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Mães querem pediatra atendendo seus filhos

A conclusão é de pesquisa Datafolha

As mães brasileiras querem ter seus filhos atendidos por pediatras. Parece óbvio, no entanto, os dois terços da população atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não têm este direito respeitado hoje no País. Se pudessem escolher, as mulheres teriam a saúde de suas crianças acompanhada pelo especialista no crescimento e no desenvolvimento – que sabem ser o "mais qualificado" para isto. Optariam também pelo "sistema particular", onde hoje há uma avaliação mais positiva do atendimento realizado. Esta é a realidade constatada pela pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Datafolha, a pedido da SBP, e que a entidade, "passado este período de final de ano onde nada se define", levará ao presidente da República: "vamos mostrar o que o povo quer ao responsável maior pela assistência à saúde", diz o dr. Dioclécio Campos Jr.

O presidente da entidade frisa que, agora "a preferência pela assistência pediátrica e a percepção de sua qualidade superior não é mais apenas uma opinião dos próprios médicos de crianças e adolescentes, mas uma realidade, constatada objetivamente". "Queríamos saber se esta era apenas uma impressão nossa ou se as mães notavam realmente diferença na assistência prestada pelo especialista", diz o vice-presidente da entidade, Fabio Ancona, sobre as razões que levaram a Sociedade a encomendar a pesquisa. O resultado é que 97% das entrevistadas responderam que consideram "muito importante" (69%) ou "importante" (28%) que o atendimento médico a seu filho seja feito pelo pediatra. Isso em todas as regiões geográficas, independente de renda, escolaridade, de ter ou não plano de saúde e da idade do filho. "Considerando-se que a margem de erro é de 3%, isso pode até ser 100%", assinala.

A consulta de campo foi feita nos dias 13 e 14 de setembro, com uma amostra de 1.646 entrevistas. Foi utilizada abordagem pessoal pelo método "intercept"– os pesquisadores foram a áreas de grande fluxo da população –, e aplicaram um questionário, abordando mulheres com idade entre 25 e 45 anos, mães de crianças de até 10 anos, de todas as classes econômicas e residentes em 12 capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Recife, Brasília, Goiânia, Campo Grande e Belém), das cinco regiões. Os dados foram depois ponderados segundo o peso da população feminina de cada capital, de acordo com os números do IBGE. O objetivo, além de saber a opinião das mães sobre o profissional mais indicado para o atendimento médico de seu filho, era obter informações

sobre hábitos de saúde, como números de consultas anuais, locais e avaliação do atendimento. Quando a mulher tinha mais de um filho com até 10 anos, foi feito sorteio e solicitado que respondesse a respeito apenas do escolhido.

Veja a foto

O perfil da entrevistada

A maioria das entrevistadas encontra-se na faixa etária de 25 a 34 anos (63%), com média de idade igual a 33. Compõem o perfil: grau de escolaridade médio (47%); 60 % trabalham, e destas 52% principalmente fora de casa (7% em casa com remuneração e 1% se enquadraram como "autônoma/ bico"); 48% pertencem à classificação econômica "C" – que leva em conta a renda familiar, escolaridade, propriedade de equipamentos eletrodomésticos, como televisão, rádio e freezer, além de automóvel e o fato de ter empregada doméstica mensalista, entre outros fatores. Assim, 44% vivem com até dois salários mínimos de renda familiar mensal (até R$700,00). Além disso, as participantes da pesquisa possuem, em média, 2,1 filhos, sendo 1,5 entre 0 a 10 anos – a faixa-alvo da pesquisa. É importante notar também que, considerando estes filhos, pouco mais de um terço possui plano de saúde (39%).

Veja o gráfico

Veja a foto:

particular nos dois casos é mais intenso entre as crianças da região Sul, entre as com 0 a 5 anos e as que possuem plano de saúde.
Mas, se pudessem escolher, as entrevistadas gostariam que seus filhos fossem atendidos pelo

sistema privado de saúde (76% na rotina e 74% na emergência), priorizando o hospital ou consultório particular nos casos de rotina (27% e 23%, respectivamente) e hospital particular ou de convênio no caso de emergência (38%). O desejo por um atendimento particular é mais forte entre as mães da região Sul e Nordeste e entre as que oferecem plano de saúde ao filho. "Nesse caso, a pesquisa mostra que não existe satisfação, que as mães queriam algo diferente do que ocorre hoje", comenta Fabio Ancona.

Profissional que prestaatendimento

Tanto nos casos de rotina, quanto nos emergenciais, um médico foi quem prestou atendimento à criança de até 10 anos (76% e 68%), destacando-se o pediatra (70% e 57%). Portanto, em 30% dos casos de rotina e em 43% dos emergenciais, a criança não é atendida por um especialista. Note-se que o atendimento pediátrico é mais presente entre crianças de 0 a 5 anos, enquanto o do clínico geral entre as de 6 a 10 anos. No entanto, "a emergência da criança não tem nada a ver com a de outras idades. A resposta é muito diferente", frisa dr. Fabio, lembrando que, por exemplo, "um quadro clínico que parece simplesmente uma desidratação, pode ser um problema infeccioso grave. Um adulto que tem dor de ouvido diz o que é e recebe tratamento localizado. Já uma criança chora, pode ter febre, tem sinais e sintomas gerais e diferentes. Não se pode atender uma criança na emergência sem estar preparado para isto!", indigna-se.

"Se é preciso conhecimento científico atualizado para garantir a qualidade das consultas que envolvem os cuidados essenciais com o crescimento e desenvolvimento da criança, a mesma exigência se impõe para os atendimentos de pronto-socorro, nos quais o risco de seqüelas pela inadequação da assistência é muito grande", adverte o dr. Dioclécio, lembrando os problemas que já começam a ser detectados no Programa Saúde da Família (PSF) – que não inclui o atendimento pediátrico – por pesquisas já divulgadas no SBP Notícias. Em Pernambuco, dois trabalhos apontaram para questões como "o baixo percentual na avaliação dos sinais de perigo" por parte dos profissionais do Programa, quando se trata de doença grave

Veja: gráfico1, gráfico2, gráfico3 

que requer encaminhamento para unidades de saúde mais complexas. No Rio Grande do Norte, a edição passada do jornal divulgou estudo que mostrou, entre outros problemas, que 40% das crianças atendidas no PSF tinham anemia e não foram devidamente tratadas pelos clínicos.

A preocupação da entidade com o atendimento adequado de crianças e adolescentes é também partilhada com as mães, já que 92% consideram o pediatra ideal para a consulta de rotina e para a de emergência, exatamente por sua qualificação, apontada como razão principal da preferência por 94% das entrevistadas.

Avaliação do atendimento

O atendimento de rotina é melhor avaliado (80% avaliação positiva, "ótimo+ bom") que o emergencial (66%): enquanto 39% julgam a consulta rotineira ótima, apenas 23% têm a mesma opinião sobre a de emergência. É de se ressaltar também que a avaliação positiva é mais presente entre as mulheres cujos filhos são atendidos por convênio médico, as com grau de escolaridade superior, as pertencentes à classe A/B e entre as com renda mensal mais alta. A avaliação regular e a negativa crescem conforme diminui a escolaridade da mãe, a renda familiar e a classificação econômica. Além de ser mais expressiva entre as mulheres com filhos não cobertos por planos de saúde. Dr. Ancona lembra ainda que, sendo a presença do pediatra mais freqüente nas consultas de rotina, conforme dados da pesquisa, "é possível que esta seja uma causa da melhor avaliação desse atendimento".

O fato é que, assinala o vice-presidente da entidade, "é de conhecimento geral a luta da Sociedade pela efetiva incorporação da pediatria no PSF, garantindo a todas as crianças o direito à melhor assistência de seu tempo". "Nossa posição é muito sólida, pois está plenamente identificada com os anseios da população", anima-se o dr. Dioclécio, referindo-se também à mobilização da categoria, comprovada em junho, quando mil pediatras acompanharam a diretoria na entrega de um documento ao Governo, em Brasília. "Nunca é demais assinalarmos que os filhos dos gestores da Saúde são atendidos pelo pediatra. Não é possível que apenas as classes média e alta tenham acesso a este direito. É urgente acabar com este fosso! Todos precisam ter os mesmos direitos", reafirma.

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