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Diretor do DC de Toxicologia da SBP alerta para o risco do aumento da poluição para a saúde das crianças

SBP em Ação 16/11/2016

canstockphoto6808435Quase uma em cada sete crianças no mundo vive em áreas com altos níveis de poluição ambiental, segundo relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), recentemente. Reconhecida na comunidade científica internacional como causa importante de morbidade e mortalidade em todas as faixas etárias, a poluição afeta severamente as crianças que, ainda em fase de desenvolvimento, são os mais vulneráveis aos danos.  

Para o presidente do Departamento Científico de Toxicologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dr. Carlos Augusto Mello da Silva, “as crianças têm um risco maior de exposição aos contaminantes ambientais porque consomem mais água e alimentos, têm frequência respiratória maior e inalam mais ar, proporcionalmente ao seu peso corporal, em comparação aos adultos”. 

Dr. Carlos Augusto explica ainda que a ação tóxica dos vários componentes da poluição aérea, como óxidos de enxofre e nitrogênio, monóxido de carbono, material particulado, incluindo nanomateriais, dentre outros, se dá de várias formas que envolvem “stress” oxidativo, liberação de mediadores da resposta inflamatória aguda, interferência na respiração celular e perturbação dos mecanismos de resposta imunológica. 

A estatística do Unicef (clique aqui e veja o relatório), divulgada no último dia 31 de outubro, fez com que a entidade solicitasse a quase 200 governos, que estão reunidos em Marrocos até o dia 18 de novembro para discutirem sobre o tema, juntamente com as questões relacionadas ao aquecimento global, ao uso limitado de combustíveis fósseis e à desaceleração na mudança climática. 

RISCO DE MORTE – Uma revisão recente sobre saúde ambiental das crianças na América Latina publicada pela Environ Health Perspect, informa que, em áreas de alta poluição aérea produzida por tráfego de veículos, observou-se aumento de 50% no risco de morte neonatal precoce em comparação a áreas menos poluídas. Também refere que poluição aérea relativa a tráfego de veículos na América Latina está associada ao aumento da incidência de otite média, asma e sintomas mais graves entre asmáticos e prejuízo da função respiratória. 

“A poluição industrial está da mesma forma associada a aumento da incidência de asma e piora dos sintomas entre asmáticos. Além dos efeitos respiratórios, é importante lembrar os danos ao cérebro decorrentes da exposição de crianças a poluição”, comenta o dr. Carlos Augusto.

O especialista defende que o combate vigoroso às origens da poluição aérea, como proposto pela Unicef e por vários documentos da OMS, também pode reduzir estes danos a saúde de crianças e adolescentes, como demonstrou um estudo publicado por um grupo da University of Southern California no ano passado. “Ele demonstra que a redução da poluição aérea (dióxido de nitrogênio e material particulado) levou a melhoria de provas de função respiratória entre crianças de 11 a 15 anos, em comunidades participantes do estudo”, pondera o dr. Carlos Augusto.