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SBP critica omissão do Governo na fiscalização do ensino médico retratada em pesquisa do Datafolha

SBP em Ação 10/10/2016

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“É preciso tratar com seriedade o ensino médico brasileiro. Ao se permitir a sua mercantilização, com a abertura desenfreada de escolas, e sem fazer a fiscalização necessária, o Governo age de forma irresponsável. A vida humana no Brasil precisa ser vista como um bem supremo e receber o tratamento que merece”, disse o Secretário Geral da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Sidnei Ferreira, ao analisar os resultados de pesquisa do Conselho Federal de Medicina (CFM), divulgada esta semana. 

Os resultados não causaram surpresa à SBP ao apontar a insatisfação dos brasileiros com o papel fiscalizador do Governo com relação ao funcionamento das escolas médicas no País. Para 52% dos brasileiros, há omissão por parte do Estado no cumprimento desse papel. 

PARA VER A ÍNTEGRA DA PESQUISA, ACESSE AQUI 

“O resultado disso aparece na proliferação de escolas médicas sem as mínimas condições de funcionamento. A grande maioria delas não tem professores qualificados e nem instalações adequadas. Como formar um bom médico sem um hospital de ensino disponível, sem campos de estágios? ”, indagou o vice-presidente da SBP, dr Edson Liberal. 

Um ponto relevante da pesquisa é que a opinião dos entrevistados concorda com a das entidades médicas, como a SBP e o CFM. De acordo com o inquérito, entre os principais problemas que interferem na qualidade dos cursos das faculdades de medicina no Brasil estão: a falta de hospitais de ensino e a de professores qualificados e preparados. Outros itens mencionados são a pouca fiscalização e monitoramento dos cursos; ausência de boas instalações, salas de aula e de laboratórios; além de déficit nas grades de programas.

 Atualmente, o Brasil tem 271 escolas médicas e é superado apenas pela Índia, com 381 escolas e população seis vezes maior (país mais populoso do planeta). Há mais der 24 mil vagas disponíveis. Para o secretário-Geral da SBP, a população já entendeu o risco que corre e, por isso, também apoia a proposta de que os estudantes sejam avaliados ao longo de sua graduação no 2º, no 4º e no 6º anos.

 

A enquete apontou que 76% são favoráveis às avaliações regulares e 91% também entendem que os alunos com desempenho ruim nas provas de 6º ano, já previstas na Avaliação Nacional Seriada dos Estudantes de Medicina (Anasem) que o Governo pretende colocar em prática a partir deste ano, não devem receber diploma. Em caso de reprovação neste teste, 89% afirmam que ao estudante devem ser oferecidas chances de recuperação dos conteúdos perdidos e de refazer todas as provas, incluindo aquelas onde o desempenho foi bom. Contudo, somente se aprovado, seriam diplomados. 

“Ao entregar certificados de conclusão de curso para alunos que, em exames específicos não conseguirem comprovar a competência, o conhecimento  e a habilidade necessários para atender a população, o Ministério da Educação assume a corresponsabilidade por eventuais danos e sequelas que venham a ser causados”, alertou o dr Sidnei Ferreira. 

Por outro lado, ele e o dr Edson Liberal concordam que não basta penalizar o estudante. “As escolas de onde vêm esses alunos devem ser orientadas a se qualificarem. É preciso que melhorem as condições de ensino e não transfiram para o estudante a responsabilidade de cobrir as lacunas que foram deixadas”, disse o vice-presidente da SBP. 

Na eventualidade de persistirem os resultados ruins dentre os alunos, a solução é penalizar essas instituições. “Sem dúvida, um estudante com mau desempenho é resultado de um ambiente de ensino inadequado. Assim, escolas com um histórico negativo devem ter vagas suspensas e, dependendo do caso, serem fechadas. O ensino médico é algo que precisa ser levado a sério, pois este profissional vai trabalhar em prol da vida e da saúde das pessoas”, alertou o dr Sidnei Ferreira.