O Curso de Reanimação Pediátrica (PALS)


O curso Pediatric Advanced Life Support (PALS) é um curso teórico-prático preparado para médicos e enfermeiros com o objetivo de capacitá-los no atendimento de crianças vítimas de trauma ou de situações agudas. Foi introduzido e é monitorado pela AHA, tendo sido aprovado e consagrado nos EUA desde a década de 1990. O curso tem como objetivos principais: (1) reconhecer as crianças em risco de parada cardiorrespiratória; (2) enfatizar as condutas médicas necessárias para prevenir a parada carrdiorrespiratória; (3) desenvolver habilidades cognitivas e psicomotoras na ressuscitação e estabilização iniciais das crianças em falência respiratória, choque e/ou parada cardiorrespiratória.

Em 1997, o curso PALS foi introduzido no Brasil através da SBC / Funcor. Quando da realização do curso de instrutores da SBP, em novembro de 1998, junto ao Hospital Albert Einstein, tivemos a supervisão do Dr. Nadkarni, então presidente do Subcomitê de Ressuscitação em Pediatria da American Heart Association.

O PALS é um curso de imersão, no qual o aluno se dedica integralmente por dois dias, estando sujeito às rígidas normas de horários e de atividades de grupo. Cada aluno recebe material didático para se preparar previamente para o curso (figura 2). Depois, é convidado a participar ativamente das atividades teórico-práticas, através de demonstrações, simulações e situações desafiadoras que mimetizam a realidade da vida profissional, tal como ocorre no pronto-atendimento, no pronto-socorro ou no hospital (figura 3).

O planejamento do curso PALS prevê a participação de 24 alunos e 6 instrutores, e é desenvolvido em local previamente selecionado, com exigências de infra-estrutura de área física apropriada e de disponibilização de material de consumo hospitalar. O curso se realiza com auxílio de manequins e equipamentos de alto custo, capazes de simular as situações reais (figura 4). Ao final do curso, o aluno é avaliado em relação ao seu desempenho e aproveitamento, recebendo uma carteira de capacitação em ressuscitação pediátrica, que tem validade por dois anos.

O que é a corrente de sobrevivência da criança ?

A corrente de sobrevivência da criança é uma representação simbólica de uma série de iniciativas e condutas que visam melhorar a sobrevida e a qualidade de vida das crianças (figura 5). Assim, a prevenção do trauma, a ressuscitação cardiopulmonar precoce, o acesso precoce ao sistema de emergência, o suporte de vida avançado precoce e, mais recentemente (2010), os cuidados pós-ressuscitação cardiorrespiratória são os elos da corrente que, tanto os profissionais como as instituições, devem buscar de acordo com a sua competência para melhorar a vida das crianças.

Vejamos os elos da corrente:

1º. A prevenção do trauma e das doenças prevalentes. No Brasil, o primeiro elo da corrente de sobrevivência para emergências pediátricas, envolve principalmente a abordagem dos acidentes e da doençarespiratória. Programas e medidas de prevenção de acidentes e da doença respiratória aguda são da responsabilidade dos profissionais de saúde, das organizações governamentais e não-governamentais, bem como da comunidade como um todo, sem esquecer a importância da mídia na divulgação dos mesmos. Nesse sentido a SBP tem realizado um amplo trabalho de divulgação e educação, através da Campanha de Prevenção de Acidentes. Outras organizações não-governamentais também desenvolvem ações educativas que visam a prevenção de acidentes na infância (www.criancasegura.org.br).

2º. A ressuscitação cardiorrespiratória precoce. O segundo elo da corrente de sobrevivência, ainda que no nosso meio seja de domínio exclusivo de profissionais da saúde, deveria ser mais difundida ainda entre os próprios médicos, como também entre pais e profissionais cuidadores de crianças. Os médicos em geral e os pediatras em particular devem estar capacitados a reconhecer crianças vítimas de trauma ou doentes, a realizar o primeiro atendimento, a conhecer os recursos de cuidados de emergência nas respectivas comunidades e a determinar o melhor momento e o melhor meio de transportá-la ao serviço de emergência ou ao hospital de referência. Da mesma forma, deveria ser estimulada a criação de sistemas de transporte seguros e eficientes para favorecer o acesso precoce aos serviços de emergência e/ou aos hospitais de referência.

Os responsáveis ou cuidadores de crianças em geral deveriam estar capacitados a reconhecer uma emergência, iniciar os cuidados de emergência (principalmente socorro respiratório) e chamar ou chegar rapidamente a um serviço de emergência. Para isso, deve-se estimular a realização de cursos de Suporte Básico de Vida (SBV) nas comunidades, bem como treinar adequadamente pais de crianças de alto risco em manobras de ressuscitação cardiorrespiratória (figura 6).

3º. O acesso precoce ao sistema de emergência. O terceiro elo da corrente de sobrevivência, pressupõe o conhecimento da existência de um Sistema de Emergência pelos usuários. Cabe ao gestor da saúde e aos profissionais de saúde de cada comunidade, monitorar a criação e/ou a manutenção de sistemas de emergência eficientes e de fácil acesso, inclusive com diferentes graus de complexidade. Dever-se-ia educar pais, responsáveis, irmãos mais velhos e funcionários de escolas e creches, sobre o uso apropriado do sistema de emergência local. Freqüentemente, os serviços do Sistema de Emergência são indevidamente utilizados para cuidados básicos de saúde, e subutilizados nas emergências de fato, perdendo a credibilidade ou a eficiência.

4º. O suporte avançado de vida precoce. O quarto elo da corrente de sobrevivência, de domínio exclusivo dos profissionais de saúde, deveria ser mais intensamente difundido entre os mesmos. Oportunidades de capacitação e de reciclagem para profissionais médicos na ressuscitação cardiorrespiratória devem ser estimuladas, tanto por instituições públicas quanto privadas, no sentido de qualificar o serviço oferecido à comunidade e/ou melhorar a sua eficiência (figura 7). Esses profissionais devem atuar depois como agentes estimuladores e multiplicadores de todas as ações de sobrevivência da criança vítima de trauma ou criticamente doente.

5º. Cuidados pós-ressuscitação cardiorrespiratória.  Na divulgação das novas diretrizes da ressuscitação, ocorridas no ano 2010, houve a inclusão de mais este elo na corrente da sobrevivência pediátrica.  Trata-se de um fechamento mais adequado a todo o processo de ressuscitação do paciente quando se obtém êxito no mesmo, ou seja, mantê-lo em Unidade de Cuidados Intensivos sob monitoramento e medidas de suporte tais que propiciem uma melhor sobrevida ao mesmo.

PATROCINADORES




Associados ASSOCIADOS

Acesse sua conta através de seu e-mail e senha.





 border=

 border=







INÍCIO|INSTITUIÇAO|CONGRESSOS & OUTROS EVENTOS|FALE CONOSCO

   
© Copyright 2010, SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA

SBP - Sede
R. Santa Clara, 292 
Rio de Janeiro - RJ 
CEP:22041-012  
Fone: 21-2548-1999
Fax: 21-2547-3567

FSBP
R. Augusta, 1939/53 
Sao Paulo - SP   
CEP:01413-000
Fone: 11-3068-8618 / 8901 /
8675 / 8595
Fax: 3081-6892

SBP - RS
R. Carlos Gomes, 328/305 
Porto Alegre - RS   
CEP:90480-000
Fone: 51-3328-9270 / 9520

SBP - MG
Padre Rolim, 123/301 
Belo Horizonte - MG 
CEP:30130-090
Fone: 31-3241-1128 / 1422

SBP - DF
SRTN 702 Conj. P 2106 a 2108
Brasília - DF
CEP: 70719-900
Fone: 61-3327-4927 / 3326-5926