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Formação e áreas de atuação da pediatria

Arquivo 28/11/2011


Drs. Dennis Burns e Clóvis Constantino, em pé. Na mesa, dras. Ana Cristina Zollner, à esq., e Maria do Patrocínio Nunes.

A SBP e a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), do MEC e do Ministério da Saúde, se reuniram, na última terça-feira, em São Paulo, para conversar sobre os pleitos da entidade em relação às áreas de atuação pediátricas. “O encontro foi muito produtivo. Chegamos a um bom termo”, comenta a diretora de Ensino e Pesquisa da Sociedade, dra. Sandra Grisi. A discussão ocorreu na Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), anfitrionada pelo presidente da filiada, dr. Clóvis Constantino. Pela CNRM, participaram a secretária executiva, dra. Maria do Patrocínio Tenório Nunes, e também os drs. Edinaldo da Fonseca Lemos, Ramiro Anthero de Azevedo e Ana Cristina Ribeiro Zollner, que é ainda 2º secretária da SPSP.

“Há algum tempo vimos encaminhando a solicitação de melhoria da formação, com ampliação dos programas e do tempo de residência de um para dois anos. Já inclusive fomos atendidos em algumas, como Neonatologia, Nefrologia, Hematologia Pediátricas e Terapia Intensiva. Em outras, como Gastroenterologia, Nutrologia, Endocrinologia, Alergia-Imunologia e Cardiologia Pediátricas, ainda não”, informa o dr. Dennis Burns. “O fato é que a tecnologia envolvida cresceu consideravelmente nos últimos tempos e um ano já não é suficiente para que o médico tenha o contato com a prática, o treinamento que fará com que adquira as competências necessárias”, frisa, acrescentando que essa também foi a posição dos representantes da CNRM.

Dra. Maria Marluce Vilela, responsável pela Qualificação e Certificação Profissional, assinala a importância das doenças crônicas hoje no perfil de morbidade na infância e adolescência, lembrando que “um ano é muito pouco para o aprendizado de uma assistência com resolutividade, no caso de muitas patologias. São exigidos do médico habilidades, experiência e conhecimentos cada vez mais complexos”. Por isso, relata a diretora, “vimos trabalhando, desde o início da gestão do dr. Eduardo, dando prosseguimento e ampliando as solicitações que a SBP faz desde 2006”.

Dra. Marluce acrescenta que os integrantes dos Departamentos Científicos foram consultados e que a posição pela ampliação do conteúdo e do tempo de residência é unânime. “Vários participaram da reunião com a CNRM, em São Paulo”, disse, se referindo aos DCs das áreas de Alergia, Cardiologia, Endocrinologia, Gastroenterologia, Infectologia, Nefrologia, Nutrologia, Pneumologia, Oncohematologia e Reumatologia. Para o dr. Luiz Anderson Lopes, diretor da SBP também presente, o encontro foi uma “boa oportunidade, junto à CNRM, de esclarecimento e acerto de orientações. “Nos foi solicitado que os argumentos científicos da SBP, sobre os quais há unanimidade, sejam estruturados de maneira a configurar uma proposta sólida também administrativamente, com os detalhamentos necessários, que possa ser apresentada aos órgãos deliberativos, reforçando o que já foi encaminhado há alguns anos”.

Os três anos e a valorização da pediatria

Outro ponto ressaltado pelos diretores da Sociedade foi o fato da pediatria “ser indivisível”: “as áreas de atuação garantem o aprofundamento dos conhecimentos por aqueles já formados como clínicos gerais da medicina da infância e adolescência. Esse é o nosso especialista, aquele que conhece a criança como um todo, entende profundamente do crescimento e do desenvolvimento do indivíduo e continua estudando o impacto das patologias representadas pelas áreas de atuação”, salienta o dr. Dennis, lembrando que para a atualização da formação do pediatra a SBP defende a residência em três anos. “A Sociedade não abre mão de qualificar o clínico”, garante o diretor, assinalando que a posição integra a política de valorização profissional . “O treinamento deve incluir as mudanças sociais ocorridas, com as novas famílias e as questões do comportamento. O pediatra precisa orientar muito bem as mães”, complementa a dra. Marluce.

Sobre o prolongamento dos estudos, dr. Dennis argumenta que não atrapalha a assistência das crianças, porque a grande maioria dos pediatras estuda e trabalha com a clínica geral e apenas cerca de 30% decide continuar a formação em uma das áreas. Dra. Marluce ressalta: Achei muito importante esse diálogo com a CNRM. Seus dirigentes têm muitas atividades, desafios e vieram ouvir o pediatra”, elogia. Agora, “vamos elaborar o documento solicitado e encaminhá-lo a tempo de que possa ser apreciado na plenária da Comissão, marcada para 13 e 14 de dezembro”, conclui o dr. Dennis.