carregando...

Carlos Prado (1952): gestor da puericultura paulista

Carlos de Vasconcelos Prado nasceu em 1897, em Itu (SP), e concluiu o curso de Medicina na Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil em 1924. Começou a carreira na Secretaria de Saúde e Higiene de São Paulo. Foi deslocado para o serviço escolar e se aproximou da questão da criança e de seus males. Permaneceu na Secretaria por mais 20 anos, até ser nomeado diretor do Departamento Estadual da Criança e, posteriormente, Secretário Estadual de Saúde e Higiene de São Paulo.

Em gestão de serviços públicos, idealizou e construiu postos de Puericultura na década de 1940, que classificou como trincheiras do combate a mortalidade infantil, e nos quais organizou serviços de cuidados primários de saúde e assistência materno-infantil. Entre 1948 e 54, criou centenas destes postos por São Paulo, com o apoio do jornalista Assis Chateubriand, que se estenderam pelas regiões rurais e pelo litoral.

Sua grande produção científica inclui artigos sobre mononucleose infecciosa, anemias na infância e bacteriologia da profilaxia antidiftérica. Participou da fundação da revista Pediatria Prática, publicou o Manual de Pediatria e o livro Vamos criar seu filho. Carlos Prado publicou ainda lições de higiene infantil destinadas às mães nos jornais Diário Nacional, Diário de São Paulo e Estado de São Paulo. Sua veia de cronista o fez publicar alguns textos sarcásticos nos periódicos O Malho e Dom Quixote, sob o pseudônimo de Barão de Itu.

Sua paixão pelo futebol o fez atuar como jogador e fundador do Esporte Clube Maranhão, em Itu. No Rio de Janeiro, jogou nos times do São Cristóvão e Flamengo. Fundou ainda a Federação Paulista de Futebol e organizou o Departamento Amador de Futebol de São Paulo, no qual chegou a vice-presidente.

Pela dedicação à Medicina, à Pediatria e à criança, recebeu diversas honrarias, como o Prêmio Margarido Filho da Associação Paulista de Medicina (1942), o Prêmio Alcântara Machado da Sociedade de Medicina Legal (1943), o Prêmio Oscar Freire de Criminologia da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (1951) e o Prêmio Carlos Chagas da Academia Nacional de Medicina (1954).

No começo da década de 1960, recebeu do então presidente da República, Marechal Castelo Branco, a Comenda da Ordem ao Mérito.  Foi presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria em 1952 e é considerado o gestor da puericultura paulista.