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Academia Brasileira da Pediatria

Joaquim Martagão Gesteira (1884-1954)

Joaquim Martagão GesteiraJoaquim Martagão Gesteira nasceu no dia 17 de maio de 1884, na cidade de Conceição de Almeida, no interior do Estado da Bahia. Em 1908, graduou-se em Medicina, pela Faculdade de Medicina da Bahia, especializando-se em bacteriologia com a tese “Etiologia e diagnóstico da septicemia de Bruce – Febre de Malta”.

Martagão Gesteira destacou-se, desde que se formou, pela intensa atividade no campo da gestão e o magistério em saúde infantil. Assim, em 1935, criou a Pupileira Juracy Magalhães, o Abrigo Maternal e o Lactário Júlia Carvalho, todos em Salvador. Contando com a colaboração de outros médicos, fundou, em 6 de junho de 1923, a “Liga Bahiana contra a Mortalidade Infantil”. Em 1935 chegou a ser nomeado Diretor do Departamento da Criança do Estado da Bahia.

Professor, com sólida carreira no magistério universitário, conquistou, em 1912, a livre-docência na Faculdade de Medicina da Bahia com a defesa da tese “Reação de Schmidt Triboulet – valor diagnóstico nas afecções do lactente”. A partir de 1913, passou a reger a Cátedra de Clínica Pediátrica Médica na mesma faculdade. Sua trajetória no campo associativo nesta época também é digna de nota. Em 1919 foi eleito Membro Honorário da Academia Nacional de Medicina e no início dos anos 1930 fundou e presidiu a Sociedade Baiana de Pediatria. Até então, Martagão Gesteira havia inscrito seu nome na história da pediatria baiana. Em 1937 seu nome começou a obter uma projeção nacional.

Naquela oportunidade, foi transferido para o Rio de Janeiro, então capital da República, a convite do então Presidente Getúlio Vargas, encantado com o trabalho desenvolvido em Salvador em favor da assistência à criança. Ao chegar, Martagão Gesteira assumiu a Cadeira de Puericultura e Clínica da Primeira Infância e a Direção do Instituto de Puericultura da Faculdade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro. Aos poucos, mostrou, aos que não o conheciam, a profundidade de seus conhecimentos de clínica infantil, tornando-se logo um dos mais acatados e respeitáveis mestres da Universidade do Brasil. Em 1938, foi eleito presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria. Na oportunidade, criou a primeira Jornada Brasileira de Pediatria e Puericultura, depois conhecida como Congresso Brasileiro de Pediatria.

A criança na Era Vargas assumira um papel de extrema relevância, pois representava, para a elite política da época, a esperança de futuro. Martagão Gesteira esteve à frente deste processo de valorização e proteção da infância pobre e desvalida.

O fim do Estado Novo não retirou Martagão Gesteira do poder. Em 1946 foi nomeado Diretor do “Departamento Nacional da Criança” No início dos anos 1950 passou a ser o Diretor do “Instituto Internacional Americano de Proteção à Infância”. No final de sua vida, a reputação de Martagão Gesteira transcendia as fronteiras nacionais.

Esta visibilidade pública internacional foi, em grande parte, fruto de sua ampla produção científica em diversas revistas brasileiras e estrangeiras especializadas e de sua participação em diferentes eventos científicos nacionais e internacionais. Entre outros consta sua participação em eventos científicos realizados em Montevidéu, Paris, Washington, México, Zurich e Nova York. Martagão Gesteira tem mais de 150 conferências e trabalhos publicados. Diga-se de passagem que, além da vasta produção como conferencista e ensaísta no campo da pediatria, foi também o idealizador e criador da primeira revista de pediatria do Brasil, O Boletim da Sociedade de Pediatria, mais tarde denominada Pediatria e Puericultura, órgão oficial da Sociedade Baiana de Pediatria, por ele fundada na década de 1930.

Sua ampla produção bibliográfica abrange desde artigos em que apresenta suas descobertas clínicas e terapêuticas até outros frutos de pesquisas em laboratório. No primeiro caso cabe menção ao livro “Pediatria lições e conferências”. A paralisia cerebral e as distrofias ósseas congênitas foram alguns dos temas abordados no segundo caso. Além disso, cabe destaque sua preocupação com a influência dos fatores sociais na mortalidade infantil e com a divulgação científica para leigos e médicos. “Como criar o meu filhinho” e “Manual de Puericultura” são exemplos desta outra face de sua extensa produção bibliográfica.

Joaquim Martagão Gesteira faleceu na Cidade do Rio de Janeiro, em 30 de abril de 1954, aos 70 anos de idade, acometido por um infarto, quando escrevia mais um trabalho a ser apresentado num congresso de pediatria em Montevidéu. Hoje em dia, Martagão Gesteira é nome de diversos hospitais, praças e ruas em todo o país. No Rio de Janeiro, o Instituto de Puericultura e Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro leva seu nome.

Martagão Gesteira foi Presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria em 1938 e foi homenageado por ela, ao ser indicado Patrono da Cadeira 6 da Academia Brasileira de Pediatria.