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Academia Brasileira da Pediatria

Maria Noronha Spolidoro (1927-1994)

Maria Noronha SpolidoroMaria Noronha Spolidoro nasceu no dia 21 de dezembro de 1927, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Ela seguiu os passos de seu pai, o médico Oscar Barbedo Noronha.

Graduou-se em Medicina, em 1953, pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tão logo se formou, iniciou um trabalho como voluntária na 34ª Enfermaria de Pediatria e Higiene Infantil da Santa Casa da Misericórdia de Porto Alegre, dirigida pelo Professor Olinto de Oliveira. Ao mesmo tempo, ingressou como médica pediatra no Serviço de Recém-Nascidos da Maternidade Mário Trotta, também em Porto Alegre.

A questão de nutrição infantil foi o centro de seus interesses acadêmicos, clínicos e terapêuticos.

Assim, por essa época, foi a São Paulo freqüentar os cursos sobre Temas de Metabolismo e Endocrinologia, ministrado pelos professores Ulhóa Cintra e Emílio Mattar, na 1ª Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e sobre Propedêutica e Patologias do Aparelho Digestivo, ministrado pelos professores Cantídio de Moura Campos e José Fernandes Pontes, no Serviço de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas de São Paulo. Estes cursos forneceram-lhe subsídios básicos para o conhecimento em nutrição. Em 1955 freqüentou os cursos de Higiene Infantil e Dietética e o de Clínica Pediátrica, do então Departamento Nacional da Criança, do Ministério da Saúde.

Na área do ensino, Maria Spolidoro atuou como professora por quase três décadas, formando médicos e nutricionistas. Assim que se graduou, começou a ministrar a disciplina de Nutrição Materno-Infantil na Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Depois tornou-se professora titular dessa mesma disciplina na Faculdade de Nutrição do Instituto Metodista. Foi ainda professora titular de Pediatria Clínica na Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Ao longo de sua prática médica esteve sempre preocupada com sua atualização técnica na área de Pediatria. Dessa forma, freqüentou vários cursos ministrados por pediatras de renome tanto no Rio Grande do Sul quanto fora do estado. César Pernetta, Álvaro Aguiar, Eduardo Marcondes, Vicente Amato Neto, Walter Telles, foram alguns dos professores desses cursos.

O campo associativo, representado pelas sociedades de pediatria, pode ser considerado como outro fórum de atualização técnica pela promoção de congressos, simpósios e outros eventos acadêmicos, onde vicejam as discussões científicas entre pares. Maria Spolidoro tornou-se membro efetivo da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (1960) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (1966).

Sua produção científica acompanhou sua preocupação principal: a nutrição infantil.

Sua participação em um programa de recuperação de desnutridos no Instituto Nacional de Previdência Social, em Porto Alegre, transformou-se em fonte para a elaboração de diversos trabalhos científicos que foram apresentados em diferentes congressos e eventos acadêmicos.

No início dos anos 1970 participou de congressos e jornadas, apresentando os resultados parciais de um plano de pediatria no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) do Rio Grande do Sul, na área de desnutridos e prematuros. Na mesma época publicou na Acta Médica os artigos “Alimentação Infantil”, “Levantamento estatístico sobre aleitamento natural” e “Leite materno: componentes e propriedades imunológicas”. No exterior publicou no “Journal of Pediatrics”. Participou também da elaboração de vários manuais voltados para as orientações de outros profissionais quanto à rotina de alimentação dos lactentes.

Maria Noronha Spolidoro foi uma das três mulheres homenageadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria, quando da organização da Academia Brasileira de Pediatria, composto por 30 cadeiras. Ela faleceu no dia 4 de dezembro de 1994. Maria Noronha Spolidoro foi uma das pediatras pioneiras na defesa do aleitamento materno como o alimento mais saudável e completo para o recém nascido.

Maria Noronha Spolidoro foi homenageada pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul sendo indicada como patrono da cadeira 30 da Academia Brasileira de Pediatria.51