carregando...

Convívio com animais de estimação faz bem à saúde das crianças, dizem estudos

Saiu na imprensa 21/11/2012

Publicado em 21/11/12, por Clarissa Monteagudo, editoria Saúde e Ciência

Manuela e a mascote Juju: carinho cultivado desde o berço Foto: Divulgação

 

Eles já foram os vilões das alergias infantis, mas hoje estão sendo absolvidos pelos médicos. Muito mais do que bolinhas de pelo, animais de estimação são companheiros carinhosos, que estimulam o afeto, a inteligência e podem até deixar o organismo dos pequenos mais forte. De acordo com uma pesquisa da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, o contato com micróbios transportados por cachorros pode imunizar crianças contra asma.

– Meu neto tem cachorro, sou totalmente a favor. Está mais do que provado que os bichinhos são amorosos e ajudam a questão do afeto. Eu não vejo contraindicação – explica a pediatra Leda Amar de Aquino.

Isolar demais o filho do ambiente pode prejudicar em vez de ajudar. A criança cresce na redoma e corre risco de desenvolver alergias. Mas, segundo a médica, é preciso cuidado:

– O bicho tem que estar vacinado e tomar banho semanalmente.

A estudante Marcella Araújo Oliveira, de 24 anos, conhece como ninguém os benefícios de unir cães e bebês. Sua pequena Manuela, de 2 anos, convive desde o nascimento com a cadela de estimação da família, Juju.

– Ela aprendeu a não ter medo de cães, brinca muito e tem muito carinho pela Juju. São muito felizes.

Segundo a pediatra Neide Pereira, do Comitê de Alergia e Imunologia da Sociedade de Pediatria do Rio de Janeiro (Soperj), pesquisa feita na Áustria mostrou que o contato com animais desde o berço diminui a incidência de alergias. De acordo com o estudo, se as mães têm bichos desde antes da gravidez e a criança também convive com animais desde o nascimento, a chance de desenvolver alergias é menor. Isso explica a menor incidência de doenças alérgicas em ambientes rurais, onde a população convive com bichos durante toda a vida.

– A hipótese da higiene diz que doenças alérgicas estão aumentando no mundo ocidental entre famílias de poder aquisitivo mais alto porque há muito controle do ambiente – explica.

Até mesmo os gatos, que causam mais alergias do que os cães, podem viver na mesma casa que os pequenos. Se o bebê convive desde o nascimento, a chance de tolerar a companhia é maior.

– Com a criança que não é alérgica, não é preciso ter preocupação. Se o pai for alérgico, há possibilidade de 30% de a criança ser alérgica também. Sendo a mãe alérgica, o percentual sobe para 50%. Se houver histórico de alergia familiar, é preferível que não haja animal de pelos na casa para evitar alergias – explica Neide.