Métodos de Avaliação do Desenvolvimento


Introdução

Neste capitulo serão abordados alguns dos vários métodos de avaliação de desenvolvimento global no período neonatal e da criança; de forma a servir de subsídios para a escolha de um método que permita uma avaliação formal e padronizada, seja qualitativa ou quantitativa. Na primeira parte constarão os métodos de avaliação usados no período neonatal, e na segunda aqueles que incluem o primeiro ano de vida geralmente até a criança na fase pré escolar.

1a Parte - MÉTODOS DE AVALIAÇÃO NO PERÍODO NEONATAL

Ricardo Nunes Moreira da Silva

A sistematização do exame neurológico do neonato é relativamente recente. Podem ser divididos em avaliação neurológica, comportamental e neurocomportamental.

1) PRECHTL = EXAME NEUROLÓGICO DO RN A TERMO

The Neurological Examination of the Full-term Newborn Infant

É um exame neurológico, podendo ser utilizado como um instrumento clinico ou de pesquisa, sendo extenso e bastante detalhado. Pode ser usado entre 38 e 42 semanas de vida, de preferencia após o terceiro dia de vida (apresentando menor validade antes deste dia). A avaliação de prematuros pode ser feita após a 38a semana de idade gestacional.

Foi um dos primeiros exames neurológicos a considerar a importância do estado de consciência do neonato como determinante da intensidade de muitas respostas. Definiu os estados ótimos para a aplicação de cada item do exame, com uma seqüência ideal de roteiro; a possibilidade de manusear o neonato para obtenção do estado ideal e o horário adequado para o exame (uma a duas horas após a mamada).

Estados de consciência (segundo Prechtl):

Estado 1 = olhos fechados, respiração regular, sem movimentos
Estado 2 = olhos fechados, respiração irregular, sem grandes movimentos corporais
Estado 3 = olhos abertos, sem grandes movimentos corporais
Estado 4 = olhos abertos, com movimentos amplos e sem choro
Estado 5 = olhos abertos ou fechados, chorando
Estado 6 = outros estados - descrever (ex. coma)

O exame começa com a observação do estado de consciência, postura de repouso e atividade espontânea. Continua com a testagem de um grande numero de reflexos (motores, vestibulares, oculares, cutâneos e orais) com o bebê em supino (dec. dorsal), prono (dec.ventral), e seguro de pé. Também inclui uma avaliação sistemática da resistência contra a movimentação passiva e a amplitude e força dos movimentos ativos. Durante toda a avaliação são observados: estado comportamental, respiração, atividade motora, postura, assimetria de respostas, coloração da pele e chôro.

A avaliação dos Reflexos/Reações é feita através de 33 itens e para Tonus/Postura/Movimentos são usados 24, com uma escala de 2 a 4 respostas possíveis para cada um. Também consta no exame, 6 itens relativos ao Exame Físico com um resultado descritivo.

São fornecidas instruções bem detalhadas quanto: estados de consciência adequados para cada item, método de obtenção das respostas, escore para definir intensidade/qualidade da resposta (bem como a presença de assimetrias), qual a resposta ótima e significado dos resultados encontrados e a evolução das respostas com o desenvolvimento.

Ao final do exame o bebê pode ser considerado normal ou enquadrado em uma das 4 síndromes descritas a seguir, em casos duvidosos deve-se descrever as respostas obtidas.

Muitas vezes pode ser necessário a interrupção do exame, quando o bebê estiver cansado ou não puder ser colocado no estado ideal de avaliação, para ser refeito em outra ocasião. Os exames seqüenciais são fundamentais para um diagnostico adequado.

SÍNDROMES
(segundo Prechtl)

Hemissindrome: presença de assimetria em pelo menos 3 itens: motilidade, sistema motor, postura ou respostas reflexas.

Hiperexcitabilidade: tremores de baixa frequencia e alta amplitude, reflexos tendinosos de média ou alta intensidade e reflexo de Moro com baixo limiar de obtenção. Pode haver também hipercinesia, aumento na resistência aos movimentos passivos, choro prolongado e instabilidade de estados.

Apatia: baixa intensidade e alto limiar de respostas, muitas respostas ausentes, hipocinesia e diminuição da resistência ante os movimentos passivos. O bebê é difícil de ser acordado: a função nervosa frequentemente está deprimida e geralmente e seguida de uma hemissíndrome.

Comatosa: respiração lenta ou anormal, despertar ausente ou débil ante os vários estímulos (dor/estimulação vestibular).

Existe um teste de screening mas não substitui a avaliação completa. A desvantagem desta avaliação e que é longa e complexa para ser administrada.

2) BRAZELTON  - ESCALA DE AVALIAÇÃO COMPORTAMENTAL NEONATAL
(Neonatal Behavioral Assesment Scale)

É um instrumento de análise do comportamento de bebês, desenvolvido para distinguir diferenças individuais entre bebês normais, especialmente as relacionadas ao comportamento social interativo. Segundo Brazelton, não é uma avaliação neurológica formal.

Pode ser usado em bebês entre 36 e 44 semanas e em prematuros quando atinjam 40 semanas. Existem restrições quanto ao uso em prematuros abaixo de 40 semanas, existindo para esse grupo, outra avaliação denominada APIB.

Avalia o bebê em um processo interacional, e depende de um estado de consciência adequado a cada item do exame. Considera sempre a melhor performance do bebê não devendo ser examinado após manipulações estressantes ou dolorosas.

Estados de consciência :(segundo Brazelton)

Estado 1 = sono profundo, sem movimentos, respiração regular
Estado 2 = sono leve, olhos fechados, algum movimento corporal
Estado 3 = sonolento, olhos abrindo e fechando
Estado 4 = acordado, olhos abertos, movimentos corporais mínimos
Estado 5= totalmente acordado, movimentos corporais vigorosos
Estado 6 = choro

Contem 28 itens comportamentais, numa escala de 9 pontos para cada item. avaliando a capacidade do bebê quanto a sua capacidade de:

a) organizar os estados de consciência
b) habituar-se ante eventos perturbadores
c) prestar atenção e processar eventos ambientais, simples e complexos
d) controlar a atividade motora e o tonus postural enquanto presta atenção a estes eventos
e) realizar atos motores integrados

Os itens de avaliação neurológica reflexa são retirados da avaliação de Prechtl, são 18 itens com escores numa escala de 4 pontos, servindo como um screening para anormalidades neurológicas grosseiras. Contém ainda 9 itens suplementares e opcionais, indicados para complementar o exame do bebê prematuro que atinjam o termo visando capturar mais suas fragilidades durante o exame. O exame dura 20 a 30 minutos com mais 15 minutos para as anotações. Não é recomendado a testagem de mais de dois bebês por período (manha/tarde).

O método de avaliação de Brazelton tem entre outras indicações do seu uso clinico:

. seleção de bebês com possíveis problemas motores ou comportamentais
. examinando o bebê na presença dos pais, avaliar em parte qual o impacto do comportamento do bebê no processo de vinculo pais-bebê
. fornecer uma avaliação de base para acompanhamento posterior, permitindo planejar um programa de intervenção

A desvantagem desse método reside em não ser uma avaliação neurológica formal, sendo que os itens neurológicos escolhidos segundo Prechtl, são inadequados para avaliação de normalidade/anormalidade.

3) DUBOWITZ - AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA DORN A TERMO E PREMATURO
(The Neurological Assessment of the Preterm and Full-term Newborn Infant)

É um exame neurocomportamental que incorpora itens das avaliações de Saint-Anne Dargassies, Parmelee, Prechtl, Brazelton e Dubowitz. Pode ser utilizado em bebês a termo e prematuros, durante o período neonatal.

O exame também leva em consideração os estados de consciência (segundo Brazelton) e começa com itens relacionados a habituação, tônus e movimentos, seguido da avaliação de alguns reflexos e termina com a aplicação dos itens neurocomportamentais. Cada item é registrado em 5 colunas de respostas, permitindo pequenas alterações no desenho esquemático ou marcação parcial do texto; referente a cada item, para se aproximar mais ao exame do bebê. Não sendo essencial a aplicação de todos os itens do exame se as condições do RN não permitirem; porem o seu uso seqüencial é fundamental para mostrar a evolução do mesmo. O exame demora em média 15 minutos.

Na opinião dos autores a avaliação deve ser:

a) um sistema de registro de dados simples e objetivo, adequado para ser aplicado por pessoas treinadas, mas sem formação especial em neurologia

b) para uso em prematuros e RN a termo

c) confiável de maneira a demonstrar os padrões de alterações devido as drogas, hipoxia, dificuldades de parto, traumas e outras influencias do meio ambiente

d) documentar através de um exame seqüencial a evolução normal de comportamentos neurológicos do prematuro e comparar com bebês a termo (de idades gestacionais correspondentes)

Uma desvantagem relativa deste método é ser menos detalhado que os demais, que lhe deram origem parecendo ser mais útil como um instrumento de rastreamento.

EXAME NEONATAL NEUROCOMPORTAMENTAL (DUBOWITZ)

Parte 1 
Parte 2 
Parte 3 
Parte 4 

4) AMIEL TISON

Vitoria Steinberg


Amiel Tison desenvolveu um método de avaliação neurológica de criancas nascidas a termo e descreveu padrões de desenvolvimento neuromotor a partir da 28a semana de gestação até o final do primeiro ano de vida. O exame deve ser feito no terceiro dia de vida e no final da primeira semana em caso de anormalidades.

Este método inclui a avaliação de:

. TÔNUS PASSIVO dos membros inferiores = através da postura e da medida dos ângulos de extensibilidade: calcanhar-orelha, ângulo poplíteo e flexor dorsal do pé, sinal do xale e manobra do recuo.

. TÔNUS ATIVO, principalmente tonus axial.

. QUALIDADE DOS REFLEXOS = sucção/deglutição, preensão palmar, resposta à tração dos membros superiores, reflexo de Moro, reflexo de extensão cruzada e marcha reflexa.

. FUNÇÕES SENSORIAIS = principalmente a visual

Observamos também: resposta a estimulação e consolabilidade.

Estes dados são importantes para a detecção precoce das anormalidades tônicas (hipertonia/hipotonia), assimetrias (ângulos de extensibilidade), alteração dos reflexos, distúrbios sensoriais-perceptivo e afetivo-emocionais.

A classificação das anormalidades neurológicas encontradas varia segundo o grau das alterações e da existência ou não de distúrbios da consciência ou da presença de quadro convulsivo. Foi então agrupada segundo Amiel Tison (1978) nas formas leve, moderada e grave.

. FORMA LEVE = inclui as alterações de tonus e hiperexcitabilidade, sem distúrbios da consciência ou dos reflexos arcaicos. As alterações desaparecem na metade dos casos ao final da primeira semana e o prognostico em geral é bom; exceto em alguns casos (10/1000) com deficiências leves na idade escolar.

. FORMA MODERADA = é a associação de distúrbios da consciência, hiporreatividade e hiporreflexia, consistindo num quadro de depressão do sistema nervoso central ao qual se juntam distúrbios variados de tônus; algumas vezes associados a convulsões isoladas Ao final da primeira semana, raramente se observa uma normalização do quadro com um prognóstico em aberto, o que implica num acompanhamento prolongado da criança. Observou-se que 20 a 40/1000 dos casos permanecem com seqüelas nas áreas: motora , cognitiva ou com distúrbios de comportamento.

. FORMA GRAVE = apresenta-se com coma, convulsões repetidas (mal convulsivo), associando-se com frequencia a distúrbios das funções do tronco cerebral. A mortalidade é elevada e a maioria dos sobreviventes evidencia seqüelas importantes, refletindo a severidade da encefalopatia hipóxico-isquêmica.

Conclusão

Trata-se de um método de avaliação neurológica que permite selecionar as criancas com anormalidades transitórias ou alterações tônicas, para acompanhamento ou tratamento precoces.

A seguir mostramos as tabelas de avaliação de tonus passivo, tônus ativo e respostas reflexas segundo Amiel-Tison.

Tabela 1, Tabela 2  e Tabela 3

Referências Bibliográficas

1- AMIEL-TISON, C.; GRENIER, A.; "Acompanhamento Neurológico durante o Primeiro Ano de Vida" (La Surveillance Neurologique au cours de la premirere annee de la vie),1985, Ed.Masson do Brasil Ltda.

2- AMIEL-TISON, C.; "Neurological evaluation of the maturity of newborn infants", Arch.Dis.Childh., 1968.

3- BRAZELTON, T.B.: "Neonatal Behavioral Assessment Scale" (BNBAS) Clin. Dev. Med., 2nd ed., Lippincott, Philadelplia, 1984.

4- DARGASSIES, S.A.S.; "Le developpement neurologique du nouveau-ne a terme et premature"; Paris, Ed. Masson, 1974.

5- DUBOWITZ,L; DUBOWITZ,V.: "The Neurological Assessment of the Preterm and Full-term Newborn Infant". Clin.Dev.Med. 79, Lippincott, Philadelfia, 1981.

6- KORNER,A.F.: "The Scope and Limitation of Neurologic and Behavioral Assessment of the Newborn". in Stevenson, D.K. e Sunshine, P eds: Fetal and Neonatal Brain Injury, B.C.Decker, Toronto, 1989.

7- PELLETIER J.; LYDIA, J.S.: "Neurological Assessment of the Preterm and Full-term Newborn Infant: an analysis". Phys. Occup. T. Pediatr. 6 : 93, 1986.

8- PROJETO BRASIL-FRANCA "Pesquisa sobre a morbidade neurológica do RN a termo nas Maternidades Publicas do RJ - utilizando o metodo de avaliação neurológica de Amiel-Tison", (Mat.Escola-UFRJ, Mat. Alex. Fleming, HSE, IFF), periodo set-1989/mai-1990.

9- STENGEL,T.J.; ATTERMEIER,S.M.; BLY, L; HERIZA, C.B.: "Evaluation of Sensorimotor Dysfunction". Pediatric Neurol.

10- THOMAS, A; DARGASSIES, S.A.S.; "Etudes Neurologique sur de nouveau-ne et le jeune nourrisson", Paris, Ed.Masson, 1972.

2a Parte - MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO

1 ) GESELL

Claudia Carelli

Os trabalhos de Gesell e a forma estruturada como estabeleceu o exame para diagnóstico dos desvios do desenvolvimento trouxeram enorme contribuição para a pratica da Pediatria do Desenvolvimento; servindo de base para estudos posteriores na área do comportamento infantil, assim como para a elaboração de outras escalas de desenvolvimento.

A padronização das respostas da criança em diferentes situações, nas idades cronológicas especificas, foram divididas em quatro aspectos principais:

1. COMPORTAMENTO MOTOR = aquisições motoras como: sustentar a cabeça, sentar, engatinhar, andar e incluindo-se também a atividade das mãos em pegar e manipular objetos.

2. COMPORTAMENTO ADAPTATIVO = organização e adaptação sensorio-motora frente aos estímulos, estando intimamente relacionado ao aspecto cognitivo.

3. COMPORTAMENTO DE LINGUAGEM = comunicação verbal e/ou não-verbal para compreensão e expressão.

4. COMPORTAMENTO PESSOAL-SOCIAL = reações da criança relacionadas a sua cultura social (influenciadas pelo ambiente).

Precedendo a avaliação da criança é feita uma entrevista com os pais para levantamento do histórico clinico e familiar. Para o exame são necessários materiais simples, como objetos e mobiliário, que obedecem a uma normatização. Observam-se os comportamentos acima descritos de maneira seqüencial e integrada nas idades-chave de: 4 semanas, 16 semanas, 28 semanas, 40 semanas, 12 meses, 18 meses, 24 meses e 36 meses.

O resultado final é quantitativo e expresso como quociente de desenvolvimento (QD). Quando a criança é prematura, deve ser utilizada a idade corrigida, principalmente no primeiro ano de vida.

O exame proposto por Gesell vem sendo utilizado no acompanhamento do desenvolvimento de criancas de risco; contudo a sua aplicação num contexto de atendimento por uma equipe multidisciplinar o torna mais abrangente e eficaz. Quando a criança é avaliada também sob o aspecto qualitativo, as possibilidades de falha diagnóstica diminuem, já que algumas criancas mesmo com uma disfunção neuromotora leve poderão ter um bom desempenho numa avaliação quantitativa. Outros exemplos de possível falha são os problemas de ordem emocional e de aprendizagem.

A seguir usaremos um caso para exemplificar a aplicação do Gesell.

CASO CLINICO: Criança com histórico de prematuridade, asfixia e problema respiratório.

(I) AVALIAÇÃO: Idade Cronológica: 1 ano e 2 meses / Idade Corrigida: 1 ano

CONDUTA MOTORA 7 meses 58%
CONDUTA ADAPTATIVA 1 ano 100%
CONDUTA LINGUAGEM compreensiva 11 meses 92%
expressiva 10 meses 83%
CONDUTA PESSOAL-SOCIAL 1 ano 100%

Quociente de Desenvolvimento (QD) = 85% - 87%

(II) AVALIAÇÃO: Idade cronológica: 3 anos e 2 meses

CONDUTA MOTORA 11 meses 30%
CONDUTA ADAPTATIVA 1 a e 9m 58%
CONDUTA LINGUAGEM 2 anos 66%
CONDUTA PESSOAL-SOCIAL 2 anos 66%

Quociente de Desenvolvimento (QD) = 55%

ANÁLISE DO RESULTADO: O acompanhamento do caso permitiu o diagnóstico clínico de quadriplegia espástica com componente atetóide. A evidente defasagem na área motora, na primeira avaliação é compatível com o diagnóstico, e o pior desempenho (QD) observado na segunda avaliação, também é decorrente do quadro motor. Porem a intervenção de uma equipe multidisciplinar permitiu que através de adaptações apropriadas, a criança fosse capacitada a responder em termos funcionais, qualitativamente, o mais próximo possível de sua idade nas varias situações de vida diária.

CONCLUSÃO: O teste de Gesell consiste num bom parâmetro para o acompanhamento do desenvolvimento, porem o diagnóstico funcional não deve se basear num item do exame, mas num conjunto de dados, dentro de uma avaliação por equipe multidisciplinar.

2) DDST = TESTE DE TRIAGEM DE DESENVOLVIMENTO DE DENVER

Alice Y. S. Hassano

O teste de triagem de desenvolvimento de Denver (DDST), como o nome indica, é um teste para triagem e não para diagnostico de anormalidades de desenvolvimento. Pode ser aplicado em criancas de 15 dias a 6 anos de idade.

Existe em duas formas: completa e abreviada, tendo como objetivo a detecção precoce de algum desvio, é utilizado para o acompanhamento do desenvolvimento de todas as crianças , sejam ou não de risco. Quando é aplicado em prematuros, ocorre discrepância considerável em seus resultados, dependendo do uso da idade cronológica ou corrigida. O uso da idade cronológica leva a um índice falso positivo bastante elevado para anormalidade e o da idade corrigida a uma superestimação da normalidade.

A avaliação é feita em quatro áreas:

. Motora grosseira
. Motora fina-adaptativa
. Pessoal-social
. Linguagem

A grande vantagem deste teste de triagem é a sua praticidade na aplicação. Os itens a serem avaliados são apresentados em forma de gráfico, e em cada marco do desenvolvimento, podemos observar os respectivos limites mínimo e máximo da idade de aparecimento.

Assim, as extremidades esquerda e direita de cada uma das barras, que representam os itens do DDST, indicam respectivamente as idades em que 25% e 90% das criancas normais executam os itens. Por exemplo, no item "permanece sentado sem apoio", da área motora grosseira do DDST, cuja representação gráfica é apresentada na figura, a extremidade direita da barra indica que 90% das criancas normais tem essa capacidade com idade próxima a 7 meses.

A aplicação desse item do teste em uma criança com 7 meses e meio de idade, que ainda não tem a capacidade de permanecer sentada sem apoio, indica que ela esta atrasada neste item em relação a 90% das criancas normais, que nesta idade já tem esta habilidade. Ainda que o desenvolvimento dela possa estar normal, podendo estar entre os 10% restantes que adquirem esta capacidade mais tarde, esse resultado é importante pois alerta o pediatra para a necessidade de acompanhá-la melhor para observações mais cuidadosas sobre a sua evolução neste e nos demais itens do teste. Lembramos que para a aplicação e interpretação corretas dos itens do Teste, é indispensável a consulta ao manual. Acrescentamos a seguir a nova tabela do DENVER II que embora ainda não traduzida, vem trazendo algumas mudanças em relação a anterior.

Nova Tabela do DENVER II 

3) ESCALA DE NANCY BAYLEY PARA BEBÊS

Denise Morsch

Nancy Bayley criou em 1953, uma primeira escala de desenvolvimento, especialmente de habilidades motoras até a idade de 3 anos, que foi posteriormente revisada e ampliada passando a se chamar BAYLEY SCALES OF INFANT DEVELOPMENT (1969).

Esta escala foi minuciosamente preparada e padronizada na Califórnia e rapidamente passou a ser utilizada em países anglo-saxônicos. Atualmente pode ser encontrada como referencia de avaliações do desenvolvimento da primeira infância em publicações dos mais diferentes países e centros de pesquisa em todo o mundo.

Sua utilização abrange criancas recém-nascidas até 30 meses de idade. Compreende 3 escalas: a Mental, que nos fornece o Índice de Desenvolvimento Mental (MDI); a Psicomotora, que fornece o Índice de Desenvolvimento Psicomotor (PDI) e a escala Comportamental.

ESCALA MENTAL = podemos obter informações sobre o funcionamento de capacidades sensoriais e perceptivas, discriminação, memória, capacidade em resolver problemas, linguagem, generalização e classificação. Seus itens apresentam uma ordem progressiva de sofisticação na realização das tarefas propostas, permitindo desta forma situar o nível de funcionamento de cada uma das funções avaliadas, o que facilita a compreensão das necessidades da criança e consequentemente a orientação familiar.

A avaliação quantitativa, por sua vez é feita através do número das questões ultrapassadas pelas crianças, diminuindo-se daquelas nas quais não se conseguiu alcançar as exigências do teste. O resultado obtido na forma de "score" bruto posteriormente e transformado no índice obtido pela criança através de tabelas por faixas etárias.

Abaixo, temos alguns exemplos de atividades propostas pela Escala Mental:

( Ver tabela )

ESCALA PSICOMOTORA = permite avaliar aspectos de motricidade fina, coordenação de movimentos a partir da resposta reflexa até a aquisição de movimento voluntário organizado e portanto do próprio controle que a criança apresenta em relação ao uso de seu corpo. A pontuação segue o mesmo padrão indicado anteriormente para a Escala Mental. Segue exemplo abaixo:

( Ver tabela )

ESCALA COMPORTAMENTAL = oferece uma avaliação especialmente qualitativa. Baseia-se na observação do comportamento que a criança apresenta durante as sessões de testagem, tanto em relação as atividades como em relação ao examinador e a seu acompanhante (em geral a figura materna). Ou seja, sua interação com as pessoas, objetos, atitudes, interesses, nível de atividade motora, busca ou afastamento da estimulação. Exemplo a seguir:

( Ver tabela )

*Tipo de conduta que pode ser observada.*

É importante lembrar que a autora refere que sua Escala de Avaliação não apresenta valor preditivo. Apenas sugere o desempenho da criança, no momento e nas áreas avaliadas. Ressalta que não se pode determinar as prováveis interferências que a criança recebe em seu desenvolvimento, especialmente as socio-afetivas.

Sua utilização em nosso meio ainda não dispõe de padronização para a nossa população, tendo em vista as características próprias de nossa cultura. Utilizada preferencialmente em ambulatório de Follow-up, usando-se a idade corrigida até os 2 anos. Seu uso tem facilitado o estudo de grupos específicos de crianças acompanhadas nestes Serviços além de facilitar a orientação de intervenções e sugestões de atividades lúdicas diárias do bebê junto a sua família.

4) ESCALA DE DESENVOLVIMENTO PSICOLÓGICO DE BEBÊS DE UZGIRIS E HUNT COM ADAPTAÇÃO DE DUNST.

Márcia C. Belloti de Oliveira
Leila Regina O.P. Nunes


Este conjunto de escalas é um instrumento de avaliação do desenvolvimento cognitivo de bebês de 0 a 24 meses.

É fundamentada em três obras de Piaget : "O nascimento da inteligência na criança", "A construção do real" e "Jogos, sonhos e imitação". Apresenta 126 itens, dos quais 73 são da escala original elaborada por Uzgiris e Hunt (1975), e 53 são itens propostos por Dunst (1980).

As escalas visam estabelecer o status do desenvolvimento de crianças pequenas, normais ou deficientes (adaptação proposta por Dunst), determinando também os pontos fracos e fortes nas 7 áreas ou domínios conforme discriminado abaixo:

Escala 1 - Seguimento e permanência de objetos.
Escala 2 - Desenvolvimento de meios para obtenção de eventos desejáveis no ambiente.
Escala 3a - Imitação vocal
Escala 3b - Imitação gestual
Escala 4 - Causalidade operacional
Escala 5 - Construção de objetos no espaço
Escala 6 - Esquemas para relacionar-se com objetos

Nessas escalas os itens vem dispostos em ordem hierárquica, de modo que o domínio de um item pressupõe o êxito nos itens anteriores. O ultimo item dominado pela criança mostra a sua melhor performance naquela escala Nelas não acessam o desenvolvimento da criança sob a forma de QI, ou qualquer outro quociente numérico, e sim sob a forma de desvios em relação a idade estimada. Representa a idade em que a criança conseguiu atingir o item mais avançado de cada escala, em comparação a maioria (moda) das criancas da mesma faixa etária. Uma outra diferenca em relação as escalas tradicionais, é que os procedimentos e os materiais podem ser utilizados de maneira mais flexível, de forma a facilitar maior envolvimento e consequentemente melhor desempenho da criança.

As Escalas Uzgiris-Hunt provém 8 tipos de medidas:

MEDIDAS QUANTITATIVAS 1. Idade funcional em cada escala (idade estimada)
2. Média das idades funcionais nas escalas
3. Escore de desvio (diferenca entre a idade cronológica ajustada para prematuridade e a idade esperada)
4. Média dos escores de desvio

MEDIDAS QUALITATIVAS 1. Nível de desenvolvimento sensório-motor (de acordo com os 6 estágios de Piaget)
2. Padrão do desenvolvimento: típico ou atípico
3. Extensão dos desvios ou variabilidade
4. Natureza dos desvios (positivos ou negativos)

Exemplo de Caso
Número da testagem: 1a testagem
Data(s) da(s) sessões: 27/11/1992
Local: auditório da Maternidade Fernando Magalhaes
Idade da criança: 4 meses
Filmado: não No do tape:     Segmento:
Observações: a criança tem uma boa interação com a mãe. Durante a primeira sessão foi feito uma pausa para a criança ser amamentada.
Pessoas participantes da testagem: equipe de psicólogos, pediatra e a mãe.

RESULTADOS:

( Ver tabela )

DEVOLUÇÃO: dia 10/05. Sugeriu-se a mãe que brincasse de esconder os objetos, brinquedos para a criança procurá-los; seria interessante se ela colocasse objetos em cima da fralda, por exemplo, para que a criança compreenda que pode utilizar as coisas do meio para conseguir o que quer. Sempre que puder conversar com a criança; proporcionar brincadeiras nas horas da alimentação, banho, etc. Percebe-se que a mãe e muito dedicada e estimula bastante a criança.

Referências Bibliográficas

1- BAYLEY,N.; "Consistency and variability in the growth of intelligence from birth to 18 years"; The Journal of Genetic Psychology, reprinted from vol:75:165-196.

2- BAYLEY SCALES OF INFANT DEVELOPMENT, American Psychological Corporation, 1969.

3- DUNST, C.; "A clinical and educational manual for use with the Uzgiris and Hunt Scales of Infant Psychological Development"; Baltimore, USA; University Pork Press, 1980.

4- ELLIMAN, A.M. et al. "Denver Developmental Screening Test and Preterm Infants"; Arch. Dis. Child., 60:20-4, 1985.

5- FRANKENBURG, W.K. et al. "Denver II Screening Manual". Denver, Denver Developmental Materials Incorp., 1990.

6- GESELL e AMATRUDA: "Diagnóstico do Desenvolvimento, avaliação e tratamento do desenvolvimento neuropsicológico do lactente e na criança pequena, o normal e o patológico". 3a edição, Rio de Janeiro, Livraria Atheneu, 1987.

7- HOLT,K.S.; "Child Development"; Butterworth Heinemann, London.

8- MAZET, STOLERU; "Manual de Psicopatologia do Recem Nascido"; Porto Alegre; Ed. Artes Médicas, 1990.

9- UZGIRIS, I.C.; HUNT, J.Mc.; "Assessment in infancy: Ordinal scales of psychological development"; Urbana, USA; University of Illinois Press, 1978.

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