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Os dez passos da alimentação saudável para crianças menores de dois anos

"Feijão é pesado para bebês"? "Folha é comida de coelho"? Parece incrível, mas assim pensam algumas mães do Brasil. Mitos que acabam se refletindo no cardápio das crianças. Para conhecer melhor a realidade nutricional do país, um estudo de mais de dois anos foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde, Organização Panamericana da Saúde e Organização Mundial da Saúde, com a participação da SBP, e envolveu cerca de 300 profissionais de universidades e serviços das cinco regiões brasileiras. Daí surgiu o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos – Embasamento Científico, Diagnóstico da Situação Alimentar e Nutricional e Recomendações. O trabalho será lançado no final de março, segundo informa o Ministério.

De acordo com a coordenadora do projeto na Região Nordeste, dra. Cristina Gomes do Monte, que participou como representante do Departamento de Nutrição da SBP, "um dos pontos mais importantes é que foram levadas em consideração as realidades sócio-culturais brasileiras". Dr. Fernando José de Nóbrega, presidente do mesmo Departamento, destaca que o estudo tem o objetivo de reduzir a mortalidade infantil e gerar adultos mais saudáveis.

Um folheto com o resumo das recomendações contidas na publicação, denominado "Os dez passos da alimentação saudável para crianças brasileiras menores de dois anos", foi distribuído durante a última Semana Mundial da Amamentação, em Brasília, e também no Congresso Brasileiro de Pediatria, em Fortaleza. A publicação reforça a importância do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade que, no Brasil, tem média de 33,7 dias e orienta no processo de transição para os demais alimentos. O SBP Notícias publica a seguir o documento, que também pode ser obtido na Internet (desde que o usuário tenha instalado em seu computador o programa Acrobat Reader). O endereço é: http://www.opas.org.br/noticias/publicacoes/pdf/10passos.PDF

PASSO 1 – Dar somente leite materno até os seis meses, sem oferecer água, chás ou quaisquer outros alimentos.

O leite materno contém tudo o que a criança necessita até os 6 meses de idade (...). A criança que recebe outros alimentos além do leite materno antes dos seis meses, principalmente através de mamadeira, incluindo água e chás, pode adoecer mais e ficar desnutrida.

PASSO 2 – A partir dos seis meses, oferecer de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais.

(...) Com a introdução da alimentação complementar, é importante que a criança receba água nos intervalos das refeições.

PASSO 3 – A partir dos seis meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes) três vezes ao dia, se a criança receber leite materno, e cinco vezes ao dia, se estiver desmamada.

Se a criança está mamando no peito, três refeições por dia com alimentos adequados são suficientes para garantir uma boa nutrição e crescimento no primeiro ano de vida. No segundo ano, devem ser acrescentados mais dois lanches (...). Se a criança não está mamando no peito, deve receber cinco refeições ao dia com alimentos complementares já a partir do sexto mês. Algumas crianças precisam ser estimuladas a comer (nunca forçadas)

PASSO 4 – A alimentação complementar deve ser oferecida sem rigidez de horários, respeitandose sempre a vontade da criança.

Crianças amamentadas no peito em livre demanda desenvolvem muito cedo a capacidade de autocontrole sobre a ingestão de alimentos, aprendendo a distinguir as sensações de saciedade após as refeições e de fome após o jejum (...).

PASSO 5 – A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida de colher; começar com consistência pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a sua consistência até chegar à alimentação da família.

(...) A partir dos oito meses, podem ser oferecidos os mesmos preparados para a família, desde que amassados, desfiados, picados ou cortados em pedaços pequenos. Sopas e comidas ralas/moles não fornecem energia suficiente para a criança. Evitar o uso da mamadeira. Recomenda- se o uso de copinhos para oferecer água ou outros líquidos e dar os alimentos semi-sólidos e sólidos com prato e com a colher.

PASSO 6 – Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é uma alimentação colorida.

(...) Só uma alimentação variada garante a quantidade de ferro e vitaminas que a criança necessita. O ferro dos alimentos é melhor absorvido quando a criança recebe, na mesma refeição, carnes e frutas ricas em vitamina C (...). É comum a criança aceitar novos alimentos apenas após algumas tentativas e não nas primeiras. O que pode parecer rejeição é resultado do processo natural da criança em conhecer novos sabores e texturas e da própria evolução da maturação dos seus reflexos. Os alimentos devem ser oferecidos separadamente, para que a criança aprenda a identificar cores e sabores (...). As porções não devem ser misturadas no prato.

PASSO 7 – Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições.

(...) São importantes fontes de vitaminas, cálcio, ferro e fibras. Para temperá-los, recomenda-se o uso de cebola, alho, óleo, pouco sal e ervas (salsinha, cebolinha, coentro).

PASSO 8 – Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas, nos primeiros anos de vida. Usar sal com moderação.

Açúcar, sal e frituras devem ser consumidos com moderação, o excesso pode trazer problemas de saúde no futuro. O açúcar somente deve ser usado na alimentação da criança após um ano de idade. (...) Deve-se evitar alimentos muito condimentados (pimenta, mostarda, "catchup", temperos industrializados).

PASSO 9 – Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir o seu armazenamento e conservação adequados.

(...) Os alimentos oferecidos devem ser preparados pouco antes do consumo (...). Os alimentos devem ser guardados em local fresco e protegido de insetos e outros animais. Restos de refeições que a criança recusou não devem ser oferecidos novamente.

PASSO 10 – Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação.

(...) Deve-se oferecer um volume menor de alimentos por refeição e aumentar a freqüência de oferta de refeições (...). No período de convalescença, recomenda-se acrescentar pelo menos mais uma refeição.

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