I Workshop de Retinopatia da Prematuridade


Foto:"aling="left"

Relatório
Instituto Brasileiro de Oftalmologia
Rio de Janeiro, 3-5 de outubro de 2002


O I Workshop de Retinopatia da Prematuridade (ROP) ocorreu no auditório do Instituto Brasileiro de Oftalmologia, Rio de Janeiro, de 3-5 de outubro de 2002, com o suporte do Programa Visão 2020-Agência Internacional de Prevenção da Cegueira (IAPB). Foi organizado pelo IAPB, Instituto Vidi, Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) com o apoio financeiro da Christoffel-Blinden Mission, Opto Eletrônica, Hoya e Alcon.

Sessenta e sete participantes de 17 cidades compareceram, entre pediatras, oftalmologistas, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, ortoptistas, um advogado e um especialista em telemedicina. Representantes de sociedades oftalmológicas (CBO, SBO, SBRV, SBOP), da Sociedade Brasileira de Pediatria, organisações não governamentais (Instituto Vidi e Christoffel-Blinden Mission), Secretaria Municipal do Rio de Janeiro e Agência Internacional de Prevenção da Cegueira (Juan Carlos Serrano-Representante para AL/Cegueira Infantil) compareceram ao evento com o intutito de discutir a situação da ROP no Brasil.

Países com economias em desenvolvimento e que estão implementando ou expandindo serviços de tratamento intensivo neonatal nos setores público e privado parecem apresentarum maior percentual de cegueira infantil por retinopatia da prematuridade. De um modo geral, os prematuros não estão sendo examinados para ROP, elevando a prevalência de cegueira e deficiência visual grave. Estima-se que das 100.000 crianças cegas na América Latina, 24.000 são cegas em decorrência da ROP1.

É difícil determinar o número atual de crianças com deficiência visual ou cegueira em decorrência da ROP no Brasil, assim como não há nenhum programa de diagnóstico ou tratamento a nível nacional. O que existe são iniciativas isoladas em algumas unidades públicas e privadas, que utilizam diferentes critérios de diagnóstico e tratamento.

O Brasil é um país de dimensões continentais e grande variação regional em relação ao desenvolvimento sócio-econômico. Em 2001, houve 3.5 milhões de nascidos vivos, sendo que 0,9% apresentaram peso de nascimento (PN) igual ou inferior a 1500g (aprox. 30.000 por ano). Os participantes estimaram que 75% dos prematuros (23.625) tem acesso a cuidados intensivos neonatais e que a sobrevida de recém nascidos (RN) com PN inferior a 1.500g encontra-se em torno de 60%. Estima-se que a cada ano sobrevivem em torno de 15.000 prematuros em risco de desenvolver ROP, os quais necessitam de exame de triagem para o diagnóstico de ROP. Há alguma variação na proporção dos RNs que evoluem para doença limiar, mas em torno de 5-10% daqueles em risco irão se beneficiar do tratamento, ou seja, 700-1.400 crianças por ano.

A manhã do primeiro e segundo dia foi destinada a conferências sobre: ROP como causa de cegueira no Brail e América Latina, fatores de risco, classificação, critérios de triagem, patogênese, epidemiologia, tratamento, orientação sobre o desenvolvimento visual em RNs prematuros com baixa visão e experiências com a implementação de programas de ROP em Recife, Rio de Janeiro e Bucaramanga, na Colômbia. Um especialista em telemedicina apresentou como se cria um banco de dados.

A tarde do primeiro e segundo dia foi dedicada a apresentação dos participantes, que mostraram a situação da ROP no Brasil. O sistema de saúde brasileiro é complexo, estando os hospitais públicos sob a gerência dos governos federal, estadual e municipal. Os níveis de cuidados neonatais diferem muito entre os diversos setores e entre os diversos estados. Não há informação disponível sobre o setor privado. Estima-se que haja 900 neonatologistas treinados, embora nem todos exerçam essa atividade. O país possui oftalmologistas bem treinados e qualquer treinamento adicional para o diagnóstico e tratamento, com o intuito de expandir programas, pode ser logo adquirido. Estima-se que haja 900 neonatologistas terinados em todo o país, embora nem todos estejam trabalhando em unidades neonatais. Nos grandes centros onde o screening já está sendo realizado, há disponibilidade de oftalmoscópios indiretos, lentes, unidades de crio e de forma mais restrita, lasers. Existem programas muito bons de atendimento a bebês prematuros portadores de baixa visão (BV), ligados a serviços universitários, hospitais públicos e instituições privadas. Esses serviços atendem um alto percentual de bebês prematuros com BV devido não apenas a problemas retinianos, mas também por comprometimento visual cortical. No entanto, esses programas são em número insuficiente face à grande demanda. Foram apresentados dados de 16 programas de diagnóstico e tratamento de ROP. A ROP estágio III + afetou cerca de 7.5% dos bebês examinados. O peso de nascimento e idade gestacional médios foram 948g e 28.5 semanas, respectivamente. No terceiro dia do Workshop, os participantes foram divididos em 4 grupos (Norte-Nordeste, Sul, Sudeste-Rio e Sudeste-São Paulo) com o objetivo de definir um programa de prevenção de cegueira para cada região. A diversidade do Brasil logo se evidenciou, uma vez que uma estratégia distinta foi adotada para cada região, de acordo com as necessidades de recursos humanos e tecnológicos. Sem dúvida que o Brasil possui ilhas de excelência, contudo existe uma necessidade de que todas as instituições no país tenham acesso à melhor conduta e tecnologia.

Conclusões:

• Existem programas de diagnóstico e tratamento muito bons, sob a coordenação de oftalmologistas e neonatologistas experientes (16 cidades)
• 2 cidades estão expandindo o programa de ROP: Recife and Rio de Janeiro
• 1 cidade já está examinando 100% dos bebês com PN< 1,500g: Joinville
• Muitas unidades ainda não tem programa
• Os programas estão sendo implementados de formas muito distintas
• Critérios de triagem, protocolos, e formulários de exame variam de unidade para unidade
• Tratamento está sendo realizado em quase todas as unidades, utilizando crio ou laser, com bons resultados
• Programas para orientação do desenvolvimento visual devem ser integrados aos programas de diagnóstico e tratamento de ROP para estimular o desenvolvimento da visão e prevenir o agravamento da perda visual em bebês prematuros
• Existem programas de habilitação visual muito bons (estimulação visual precoce)
• O complexo sistema de sáude torna a expansão dos programas um desafio
• Pesquisa é necessária

Constituição dos subcomitês locais

• Coordenação para o Brasil (Comitê de ROP-5 oftalmologistas e 5 neonatologistas)

Cronograma

Atividades para o Desenvolvimento dos Programas de ROP

2003

2004

Constituição dos Comitês locais

x

Defin e padronização dos critérios de exame e tratamento

x

Formulário de exame padronizado

x

Criação de um banco de dados

x

Treinamento de oft pediátricos e retinólogos

x

x

x

x

x

x

x

Equipar unidades selecionadas

x

Equipar outras unidades

x

x

Conhecimento da ROP para oftalmologistas, pediatras e enfermeiras

x

x

x

x

x

x

x

Diagnóstico e tratamento nas unidades

x

x

x

x

x

x

x

Monitorização dos Programas

x

x

Avaliação dos critérios padronizados de exame e tratamento

x

x

II Workshop ROP-Salvador-Bahia(CBO)

x

III Workshop ROP-São Paulo-SP(SBP)

x

Referência

1. Gilbert CE., Rahi J. and Quinn E. Visual Impairment and Blindness in Children. In Epidemiology of Eye Disease, 2002. In press. Ed Johnson, Weale, West, Minassian. Pub. Arnold.

Foto:"aling="left"

PATROCINADORES






Associados ASSOCIADOS

Acesse sua conta através de seu e-mail e senha.














INÍCIO|INSTITUIÇAO|CONGRESSOS & OUTROS EVENTOS|FALE CONOSCO
© Copyright 2010, SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA

SBP - Sede
R. Santa Clara, 292 
Rio de Janeiro - RJ 
CEP:22041-012  
Fone: 21-2548-1999
Fax: 21-2547-3567

FSBP
R. Augusta, 1939/53 
Sao Paulo - SP   
CEP:01413-000
Fone: 11-3068-8618 / 8901 /
8675 / 8595
Fax: 3081-6892

SBP - RS
R. Carlos Gomes, 328/305 
Porto Alegre - RS   
CEP:90480-000
Fone: 51-3328-4062 / 6337

SBP - MG
Padre Rolim, 123/301 
Belo Horizonte - MG 
CEP:30130-090
Fone: 31-3241-1128 / 1422

SBP - DF
SRTN 702 Conj. P 2106 a 2108
Brasília - DF
CEP: 70719-900
Fone: 61-3327-4927 / 3326-5926