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Reinaldo Martins (1980/81): autocuidado na Saúde Pública Pediátrica

Reinaldo Menezes Martins nasceu em 1936, em Mimoso do Sul (ES). Em 1948, veio estudar no Rio de Janeiro, conseguiu entrar no Colégio Militar e ficou interno por sete anos. A convivência com seu tio, o bem-sucedido pediatra Dr. Álvaro de Aguiar, foi decisiva na sua escolha pela Medicina. Essa influência e a atração pelo contato direto com o ser humano fizeram Reinaldo Martins optar pela Pediatria e conciliar sua carreira com a de sanitarista.

Ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil em 1955 e, em 1958, começou a frequentar o Serviço de Pediatria da Policlínica de Botafogo, onde trabalhou com Álvaro de Aguiar. Ao se formar, em 1960, foi trabalhar no Ambulatório do Posto de Saúde da prefeitura, na Gamboa. Com o tempo, Reinaldo Martins estabeleceu uma relação de confiança e respeito com seus pacientes.

Em 1963, começou a trabalhar no Berçário da Maternidade do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Bancários (IAPB), atual Hospital da Lagoa, onde ajudou a formar diversos residentes. Trabalhou também no Serviço Social do Comércio (Sesc) da Favela da Maré e no de Botafogo. No início da década de 1970, estava insatisfeito com a grande carga de trabalho; resolveu abrir seu consultório particular e trocar o Sesc por ser um serviço privado. Com a aprovação no concurso para o Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (Inamps), abriu mão também de seu vínculo com a prefeitura. A partir daí, e durante os 25 anos seguintes, trabalhou pela manhã no Hospital de Lagoa e à tarde atendendo pacientes em seu consultório em Copacabana, até se aposentar.

Logo depois de formado, Reinaldo Martins começou a frequentar as reuniões da SBP, realizadas no Instituto Fernandes Figueira. Começou projetando slides, depois foi bibliotecário e membro do Conselho Consultivo. Em 1978, foi eleito vice-presidente na chapa encabeçada por Nicola Albano. Na ocasião, a SBP desenvolveu campanhas de incentivo ao aleitamento materno, de vacinação e de reidratação oral com grande sucesso, em parceria com o Ministério da Saúde e a UNICEF.  Anos depois, a campanha do soro caseiro teve grande repercussão, através de veiculação no rádio e na TV, e foi muito bem aceita pela população.

Apesar das críticas, esta campanha contribuiu decisivamente para a queda da mortalidade infantil no País. Com as campanhas, a SBP diminuía o poder do médico em prescrever a vacinação, a alimentação do recém-nascido e a posologia do soro de reidratação, ensinando as pessoas a se cuidarem. Além disso, houve uma mudança no perfil do paciente, uma vez que algumas doenças deixaram de existir. A desidratação grave, por exemplo, tornou-se raridade.