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Nicola Albano (1978/79): pioneiro da Neonatologia brasileira

Nicola Albano nasceu em 1935, no Rio de Janeiro, e em 1960 formou-se pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Lá e no Instituto de Pediatria Martagão Gesteira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desenvolveu longa carreira acadêmica com alunos de graduação, estagiários e residentes formando a sólida Escola de Neonatologia.

Assim que se formou, trabalhou com Pedro Solberg na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) de recém-nascidos da Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro. Na época, esta instituição de excelência no atendimento médico, tinha uma das poucas UTIs aparelhadas existentes no País. Em 1961, começou a trabalhar no setor de Neonatologia do Serviço de Pediatria do Hospital dos Servidores do Estado (Ipase), dirigido pelo professor Luiz Torres Barbosa. Nicola Albano trabalhou por mais de 20 anos nestas duas instituições. Em 1965, começou a trabalhar na Maternidade Estadual Fernando Magalhães, primeiro como plantonista até chegar à chefia do Serviço de Neonatologia.

Em 1968, foi convidado a chefiar o Berçário do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) e ser professor de Neonatologia da instituição. No início dos anos 1970, tornou-se auxiliar de ensino da atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Em 1973, consolidou sua aproximação com profissionais do Instituto de Pediatria Martagão Gesteira, da UFRJ, e no início dos anos 1980 tornou-se professor assistente das duas instituições.

Em termos clínicos, trabalhou nos principais centros de assistência ao recém-nascido até criar seu próprio serviço, em 1982, o Centro de Prematuros do Estado do Rio de Janeiro (Ceperj), com seu ex-aluno Luis Eduardo Vaz de Miranda. Sua preocupação constante com o aperfeiçoamento acadêmico, sua produção bibliográfica e a atuação em eventos científicos atestam sua dedicação à Neonatologia.

Desde sua formatura, Nicola Albano fez cerca de 50 cursos de especialização, aperfeiçoamento e extensão. Teve grande participação em congressos da área, realizados no Brasil e no exterior, tanto na organização como na apresentação de trabalhos científicos. Foi um dos organizadores do I Congresso de Perinatologia, da Sociedade Latino-Americana de Perinatologia, em 1984. Participou ativamente dos congressos brasileiros de Pediatria como conferencista, organizador de cursos, mesas redondas e colóquios. Em seus artigos científicos, priorizou a questão da asfixia perinatal. Em 1980, concluiu o mestrado, defendendo dissertação intitulada Tomografia Axial Computadorizada: novo recurso semiótico nas complicações cerebrais da meningite no recém-nascido.

Ingressou na Sociedade Brasileira de Pediatria em 1962, primeiro como membro, depois, secretário e presidente do Comitê de Estudos Neonatais; secretário, diretor científico, tesoureiro, vice-presidente e, finalmente, presidente no biênio 1978-1979. Ao sair da Presidência, tornou-se membro do Conselho Superior da SBP e foi homenageado pela entidade, indicado como patrono da cadeira 29 de seu Conselho Acadêmico.