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Vacina contra dengue vai integrar calendário da Criança e do Adolescente da SBP

Departamentos Científicos 28/09/2016

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A inclusão da vacina da dengue no Calendário de Vacinação da Criança e do Adolescente é uma das novidades previstas no relatório lançado nesta terça-feira (27) pelos Departamentos Científicos de Imunizações e de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Trata-se de uma vacina de vírus vivos atenuados, tetravalente, composta por quatro cepas recombinantes vivas atenuadas de vírus da dengue. Cada cepa expressa os genes da pré-membrana (prM) e do envelope de um dos quatro sorotipos do vírus, tendo como base (esqueleto) a cepa da vacina febre amarela 17D (YF 17D).

Contudo, apesar da novidade, a presidente da SBP, dra Luciana Rodrigues Silva, ressalta que para a efetiva prevenção à dengue o Brasil carece, na verdade, de ações governamentais voltadas para o saneamento, a adequada coleta de lixo e um processo de urbanização sustentável. Na sua opinião, esse conjunto de medidas articuladas podem ajudar a reduzir a incidência da dengue no País, evitando internações e óbitos.

Com respeito à introdução da vacina da dengue no calendário da SBP, dra Luciana Rodrigues disse que “a decisão dialoga com a preocupação da entidade de oferecer à sociedade orientações adequadas sobre as melhores formas de prevenir doenças nas crianças e adolescentes brasileiros”. Por outro lado, acrescentou que uma possível incorporação no calendário público, praticado no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), deve ser avaliada em relação, não só aos custos, mas também em relação à eficácia, logística de distribuição, população a ser vacinada, dentre outros aspectos. “Estamos diante de uma ferramenta que pode ser custo efetiva em saúde e bem-estar de milhares de pessoas, proporcionando uma economia com tratamentos ambulatoriais e hospitalizações. Sem contar os óbitos, pois uma vida não tem preço”, disse a presidente da SBP, dra. Luciana Rodrigues Silva.

AÇÃO COORDENADA – A construção do documento científico, pela primeira vez assinado por dois departamentos científicos da SBP, também contou com a colaboração da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), que também emitiram nota técnica sobre a eficácia da doença, recomendando que todas as pessoas recebam as doses da vacina.

“A dengue hoje é um enorme problema de saúde pública e a vacinação de crianças e adolescentes é importante. Ela possui uma boa eficácia, em torno de 65% para as formas moderadas da doença, mas este percentual cresce significativamente nas suas formas graves, com a eficácia ultrapassando os 90%”, explicou o dr. Renato Kfouri, presidente do DC de Imunizações da SBP.

Ele também lembra que a vacina não deve ser vista como a única forma de prevenção, mas deve se somar aos outros cuidados já divulgados, como eliminação de criadouros do mosquito, os quais devem ser tomados pela população.  Com respeito à administração da vacina, dr. Renato Kfouri lembra que gestantes, lactantes ou pessoas com deficiência imunológica não devem tomar a vacina.

O presidente do DC de Imunizações da SBP também ressalta que, após tomar a vacina, os indivíduos eventualmente poderão ter reações semelhantes a qualquer outro tipo de vacina, como mal-estar, febre e dores no corpo. “No entanto, esses sintomas são leves e passageiros”, disse.

PROBLEMA MUNDIAL – A dengue atinge cerca de 390 milhões de pessoas anualmente no mundo, dos quais 96 milhões, ou seja, 25% do total desenvolvem formas sintomáticas, 500 mil evoluem para formas graves da doença (hospitalização) e 25 mil morrem. Entre janeiro e agosto desse ano, no Brasil, já foram registrados 1.426.005 casos prováveis de dengue. A informação é do último boletim epidemiológico produzido pela Secretaria de Vigilância Sanitária (SVS), do Ministério da Saúde.

A região Sudeste registrou o maior número de casos prováveis (841.286 casos; 59,0%) em relação ao total do país, seguida das regiões Nordeste (310.161 casos; 21,8%), Centro-Oeste (163.501 casos; 11,5%), Sul (73.565 casos; 5,2%) e Norte (37.492 casos; 2,6%).  A análise da taxa de incidência de casos prováveis de dengue (número de casos/100 mil hab.), segundo regiões geográficas, demonstra que as regiões Centro-Oeste e Sudeste apresentam as maiores taxas de incidência: 1.058,8 casos/100 mil hab. e 981,1 casos/100 mil hab., respectivamente.

Entre as Unidades da Federação, destacam-se Minas Gerais (2.516,0 casos/100 mil hab.), Rio Grande do Norte (1.604,4 casos/100 mil hab.), Goiás (1.428,4 casos/100 mil hab.) e Mato Grosso do Sul (1.273,9 casos/100 mil hab.). Entre os municípios com as maiores taxas de incidência no mês de julho, por estrato populacional, em relação ao número de habitantes (menos de 100 mil habitantes, de 100 a 499 mil, de 500 a 999 mil e acima de 1 milhão de habitantes), destacam-se: Senador Sá/CE, com 1.208,1 casos/100 mil hab. (população<100 mil hab.); Arapiraca/ AL, com 142,8 casos/100 mil hab. (população de 100 mil a 499 mil hab.); Londrina/PR, com 36,7 casos/100 mil hab. (população de 500 mil a 999 mil hab.); e Fortaleza/CE, com 51,3 casos/100 mil hab. (população>1 milhão de hab.).

CASOS GRAVES E ÓBITOS – Até agosto, haviam sido confirmados 728 casos de dengue grave e 7.105 casos de dengue com sinais de alarme. No mesmo período de 2015, esse total foi de 1.481 casos de dengue grave e 19.449 casos de dengue com sinais de alarme.  A região com maior número de casos confirmados de dengue grave e de dengue com sinais de alarme é a região Sudeste, com 388 e 3.419 casos, respectivamente.

Foram confirmados 509 óbitos por dengue, o que representa uma redução no país de 37% em comparação com o mesmo período de 2015, quando foram confirmados 814 óbitos. Existem 466 casos de dengue grave ou dengue com sinais de alarme e 594 óbitos em investigação que podem ser confirmados ou descartados nas próximas semanas. Ressalte-se que os casos confirmados e óbitos inseridos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) podem ser excluídos a qualquer momento após a entrada no Sistema, pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde. Isso pode ocasionar diferenças nos números de uma semana epidemiológica para outra.