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SBP alerta pediatras e a sociedade para importância da doação de leite materno, o que beneficia mulheres e bebês

17/05/2017

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O Brasil precisa estimular a doação do leite materno como forma de atender a enorme demanda existente. O alerta é do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) às vésperas do dia 19 de maio, quando será comemorado o Dia Mundial de Doação de Leite Humano.

A data, instituída pela Lei 13.227/2015, foi criada a partir da mobilização de representantes de 23 países integrantes da Rede Mundial de Bancos de Leite que utilizam tecnologia brasileira no processamento e controle de qualidade do leite humano ordenhado. O objetivo é sensibilizar a sociedade para a importância do leite humano para o bom desenvolvimento da criança.  

“A demanda é muito maior que a oferta. As mulheres que amamentam muitas vezes não sabem que é possível doar leite sem prejudicar a oferta de leite ao seu próprio filho. A produção de leite de uma lactante depende da demanda. Se a mulher amamenta o seu filho e doa leite, ela terá leite para as duas coisas. Inclusive, pode incorporar a retirada de leite para doação na sua rotina diária, sem dificuldades” garante a presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno, dra. Elsa Giugliani.

De acordo com a pediatra, poucas pessoas, incluindo lactantes e profissionais de saúde, sabem o suficiente sobre doação de leite humano. Nem mesmo a informação de que os bancos de leite usualmente vão buscar o leite nas casas das doadoras é de amplo conhecimento, relata dra Elsa.

Ela acredita que o pediatra pode participar de forma ativa desta campanha estimulando a doação de leite nos consultórios e ambulatórios e lembra que não se deve doar ou receber leite de doação individual, ou seja, sem passar pelos processos de detecção de agentes indesejáveis no leite doado.

CAMPANHA FEDERAL - O Ministério da Saúde lançará nesta semana uma ampla campanha nacional para conscientizar a população para a importância de doar leite materno. O Brasil possui o maior banco de leite humano do mundo e é referência internacional no tema.  Atualmente existem no País mais de 200 unidades, além de 150 postos de coleta.

Segundo dados da Rede Brasileira de Bancos de Rede Humana, desde o início do ano, 52.142 crianças receberam leite dos bancos de leite, de um total de 46. 480 lactantes doadoras. A região Sudeste registra a maior taxa de doação (13.970), enquanto a Região Nordeste foi a maior receptora (13.235).  Detalhe: o leite materno doado passa por um controle de qualidade físico-químico e microbiológico nos bancos de leite humano e só então são enviados para a distribuição.

Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite humano. Para doar, é preciso ser saudável, não tomar nenhum medicamento incompatível com a amamentação, não fumar mais de 10 cigarros por dia, não beber álcool ou usar drogas ilícitas e realizar exames como hemograma completo e anti-HIV, quando o cartão de pré-natal não estiver disponível.

A doação atende a critérios de prioridades. Na lista, estão, por ordem: recém-nascidos prematuros ou de baixo peso que não sugam; recém-nascidos infectados, especialmente com enteroinfecções; recém-nascidos em nutrição trófica; recém-nascidos portadores de imunodeficiência; recém-nascidos portadores de alergia a proteínas heterológas; e casos excepcionais, a critério médico. 

Vale destacar que a doação ajuda quem recebe, mas também a mulher que doa. A ordenha evita ingurgitamento mamário, conhecido popularmente como leite empedrado, e outros problemas da mama puerperal na mulher que tem um grande excedente lácteo. Os pediatras precisam estar preparados para orientar as mães doadoras.

 

ABAIXO, UMA SÉRIE DE RECOMENDAÇÕES DO DEPARTAMENTO CIENTÍFICO DE ALEITAMENTO MATERNO DA SBP: