SBP lança Calendário de Vacinação para Adolescentes. (Pág. 11);


SBP Notícias 53 Fevereiro/ Março 2008

Departamentos Científicos/ Filiadas

"Detectamos que permaneciam muitas dúvidas sobre o que fazer a partir da adolescência. Além do mais, é importante incluir a vacina para Papilomavirus Humano (HPV), já indicada a partir dos nove anos", disse o dr. dr. Eitan Berezin, presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade, ao explicar porque a entidade decidiu lançar, pela primeira vez, um calendário específico para a faixa etária. "A infecção pelo Papilomavirus Humano é uma doença sexualmente transmissível e as pessoas infectadas têm uma chance muito maior de contrair câncer de colo de útero", lembrou. No caso de vacinas como Hepatite A e B, Varicela, Menigococo C, "foram incluídas nessa orientação específica para o caso de não terem sido aplicadas na idade adequada", acrescentou.

Só para crianças

No Calendário dirigido às crianças, foi acrescentada a recomendação de uma segunda dose da vacina contra varicela a partir de quatro anos, em todas as que tenham recebido apenas uma dose. "Há relatos de casos da doença em pacientes já vacinados e acredita-se que, com a segunda dose, haja uma diminuição significativa desse quadro", informou o dr. Berezin.

Calendário ideal para a Criança

Notas:

1. A vacina contra hepatite B deve ser aplicada nas primeiras 12 horas de vida. A segunda dose pode ser feita com um ou dois meses de vida. Crianças com peso de nascimento igual ou inferior a 2 Kg ou com menos de 33 semanas de vida devem receber o seguinte esquema vacinal: 1ª dose ao nascer; 2ª dose um mês após, 3ª dose um mês após a 2ª dose; 4ª dose, 6 meses após a 1ª dose (esquema 0, 1, 2 e 6 meses);

2. Os resultados dos estudos realizados no País para avaliação do efeito protetor da 2ª dose da vacina BCG demonstraram que esta dose adicional não ofereceu proteção adicional. Em junho de 2006, a aplicação da 2ª dose da vacina BCG foi suspensa do Calendário Nacional de Imunização. A indicação fica mantida apenas para os comunicantes domiciliares de hanseníase independente da forma clínica, com intervalo mínimo de seis meses após a primeira dose;

3. A 1ª dose da vacina contra rotavírus deve ser aplicada ao dois meses de idade (idade mínima seis semanas e no máximo até 14 semanas) e a 2ª dose aos 4 meses (idade mínima 14 semanas e no máximo 25 semanas);

4. A vacina DTP (células inteiras) é eficaz e bem tolerada. Quando possível, aplicar a DTPa (acelular) devido a sua menor reatogenicidade;

5. Como alternativa à vacina dT, pode ser administrada a vacina dTpa (tríplice acelular tipo adulto) aos 15 anos. Esta vacina apresenta proteção adicional para coqueluche;

6. Se usada uma vacina combinada Hib/DTPa (tríplice acelular), uma quarta dose da Hib deve ser aplicada aos 15 meses de vida. Essa quarta dose contribui para evitar o ressurgimento das doenças invasivas a longo prazo;

7. Recomenda-se que todas as crianças com menos de cinco anos de idade recebam VOP nos Dias Nacionais de Vacinação. A vacina inativada contra poliomielite (VIP) pode substituir a vacina oral (VOP) em todas as doses, preferencialmente nas duas primeiras doses.

8. A vacina contra Influenza está recomendada dos seis meses aos dois anos para todas as crianças. A partir daí, passa a ser indicada para grupos de maior risco, conforme indicação do Centro de Imunobiológicos Especiais. A primovacinação de crianças com idade inferior a nove anos deve ser feita com duas doses com intervalo de um mês. A dose para aqueles com idade entre seis meses e 36 meses é de 0,25ml e depois dos três anos de idade é de 0,5 ml / dose. A partir dos nove anos é administrado apenas uma dose (0,5 ml) anualmente. A doença é sazonal e a vacina é indicada nos meses de maior prevalência da gripe, estando disponível apenas nessa época do ano, sendo desejável a sua aplicação antes do início da estação;

9. A segunda dose da SCR (contra sarampo, caxumba e rubéola) pode ser aplicada dos quatro aos seis anos de idade, ou nas campanhas de seguimento. Todas as crianças e adolescentes devem receber ou ter recebido duas doses de SCR, com intervalo mínimo de um mês. Não é necessário aplicar mais de duas doses;

10. A vacina de varicela em dose única protege contra formas graves da doença. Recomenda-se uma segunda dose em crianças menores de quatro anos de vida que receberam apenas uma dose da vacina e apresentem contato domiciliar ou em creche com criança com a doença. A vacina pode ser aplicada até 96 horas após o contato. O intervalo entre a primeira e segunda dose deve ser de três meses;

11. A vacina contra febre amarela está indicada para os residentes e viajantes para as áreas endêmicas, de transição e de risco potencial. A aplicação desta vacina deve ser feita a partir dos nove meses;

12. Recomendam-se duas doses da vacina conjugada contra Meningococo C no primeiro ano de vida, e uma dose de reforço entre 12 e 18 meses de idade. Após os 12 meses de vida, deve ser aplicada em dose única.

SBP - Calendário de Vacinação para Adolescentes - 2008

Idade: dos 9 aos 19 anos

Vacinas

Primovacinação

Reforço

Recomendação Geral

Hepatite B 1

Esquema completo com 3 doses: não é necessário repetir
Esquema incompleto: somente completar o esquema com doses faltantes
Não vacinado: 3 doses

 

dT ou dTpa (Difteria, Tétano e Coqueluche acelular) 2

Esquema completo com 3 doses: não é necessário repetir
Esquema incompleto: somente completar o esquema com doses faltantes
Não vacinado: 3 doses

1 dose a cada 10 anos

Poliomielite (VIP) 3

3 doses

 

Sarampo, Caxumba e Rubéola (SCR) 4

1 dose

1 dose

Varicela5

2 doses

 

Hepatite A 6

2 doses

 

Meningocócica conjugada 7

1 dose

 

 

 

HPV 8

3 doses

 

Pacientes com Recomendações Especiais

Influenza 9

1 dose anual

 

Haemophilus influenzae tipo b 10

1 dose

 

Pneumocócica 23-valente 11

1 dose

 

Recomendadas de acordo com a condição epidemiológica

Febre Amarela12

1 dose

1 dose a cada 10 anos

1. Vacina contra Hepatite

O esquema vacinal deve ser de 0-2-6 meses, sendo 16 semanas o intervalo mínimo entre a dose 1 e a dose 3. Até o momento não se recomenda uma quarta dose de reforço. Caso exista necessidade de vacinar para hepatite A e B pode-se utilizar vacina combinada.

2. Vacina Tríplice Bacteriana (contra difteria, tétano e coqueluche)

Se a vacinação básica (série primária com cinco doses) for completa, os reforços devem obedecer o intervalo de 10 em 10 anos e podem ser realizados com a vacina dT. Recomenda-se a aplicação de pelo menos um reforço com a vacina dTpa (tríplice bacteriana tipo adulto). Reforços subseqüentes devem ser realizados com a vacina dT. Se a vacinação básica do adolescente for incompleta (inferior a tres doses), deve-se complrtar o esquema até três doses, sendo apenas uma delas dTpa. Seguir fazendo os reforços nos intervalos recomendados.

Se o adolescente nunca tiver sido vacinado ou desconhecer seu estado vacinal, um esquema de três doses deve ser indicado, sendo a primeira delas com dTpa, seguida por duas doses de dT. O intervalo entre a dose 1 e a dose 2 deve ser de, no mínimo, quatro semanas e entre a dose 2 e a dose 3 deve ser de, no mínimo, seis meses. É altamente recomendável que a vacina dTpa substitua UMA dose das três nesta série.

3. Vacina inativada contra Poliomielite (VIP)

Adolescentes que receberam primovacinação adequada com VOP ou VIP não necessitam doses de reforço de rotina para esta vacina. Indivíduos com idade superior a sete anos não vacinados com a série primária de OPV podem ser vacinados com três doses de VIP, respeitando-se o intervalo de quatro semanas entre as doses.

4. Vacina Tríplice Viral

Os indivíduos que receberam apenas uma dose da vacina, depois de um ano de idade, devem receber uma segunda dose completando o esquema vacinal indicado para as crianças com menos de 6 anos de idade. Indivíduos não vacinados devem receber duas doses da vacina Tríplice Viral, com intervalo mínimo de 30 dias.

5. Vacina contra Varicela

Adolescentes susceptíveis com mais de 13 anos de idade devem receber duas doses da vacina, com quatro semanas de intervalo entre as doses.

6. Vacina contra Hepatite A

Indivíduos susceptíveis devem receber duas doses da vacina com intervalo de 6-12 meses entre a dose 1 e a dose 2. Aqueles que receberam apenas uma primeira dose da vacina devem completar o esquema vacinal.

7. Vacina conjugada contra Meningococo sorogrupo C

Aplicada em dose única, naqueles indivíduos não vacinados na série primária de vacinação.

8. Vacina contra Papilomavírus Humano (HPV):

Indicada para meninas e mulheres de nove até 26 anos de idade em três doses: 0-2-6 meses (com dois meses de intervalo entre a 1ª e a 2ª dose e a 3ª dose seis meses após a 1ª dose) .

9. Vacina contra Influenza

É indicada em dose única, anualmente, para indivíduos que se constituem em grupo de risco para a infecção, ou que convivem intimamente com pessoas que representam grupo de risco para a infecção, independente de terem feito o esquema básico de vacinação contra Influenza no primeiro ano de vida ou de seguirem recebendo a vacina anualmente. A vacina deve ser aplicada no início da estação de Influenza

10. Vacina contra Haemophilus influenzae tipo B

Independente do tipo de vacina contra esse agente, conjugada ou polissacarídica, essa vacina não é recomendada para indivíduos com mais de 60 meses, a não ser existam fatores de risco conhecidos para a doença após essa faixa de idade. Deve ser aplicada em dose única nos indivíduos que têm indicação para essa vacina [grupos de alto risco para doenças invasivas causadas pelo Hib, como aqueles com asplenia funcional ou anatômica, imunossuprimidos (particularmente, pessoas com deficiências nas subclasses de IgE), imunossuprimidos devido a tratamento quimioterápico para câncer, indivíduos infectados pelo HIV].

11. Vacina polissacarídica 23-valente contra pneumococos

Aplicada em dose única nos indivíduos que têm indicação para essa vacina (grupos de risco para a doença pneumocócica, como os pessoas com doenças crônicas - cardiopatas, pneumopatas, diabetes mellitus, alcoolismo, cirrose, fistula liquórica-; indivíduos acima de 60 anos; pessoas imunossuprimidas-asplenia funcional ou anatômica, Doença de Hodgkin, linfoma, mieloma múltiplo, falência renal crônica, síndrome nefrótica ou transplantados, ou outras condições que levem à imunossupressão-;pessoas infectadas pelo HIV assintomáticas ou sintomáticas), e que não receberam vacinação primária com PC7V. Aplicar uma segunda dose da vacina cinco anos após a primeira em imunocomprometidos ou acima de 60 anos de idade, quando vacinados com uma dose antes dessa faixa etária.

12. Vacina contra Febre Amarela

Em dose única, para todos que habitam áreas endêmicas. Viajantes para áreas endêmicas recomendadas (em território nacional ou internacional), lembrando que os reforços são feitos a cada 10 anos.

Atenção especial com a dengue nas crianças!

A dengue na criança merece uma atenção especial por se expressar clinicamente, na maioria dos casos, como uma síndrome febril com sinais e sintomas inespecíficos, que podem ser confundidos com outros quadros infecciosos febris típicos da faixa etária (infecção urinária, gripe, malária, doenças exantemáticas virais, dentre outras). Portanto, diante de uma criança com doença febril aguda é importante: definir se é caso suspeito de dengue; aferir a pressão arterial (duas posições); realizar prova do laço; incentivar a oferta de líquidos; informar a família sobre os sinais de alarme (dor abdominal intensa e contínua, vômitos freqüentes e abundantes, queda brusca da temperatura, irritabilidade, sonolência) – que indicam tendência de evolução para formas mais graves –; orientar sobre os sintomáticos "permitidos"; notificar a vigilância epidemiológica.

A evolução para as formas mais severas pode ocorrer já na primeira infecção, entre o 3º e 4º dia de doença, na defervescência da febre. O processo é caracterizado por sintomas que traduzem o extravasamento de líquido (plasma) e precedem fenômenos hemorrágicos espontâneos ou induzidos, culminando com sinais de insuficiência circulatória, típicos da febre hemorrágica da dengue.

As manifestações clínicas da dengue atualmente estão mais severas, o que é atribuído a vários fatores, entre os quais a virulência da cepa viral, a circulação simultânea de vários sorotipos, a desregulação da resposta imune e a amplificação da resposta imune, como ocorre na reinfecção. Dentre as teorias mais aceitas está a chamada seqüencial, que explica a maior gravidade em uma segunda infecção, provocada por um sorotipo diferente da primeira, em função de uma resposta amplificada do organismo, previamente sensibilizado.

A forma clínica clássica da dengue é mais encontrada no adulto. As crianças, no entanto, são mais vulneráveis às formas graves, pela imaturidade imunológica. Além disso, anticorpos maternos transmitidos durante a gestação podem funcionar com a "primeira infecção", ampliando a resposta do organismo, como a que ocorre na reinfecção no adulto.

Dra. Consuelo Oliveira /Departamento de Infectologia da SBP

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