Página 3 - Falam os especialistas


Crianças com necessidades especiais A OMS estima que 10 a 15% da população de um país subdesenvolvido apresente algum tipo de deficiência. Seriam,  no Brasil, 7 a 10 milhões de crianças e adolescentes portadores de alguma necessidade especial na área mental (50%), física (20%), auditiva (15%), visual (5%)ou mista (10%). De 12 a 16 de junho, em Cuiabá (MT), o 4º Congresso Brasileiro Integrado de Pediatria Ambulatorial, Saúde Escolar e Cuidados Primários vai discutir a questão. O Dr. Byron Emanoel de Oliveira Ramos abordará as “Dúvidas e inseguranças no manejo ” dessas crianças. . Recentemente, a SBP criou um Grupo de Trabalho (GT)para tratar do assunto e convidou a dra. Luci Yara Pfeiffer Miranda para coordená-lo. O SBP Notícias entrevista, a seguir, os dois pediatras com grande experiência na área.

SBP Notícias: Dra. Luci, qual a proposta do GT?

O GT vem desenvolvendo propostas em rela ção ao acompanhamento do recém-nascido de risco e bebês com distúrbios de desenvolvimento, nos quais a identificação do risco, o diagnóstico precoce e a assistência adequada podem dar a estas crianças a chance de uma vida normal. Gostaria de solicitar a todos os presidentes das Filiadas e àqueles que desenvolvem trabalhos nesta área, que entrem em contato conosco. Pretendemos contar no GT com profissionais das cinco regiões do país. Nosso plano inicial inclui o levantamento da situação geral das crianças e adolescentes de risco e portadores de necessidades especiais, assim como dos protocolos de atendimento, projetos e progra- mas viáveis e de real benefício existentes; passa pela implementação de programas de divulgação e, se necessário, capacitação, para todas as Filiadas, visando a multiplicação das propostas e projetos.

SBP Notícias: O que o pediatra pode fazer para prevenir as deficiências?

Muitas vezes são medidas simples, como a vacinação das adolescentes e mulheres em idade fértil contra rubéola, ainda uma das maiores causas de surdez na infância. O diagnóstico precoce possibilita o tratamento e uma vida saudável, evitando a instalação da deficiência nas patologias tratáveis, como catarata congênita, ou Retinopatia da Prematuridade. É ainda necessário o acompanhamento diferenciado e a estimulação precoce, visando a utilização do potencial de desenvolvimento não afetado por patologias já instaladas, como lesões cerebrais secundárias à hipóxia perinatal, ou a doenças como Sífilis e Toxoplasmose Congênita, ou mesmo Síndromes Genético-cromossômicas. Esta assistência dirigida ao tratamento multidisciplinar pode minimizar as seqüelas e permitir uma vida útil e feliz. Quanto aos casos provenientes de malformações ou doenças graves,  muitas vezes podemos apenas melhorar a qualidade de suas vidas. Mas este “apenas ” – que pode se resumir a uma atenção especial, à assistência e apoio emocional – é fundamental. Não é preciso que se tenha uma especialidade para se acompanhar as necessidades básicas de atendimento do portador de deficiências, pois as manifestações das doenças ditas próprias da infância, das suas infecções virais ou bacterianas serão, na maioria dos casos, as mesmas das outras crianças, bem como seu tratamento. O que é necessário é uma visão global da criança, sua patologia básica, suas limitações no entendimento do que está acontecendo, bem como dos procedimentos a serem executados.

SBP Notícias: Dr. Byron, qual o seu depoimento?

Como pediatra e educador, trabalhando juntoàs famílias e a uma equipe multiprofissional, pude refazer conceitos e diagnósticos no atendimento a estas pessoas rotuladas e classificadas orgânica e funcionalmente por suas “deficiências ”.   Reforçam-se as faltas, esquecendo-se de outros fatores que envolvem aspectos sociais, políticos, culturais e psicológicos. Mudanças foram ocorrendo em meu trabalho,  na medida em que fui compreendendo minha formação médica centrada no modelo biológico, reducionista, que não conseguia explicar o desenvolvimento de crianças com algum tipo de deficiência. O preconceito social e o rótulo que lhes são atribuídos comprometem sua auto-estima, refletindo conseqüentemente em sua aprendizagem,  tanto no ambiente escolar quanto familiar, gerando angústia, solidão e inutilidade. Embasados nas teorias de Vigotsky, acreditamos que todos somos eficientes e deficientes em algumas coisas e em certos momentos de nossas vidas;que as possibilidades e neuroplasticidades são capazes de recuperar, refazer e promover saúde biopsicossocialmente, desde que haja estratégias pedagógicas tecnicamente adequadas, entornos sociais estruturados, profissionais capacitados, sensibilizados, comprometidos e pessoas amorosas,  para cuidar de “crianças especiais ”.

Todos somos eficientes e deficientes

Aprendemos e crescemos a partir destas relações. Não devemos esquecer que as crianças em situação de risco social, por estarem nas ruas ou vivendo em
ambientes familiares desestruturados, passam a apresentar problemas de aprendizagem e são “portadores de necessidades especiais circunstanciais ”. Minhas dúvidas e inseguranças continuarão sempre. Pude compartilhá-las com outros profissionais:psicólogos, psicopedagogos, psiquiatras, fonoaudiólogos,   neuropediatras e professores de educação física adaptada, que fizeram com que eu tivesse um outro olhar e compreensão sobre os portadores de necessidades especiais e seus familiares, ajudando-os e facilitando seu desempenho e uma melhor aceitação, para que pudessem ser mais felizes, exercendo sua cidadania e o merecido respeito da sociedade.

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