátricos, na verdade, não é vista por seu médico. Às vezes, passam por nós uma vez por ano ou quando estão doentes, em uma emergência. O desafio que temos é chamar a atenção para o fato de que as crianças precisam ser acompanhadas por médico especializado em seu crescimento e em seu desenvolvimento.

Essa é uma campanha da Sociedade Brasileira de Pediatria, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e Fundação Itaú Social.